Rejeitada a segunda denúncia e depois de declarações do presidente da Câmara que irá arquivar todos os 25 pedidos de impeachment contra o presidente, está na hora do governo finalmente focar no que realmente interessa para a sociedade: começar a fazer a economia convergir para o rumo certo de recuperação.

O problema maior é que estamos diante de uma corrida contra o tempo. Daqui até o final do ano, não teremos praticamente quatro semanas para tentar começar a colocar a casa em ordem. Temos feriadões prolongados, festas natalinas e de final de ano, férias, recesso; e depois já estaremos num piscar de olhos no final do primeiro trimestre de um ano de eleições majoritárias. É fácil intuir que a partir daí os parlamentares candidatos à reeleição ou outros cargos já estarão por conta de seus redutos eleitorais, e certamente muito poucos interessados em lidar com as coisas do país.

Precisamos saber da vontade política do presidente e seus auxiliares, alguns podendo saírem candidatos, inclusive o ministro Henrique Meirelles. Terão que desincompatibilizar logo no segundo trimestre. Há um outro problema a ser considerado. Reformas que mexem com direitos da população ou de grupos fortemente organizados não ganha eleição. Quem irá querer ser o arauto de reformas que indiquem maior idade mínima para aposentadoria ou ampliação do tempo de contribuição? quem irá colocar o guizo no gato dos servidores públicos perdendo benefícios, agora com equidade ao setor privado?

Outro problema surgirá em breve

É claro que tudo isso é preciso ser feito. Melhor, já deveria ter sido feito. Só esperamos que o governo nesse tempo que ainda lhe resta, use o mesmo empenho que fez com que as duas denúncias fossem rejeitadas. Que consiga minimamente acomodar interesses, e que consiga fazer reformas que não serviram muito para mudar a tendência dos números da nossa economia, mas que sinalizem para o mundo que iremos perseverar nessas conquistas absolutamente fundamentais para o país.

Outro problema surge. Qualquer presidente que assuma não terá outra escolha senão continuar a perseguir reformas. Temer não irá conseguir fazer nada de muito grandioso no que tange as reformas, mas pode tirar um pouco do ônus do próximo presidente. Mas quem estará comprometido claramente com essas reformas. Notem que não estamos somente falando da previdência social, mas também da reforma tributária destinada a agregar competitividade e produtividade as empresas, da reforma política, da redução do tamanho do Estado e da máquina administrativa; e de muito mais. Precisa dar paradeiro à segurança pública, melhorar a educação e saúde pública e ainda amparar a população carente do “renda zero”.

Precisa atrair investimentos externos, promover rápida privatização de empresas e concessões. Isso tendo que quebrar barreiras com sindicatos organizados. Aliás, por falar em sindicatos, ainda é preciso enorme regulação da reforma trabalhista, começando a modernizar leis que são inibidoras da eficiência.

O momento de colocar ordem na casa

Nessa linha e “puxando um pouco a brasa para nossa sardinha”, o governo poderia colocar na ordem do dia benefícios ao crescimento e o desenvolvimento do mercado de capitais, justamente num momento de maior penúria do maior financiador de longo prazo desse país, o BNDES.

Definitivamente o mercado de capitais está pronto para ajudar no processo de capitalização de empresas e selecionar projeto de infraestrutura, criando os mecanismos necessários para viabilização dos investimentos. Para tanto, não podemos prescindir do mercado secundário de ações e debêntures e para tal seria preciso rever a estrutura tributária cuja a arrecadação não é importante, mas a carga tributária é elevada.

É a hora da verdade para o governo, mas está na hora das entidades do mercado fazerem esforços para aprovação de medidas que beneficiem investiment

Alvaro Bandeira
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