ExpoManagement 2009: Paul Krugman e a economia do BrasilDurante a semana, estive presente na ExpoManagement 2009 representando o Dinheirama. Grande evento que reuniu personalidades influentes no mundo corporativo e financeiro internacional. Estiveram presentes Michael Porter[bb], Bill Tancer, Jack Welch[bb], Vicente Falconi, entre outros. Como sou apaixonado pela discussão econômica, não poderia perder a oportunidade de assistir a palestra do Nobel em Economia de 2008, Paul Krugman, que, parece, foi a grande estrela do evento.

Mais do que a palestra, estive presente na coletiva de imprensa onde Krugman respondeu a inúmeros questionamentos sobre a economia mundial e, principalmente, sobre o atual cenário econômico em que o Brasil se encontra. Listo aqui alguns tópicos abordados durante sua apresentação e coletiva para que possamos absorver seu conhecimento e discuti-lo.

Desemprego, inimigo público número um dos EUA
Percebi durante toda a coletiva que Paul Krugman mantém uma grande preocupação em relação ao desemprego nos EUA. E disse que o governo foi decepcionante em relação a esse tema. Tenho que concordar, pois a enorme ajuda financeira destinada a bancos e outras instituições financeiras não foi estendida na mesma dimensão a outros setores.

É obvio que um cataclisma nos bancos sacudiria todo o mundo corporativo, afetando de forma ainda mais negativa a geração de empregos e as demissões. No entanto, ainda concordo com Krugman e parece que a melhor forma de mudar essa triste realidade americana passa pelo estímulo fiscal. De acordo com Paul Krugman, sobre o aspecto das instituições financeiras o pior da crise[bb] já passou, sobrando resolver a questão social que surgiu após o colapso.

Brasil: lidando com o sucesso
Quando falava do Brasil, percebi que o Nobel de Economia tentava conter a euforia presente na sala de imprensa. É inegável que os ventos são favoráveis e que o resultado positivo do presente é oriundo de 15 anos de política econômica mais responsável e austera. Vale lembrar que o mesmo entusiasmo já foi observado no mundo por outros países como Argentina e México, só para citar alguns exemplos.

Krugman fez questão de dizer que, sobre o aspecto sócio econômico, o Brasil, diferentemente dos outros países chamados emergentes, se encontra em situação melhor. Sua população inegavelmente subiu degraus importantes e o país é menos pobre na sua totalidade. Entretanto, alguns aspectos devem ser melhor desenvolvidos, como educação e infraestrutura. Via de regra, são gargalos que o Brasil precisa enfrentar de forma decisiva como forma de crescer de forma sustentável.

Brasil fortalecido após a crise
O comportamento do Brasil durante a crise recebeu elogios: “Pela Primeira vez em minha carreira profissional, percebo que o Brasil se saiu melhor da crise do que a maioria dos países”. Elogios à parte, a entrada maciça de capital internacional pode significar o surgimento de uma bolha financeira sem precedentes. Parece que esse será o grande desafio para os próximos anos. A receita para continuar avançando passa por: austero controle dos gastos públicos, manutenção da política de superávit, controle de metas de inflação e sustentação das reservas internacionais.

Acima de tudo, Paul Krugman demonstra muita responsabilidade quando fala. Ele não quis tecer comentários sobre Ben Bernanke e um novo mandato para o presidente do Federal Reserve, pois, em outros tempos, este já foi responsável por empregá-lo em uma universidade. Ficou em cima do muro.

Sobre seus investimentos[bb] pessoais, ele disse, com ótimo humor, que ainda precisa fazer seu “pé de meia”, mas que felizmente recebeu uma ajudinha do “pessoal da Suécia” (referência ao prêmio recebido – Nobel de Economia 2008). E ainda deixou escapar que possui alguns títulos da dívida brasileira como investimento pessoal: “Sou invariavelmente muito cauteloso com meu dinheiro”.

Crédito da foto: divulgação.

Ricardo Pereira
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