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ESG para quê? Ações de empresas poluentes sobem mais, aponta estudo

Surpresas nos lucros e retornos das ações relacionados ao carbono desafia noções de investimento ambiental, social e de governança (ESG)

por Gustavo Kahil
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Um estudo recente conduzido pelos economistas turcos Yigit Atilgan, Ozgur Demirtas e Doruk Gunaydin, da Universidade Sabanci, juntamente com Alex Edmans, da London Business School, desvendou uma relação intrigante entre as emissões de carbono e os retornos em ações de empresas.

Contrariando expectativas e interpretações convencionais, a pesquisa “Why carbon emissions are associated with higher stock returns” aponta para uma associação entre maiores emissões de carbono e elevados retornos em ações, desafiando as noções estabelecidas sobre investimento ambiental, social e de governança (ESG).

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Os resultados do estudo destacam a importância de entender como o mercado financeiro avalia o risco de transição do carbono e como isso afeta a mudança para uma economia de baixo carbono. A relação entre emissões de carbono, surpresas nos lucros e retornos das ações revela nuances significativas na precificação do risco climático nos mercados financeiros globais.

“Se as ações expostas ao risco de transição (representado pelas elevadas emissões de carbono) forem fortemente descontadas, então as empresas terão fortes incentivos para reduzir as suas emissões, os investidores envolver-se-ão com as empresas para reduzir as suas emissões e os emissores terão dificuldade em obter capital. Em contrapartida, se os mercados avaliarem de forma insuficiente o risco de transição, as empresas poderão não reduzir as suas emissões nem os investidores descarbonizarem as suas carteiras”, aponta o estudo.

A pesquisa indica que as empresas com maiores níveis e mudanças nas emissões de carbono estão associadas a surpresas positivas nos lucros, uma descoberta que levanta questões cruciais sobre a precificação do risco de transição do carbono nos mercados financeiros. Isso sugere que o mercado pode não estar avaliando completamente o risco da transição do carbono, levantando dúvidas sobre as forças de mercado sozinhas para impulsionar a mudança para uma economia mais sustentável.

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(Imagem: Unsplash/ Markus Spiske)

Narrativa ESG é desafiada

O estudo contradiz interpretações convencionais que associam retornos elevados exclusivamente a empresas ‘verdes’. Enquanto defensores do investimento ESG frequentemente apontam para retornos superiores em empresas sustentáveis como prova de que o ESG é benéfico, os resultados desta pesquisa desafiam essa narrativa.

Os economistas observam que a interpretação dos retornos em ações, em relação às emissões de carbono, é surpreendente, uma vez que as empresas com maiores emissões parecem beneficiar de lucros e retornos mais elevados.

O estudo destaca ainda a importância da intervenção governamental para impulsionar a transição do carbono, sugerindo que as empresas e investidores podem não internalizar completamente os custos sociais das emissões de carbono. Essas conclusões ressaltam os desafios enfrentados pelos investidores em conciliar o dever fiduciário com o alinhamento com metas de emissões líquidas zero na ausência de ações governamentais eficazes.

Além disso, o estudo levanta questões mais amplas sobre a interpretação seletiva de evidências no campo do investimento ESG. Os pesquisadores alertam para o perigo do viés de confirmação, onde interpretações preferenciais obscurecem a compreensão completa dos dados. Em vez disso, eles enfatizam a importância de considerar todas as possíveis interpretações de dados e adotar uma abordagem científica rigorosa na análise de evidências.

“Se um estudo constatar elevados retornos para empresas “verdes”, alguns defensores do ESG interpretam-no como prova de que ser verde compensa. Mas se o estudo constatar retornos elevados para empresas “poluente”, interpretar-se-iam isso como prova de que ser assim leva a um custo de capital mais elevado. Este é um exemplo de viés de confirmação, em que as pessoas interpretam os resultados da maneira que desejam e ignoram explicações alternativas para uma análise mais aprofundada do problema e como abordá-lo. Em vez de nos apressarmos para a nossa explicação preferida dos dados, o processo científico envolve levar a sério todas as possíveis interpretações”, pondera a análise.

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