EUA rejeitam plano anti-crise. O capitalismo balança228 a 205. O placar representa uma segunda-feira muito tensa no mercado financeiro. A maioria dos congressistas norte-americanos rejeitou o plano de salvação de US$ 700 bilhões – conhecido lá fora por Bailout – proposto por Henry Paulson e Ben Bernanke, que não desistiram. “Este plano é muito importante, não podemos simplesmente deixá-lo falhar” bradou Paulson enquanto os mercados de todo o mundo derretiam – e derreteram mesmo.

Por aqui, o Índice Bovespa balançou com força. Ontem, o famoso instrumento conhecido como circuit breaker, que congela as negociações na bolsa brasileira por 30 minutos quando índice atinge queda de mais de 10%, entrou em ação. O saldo da segunda-feira é uma queda de 9,36% no Ibovespa, um dos piores resultados desde os atentados de 11 de setembro e do Plano Real. Para se ter uma idéia do pânico, lá fora as ações do banco Wachovia fecharam em baixa de impressionantes 81,6%.

Foram tantas ligações de clientes e amigos que vi minha bateria do celular acabar duas vezes, só ontem. Pois é, as perguntas quase sempre eram: e agora, como fica o mercado? O que o Fed e o Tesouro farão para conter a crise? Ninguém sabe. A semana, marcada por um feriado hoje nos EUA e por uma nova tentativa de “passar” o plano no Congresso (provavelmente na quinta-feira), promete mais volatilidade e emoções fortes.

Como fica o capitalismo?
Curioso notar que, para algumas pessoas, a crise é apenas uma notícia catastrófica que afeta os “amantes do capitalismo selvagem”. O Brasil tem muita gente alheia ao noticiário econômico e que não se interessa por situações como essa, mas que ainda não se deram conta de que seu atual padrão de vida e seus desejos são também são parte do capitalismo complexo tão relacionado com a crise.

Não cabe impressioná-lo com alguns dados que demonstram toda essa relação entre as economias mundiais, mas lembrá-lo de um simples princípio: um modelo de negócios entre países que vendem seus produtos globalmente e usam dinheiro proveniente de diversas nações como fonte de crédito e capital para investimento está sujeito às interferências no fluxo de recursos que circulam entre suas fronteiras – agora virtuais e invisíveis.

Interessantes citações
Lendo diversos jornais e revistas que hoje dedicam muitas de suas páginas ao problema financeiro que abala o mundo, encontrei opiniões capazes de nos colocar em ótima sintonia com a necessidade de refletir melhor o momento e o impacto de nossas decisões. Abaixo estão duas citações bem bacanas:

“Esta crise deve nos conduzir a uma maneira radicalmente diferente de nossas sociedades medirem a saúde e o progresso. Mas nada disso vai acontecer sem a imposição de pressões públicas muito fortes sobre os políticos neste período-chave. Estamos falando da volta das pessoas às ruas, de ações diretas como a que trouxe o New Deal (1930). Sem isso, haverá mudanças superficiais e o retorno ao “business as usual” o mais rapidamente possível”. (Naomi Klein, colunista do “The Nation” em artigo publicado na Folha de S. Paulo)

Quer dizer que o contribuinte americano, que irá pagar grande parte da conta, deve se mobilizar para que melhores mecanismos financeiros devam ser instituidos? Gostei do ponto de vista, mas por enquanto parece que o prejuízo ainda não os fez sentir tal necessidade.

“A crise atual é o preço que está sendo pago pelo fato de os EUA terem evitado uma recessão cinco anos atrás. Assim, o perigo é que a narrativa predominante da atual crise seja aquela que, em lugar de nos fazer despertar de um sonho, nos possibilitará continuar a sonhar. É neste ponto que devemos começar a nos preocupar: não apenas com conseqüências econômicas da crise, mas com a tentação evidente de injetar ânimo novo na “guerra ao terror” e no intervencionismo dos EUA, para manter a economia funcionando a contento”. (Slavoj Zizek, filósofo, em coluna do caderno “Mais!” da Folha de S. Paulo)

Nas entrelinhas, percebo o ponto relevante da opinião deste grande crítico. Vamos, como mundo, apenas remediar ou efetivamente entender as causas do problema, que remontam ao passado recente? Mr. Paulson não desistiu de aprovar o plano. George W. Bush, presidente dos EUA, não gostou de ver o plano fracassar no Congresso. Enfim, são 11h e a Bovespa opera em leve alta. As bolsas mundo afora também. O que vai acontecer? Não sei. Vai ser sério? Já é! Vem mais por ai? Tomara que não. Ufa.

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Crédito da foto para stock.xchng.

Conrado Navarro
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