Tenho recebido muitos e-mails de investidores que nos acompanham diariamente. Eles questionam sobre o momento da taxa de juros do país e qual a perspectiva para a tendência dela daqui para frente.

Desejam saber se deveriam investir, de acordo com essa resposta, em títulos do Tesouro Direto prefixado ou pós-fixado indexado a inflação.

O objetivo é o médio/longo prazo, ou mais especificamente ainda, para 2019. Neste ano, vence a primeira opção dos títulos prefixados e do Tesouro IPCA disponíveis atualmente para compras no site do Tesouro Nacional.

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Análise breve do cenário macro econômico

Bom, antes de iniciarmos estas respostas, precisamos considerar uma breve análise do cenário macro. Este cenário poderá modificar a estrutura de todo o processo ao longo do período, e consequentemente, das recomendações.

É bem verdade que estamos próximos (até que enfim!) da votação no Senado Federal sobre o afastamento definitivo (ou não) da presidente Dilma Rousseff.

O evento deverá ocorrer na última semana deste mês. Lembro que a Câmara dos Deputados deu continuidade ao processo de impeachment em 17 de abril. De lá para cá já, são mais de 4 meses de espera, e com o presidente atual sendo considerado apenas interino no país.

Após este fato ser concretizado, onde a possibilidade de afastamento nos parece muito provável, será necessário acompanhar as negociações no Congresso Nacional. Elas envolvem as medidas de ajuste fiscal que são necessárias ao país para equilibrar as contas públicas.

Sem dúvidas, o foco do mercado será esse. É um fato determinante para o encaminhamento da inflação, taxa de juros (Selic), níveis de confiança, crescimento do país (PIB) para os próximos anos entre outros indicadores relevantes da economia brasileira.

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Possível trajetória de queda nos juros?

Diante do panorama descrito acima, é possível visualizar que não será nada fácil termos uma sensação exata do que ocorrerá daqui para frente.

Pelo sentimento que vivenciamos, pelas recentes declarações do presidente do Banco Central e de outras autoridades, o mercado enxerga que a Selic – a taxa de juros do país – poderá iniciar sua trajetória de queda ainda em 2016.

Isso poderá ocorrer em uma das três reuniões restantes do Copom. A primeira delas será realizada no final do mês de agosto, e as demais em outubro e novembro.

No entanto, por mais que tenhamos essa perspectiva de que os juros irão recuar, ainda não há um consenso de quando será iniciada essa trajetória. Também não se sabe de quanto seria esse afrouxamento da política monetária.

Nossa opinião sobre os fatos

Sendo assim, surgiram muitos questionamentos envolvendo as aplicações neste momento, se deveriam ser realizadas nos títulos do Tesouro prefixado pela perspectiva de queda da Selic ou se nossa recomendação para até 2019 continua sendo para o Tesouro IPCA.

Nossa resposta é pela continuidade dos títulos indexados a inflação. Temos duas razões para isso:

1. A inflação deverá ceder nos próximos anos, mas o prêmio pago pelo Governo (ou ganho real neste caso) ainda segue sendo bastante suntuoso, na casa do 6%.

2. O outro seria a taxa paga atualmente pelos títulos prefixados, que estão em cerca de 12%. Ainda está longe da taxa de juros atual. Isso mostra um “gap” grande a ser fechado, especialmente se considerarmos o período para o vencimento do título.

Portanto, como não há um consenso de quando os juros estarão abaixo desse patamar, seguimos fora deste ativo, apesar de haver uma possibilidade pela valorização do PU (Preço Unitário) do mesmo.

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Considerações finais

Mas vale ressaltar: o foco do investidor individual não deve estar em especular com os títulos do Tesouro. Deve sim estar em encontrar a melhor recomendação, de acordo com seu perfil, objetivo e prazo da aplicação.

Além destas situações, apesar da crise econômica, a inflação não parece ceder fortemente. O IPCA segue pressionado, especialmente pela elevação dos preços dos alimentos.

Apenas no mês de julho o indicador subiu 0,52%, e em 2016, a taxa acumulada está em 4,96%. Para o final do ano, espera-se uma inflação acima de 7% (ainda acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5% ao ano).

Enfim, por todas essas explanações, entre um e outro, ainda recomendo os títulos do Tesouro IPCA visando 2019.

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Roberto Indech
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