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Expresso Renda Fixa: O CEO e a eficiência disfarçada

Analisar expectativa de retorno pura e simplesmente pode te fazer tomar os caminhos que não necessariamente são adequados para o seu perfil

por Guilherme Cadonhotto
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Varejo Filas

Dentre os grandes benefícios de ser sócio do Grupo Primo, estar em reuniões com profissionais mais experientes e com competências complementares as suas é o maior deles.

Dividir a mesa com profissionais capacitados e experientes, cada um no seu nicho, equivale basicamente a uma faculdade, especialização ou MBA.

Essas reuniões geralmente são tocadas por duas figuras, uma que você conhece e provavelmente acompanha há bastante tempo e outra que provavelmente você nunca ouviu falar.

Uma delas é o Thiago Nigro, mais conhecido como Primo Rico. Você provavelmente o conhece pela sua habilidade como investidor e comunicador, mas vai por mim, se você escutasse o que eu escuto todas as terças-feiras, na reunião de board do Grupo Primo, o admiraria ainda mais como um empreendedor nato. A visão e capacidade do Thiago como empreendedor são simplesmente fora da curva.

O outro nome é Fernando Vasconcellos, o CEO do Grupo Primo. Fernando é a pessoa responsável por trazer a visão de Thiago, e outros sócios, para a realidade, mostrando sua viabilidade econômica e financeira.

Fernando trabalhou por muitos anos na Americanas, Nokia, foi CEO da Infomoney e CMO e sócio da XP, bagagem em diversos segmentos e empresas não lhe falta.

Em uma dessas reuniões discutíamos em como medir a eficiência de uma equipe dentro do Grupo Primo. O acompanhamento via métricas é extremamente importante, mas definir as métricas importantes é o passo inicial para uma avaliação correta da situação.

Fernando contou o caso de quando atuava nas lojas americanas, há muitos e muitos anos atrás diga-se de passagem, e definiram uma métrica de eficiência que julgaram ser boa, mas que acabou trazendo um resultado negativo para a empresa.

Um dos problemas que identificaram foi a presença de grandes filas em horários de pico em suas lojas. Perceberam então que alguns funcionários bipavam muito mais produtos por hora do que outros, ou seja, alguns operadores de caixas pareciam ser mais eficientes do que outros, e a ineficiência de alguns atrapalhava os mais eficientes. 

Além disso, essa ineficiência acabava afastando clientes da loja, que acabavam abandonando seus produtos na prateleira ou nem mesmo entrando na loja.

Como então diferenciar os operadores mais eficientes dos menos eficientes?

Implementaram uma métrica de produtos “bipados” por minuto.

Você pode imaginar que assim conseguiriam verificar exatamente quem era mais eficiente nos horários de pico correto?

Bom, o resultado foi bem diferente do esperado, e trouxe resultados completamente opostos do pretendido, que era simplesmente reduzir as filas formadas por clientes em horário de pico.

Na verdade, os operadores que eram originalmente ineficientes descobriram uma maneira de se mostrarem eficientes de modo artificial. Como a métrica estava pautada na quantidade de produtos bipados, aqueles operadores passaram a atuar da seguinte maneira:

Se um cliente comprasse uma caixa de cerveja, ao invés de o operador bipar o código de barras da caixa ele simplesmente abria a caixa e bipava uma cerveja por vez.

Isso acontecia com cerveja, leite, chocolates, refrigerantes e por aí vai.

A sua “eficiência” na métrica sugerida havia subido, porém na realidade as lojas começaram a observar filas ainda maiores devido aqueles que encontraram uma “brecha” em se mostrar mais eficientes do que realmente eram.

Essa definição de métricas corretas é, portanto, um ponto crucial na vida de empreendedores, na verdade não só na de empreendedores, mas nas de investidores também.

Por exemplo, qual a métrica que você analisa para identificar se está fazendo bons investimentos?

Provavelmente o retorno correto?

O retorno por si só não é uma boa métrica de análise dos seus investimentos, embora seja a mais utilizada por motivos óbvios. Mas o retorno por si só pode esconder se o caminho utilizado para o alcançar foi um bom caminho ou um caminho perigoso demais para aquele nível de rentabilidade.

O que estou querendo dizer aqui é que olhar a relação risco x retorno de seus investimentos é uma boa para começar identificar se está no caminho correto ou não.

Claro que 50% de retorno em uma carteira de investimento é um excelente resultado, mas será que 50% de retorno com a chance não desprezível de ela se desvalorizar também os mesmos 50% em um ano é uma boa? Ou quem sabe o risco dele se desvalorizar ainda mais era alto, será que mesmo assim poderíamos considerar 50% de resultado uma boa?

No mundo dos investimentos analisar o que poderia ter acontecido ao invés do que de fato aconteceu é uma boa para identificar se você está no caminho certo. Claro que há aquela máxima; “Quem ganha, ganha! Quem perde, explica!”, mas ela está completamente errada.

Quem trabalhou no mundo institucional, fazendo gestão de fundos de investimento, sabe bem como é.

Mesmo que o resultado de suas operações tenha sido positivo você precisa se explicar, e se a sua posição apresentou um risco maior do que lhe era permitido, não espere aplausos e tapinha nas costas.

Os riscos presentes em uma carteira de investimentos podem indicar a probabilidade de você perder dinheiro de maneira relevante. Uma carteira com alto risco, que tenha apresentado resultados muito bons até agora, pode apresentar uma chance de colocar tudo a perder muito alta. Por isso quando falamos de investimentos profissionais, mesmo os resultados positivos precisam ser justificados.

Por que quis tocar nesse ponto nesse texto?

Bom, é comum que a maioria das pessoas se preocupem com um único resultado de sua carteira: O retorno.

Isso pode trazer resultados? Sim, mas de novo, olhar somente a expectativa de retorno vai fazer com que você se exponha a riscos que não necessariamente você gostaria de se expor.

Um exemplo?

Que título de renda fixa lhe parece mais atrativo?

Opção A: Vencimento em 5 anos e rentabilidade de 14% ao ano.

Opção B: Vencimento em 5 anos e rentabilidade de 22% ao ano.

Provavelmente você responderia Opção B, com a ideia de obter um retorno mais alto depois de 5 anos.

Mas será que você gostaria de correr o risco que está embutido na Opção B?

Uma empresa que se financia à uma taxa superior à 20% ao ano com certeza não está em situação financeira muito fácil, ou seja, o risco de ela quebrar no meio do caminho é bem mais alto do que a opção A. Por isso analisar expectativa de retorno pura e simplesmente pode te fazer tomar os caminhos que não necessariamente são adequados para o seu perfil de investimento.

Olhar somente para o retorno pode fazer com que você tome caminhos indesejados, o que pode em um primeiro momento até te trazer resultados satisfatórios, mas que provavelmente vão fazer com que você, em algum momento, passe por um percalço que não imaginou ser possível, e o pior, alguns podem ser muito difíceis de serem revertidos.

Por isso, aprenda com a história dos operadores de caixa, e passe a analisar muito mais do que somente o retorno de sua carteira de investimentos.

Abraços,

Guilherme Cadonhotto 

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