No mês de outubro, os números da poupança no país foram negativos pelo 10º mês consecutivo, ou seja, em 2015 os saques superaram as aplicações em todos os meses. Os dados oficiais indicam que os saques foram R$ 3,3 bilhões maiores que as aplicações, se tornando o pior outubro dos últimos 15 anos.

No ano, os brasileiros já tiraram mais de R$ 57 bilhões da poupança, segundo informações do Banco Central. Este resultado de 2015 é o pior da série histórica, ou mais precisamente dos últimos 20 anos. Desde 2003, não se via um volume de retiradas da poupança maior do que o de investimentos em todos os meses de um ano, com destaque para o ocorrido em março, onde os saques superaram as aplicações em R$ 11,4 bilhões.

A meu ver, essa recorrência tem ocorrido pela piora da economia nacional, o que ocasiona elevação da taxa de desemprego e, por consequência, a necessidade de resgate de recursos para o pagamento de contas do dia a dia.

Além disso, com um cenário de juros altos, sem dúvida outros investimentos tornam-se mais atrativos, especialmente os títulos do Tesouro Direto, as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA), entre outros.

Vale ressaltar neste contexto de falta de atratividade da poupança, a remuneração da poupança no cenário de juros atual é formada por uma taxa fixa de 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR) – algo que foi inventado no governo Collor, mas que é pouco utilizado atualmente no país – e deve encerrar 2015 próximo de 7,5%.

Por outro lado, como explica-se neste site de forma recorrente, apenas os títulos do Tesouro Selic devem render 14,25% ao ano enquanto esta taxa permanecer nos níveis atuais, com a mesma liquidez da poupança (diária) e praticamente com o mesmo risco, sendo este governamental (ou soberano). Clique aqui para mais detalhes sobre este investimento.

A perspectiva, inclusive, é de permanência dos juros neste patamar pelo menos até meados de 2016, com risco inclusive de elevação em função das preocupações quanto à inflação (IPCA), que deve encerrar 2015 com uma taxa de dois dígitos, acima de 10%, o que não ocorria desde 2002.

Conforme descrito acima, é possível ver que realmente a economia do país não anda bem das pernas e para 2016 segue a expectativa de um cenário ruim, com projeções que já atingem piora de perspectiva para o crescimento do país, podendo ser pior em relação a 2015, com a inflação seguindo em patamares elevados, elevação da taxa de desemprego, preocupação com as contas fiscais e iminente perda de grau de investimento.

Ainda teremos a continuidade das investigações na Operação Lava Jato, mantendo a paralisia nos setores de óleo & gás e infraestrutura. Seguiremos observando a produção industrial agonizar, como tem acontecido nos últimos meses, bem como a difícil governabilidade do país e novas quedas nas taxas de confiança do consumidor e do empresariado.

Infelizmente este é o cenário mais provável para 2016, pelo menos por enquanto, mas você ainda tem a oportunidade de assegurar que os rendimentos de suas aplicações tenham, de certa forma, resiliência a este cenário horrível.

Basta ter atitude e buscar as melhores alternativas de acordo com seu perfil de investidor e com seus objetivos. Pense e aja como milhares brasileiros: fuja da poupança e tenha o retorno dos seus investimentos em níveis justos e decentes, maiores que a inflação. Clique aqui para entender melhor como fazer isso. Obrigado e até a próxima!

Nota: Esta coluna é mantida pela Rico.com.vc, que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

Foto: “changing investment”, Shutterstock.

Roberto Indech
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