Lucélia comenta: “Navarro, não sei se você teve tempo ou paciência para ler toda a minha história neste e-mail, que mais parece um livro, mas resolvi compartilhá-la como uma prova de que basta querermos lutar, sem ter nenhuma preguiça de trabalhar, aprendendo tudo o pudermos, e conseguiremos alcançar nossos objetivos (ou pelo menos ficar bem mais perto deles). O Dinheirama me ajudou muito! Obrigada 1000 vezes“.

A Lucélia nos enviou um e-mail emocionante, em resposta a um de nossos artigos em que mencionamos o superendividamento. Gostei muito da história dela e, com a devida permissão dela (trocando o nome, obviamente), vou compartilhá-la com você.

Também vou abusar um pouco dos links durante o texto para conectar melhor a história com conteúdos práticos e que podem fazer a diferença também na sua vida.

Falta da educação financeira: um rápido caminho para a falência

Lucélia era casada e tem um casal de filhos. Ela era do lar e trabalhava como diarista de faxinas quando isso era possível. O marido trabalhava em uma empresa do ramo de construção civil.

Como muitos, infelizmente, nem ela nem o marido tinham bons conhecimentos sobre educação financeira, embora Lucélia tivesse uma visão de senso comum voltada à economia doméstica.

Enquanto ela gostava de pesquisar preços nos supermercados, para aproveitar promoções e fazer estoques de alguns produtos não perecíveis, o marido se dava ao jogo e não se preocupava muito em poupar. Apostava muito nos “atalhos” para um futuro melhor.

Certa vez chegou a gastar metade do salário em uma combinação de jogos de loteria, que “jurava” ser capaz de aumentar muito as chances de ele ganhar, ainda que fossem prêmios secundários. Mas a “sorte” não estava do lado dele. Lucélia ficava furiosa, o clima no lar era tenso e as crianças sofriam no meio das discussões.

Não demorou muito para que as coisas saíssem do controle, e bastou o esposo perder o emprego para que as dívidas aumentassem rapidamente.

Com a mente desequilibrada, em vez de usar seus talentos e conhecimentos para prestar serviços gerais com acabamentos de interiores e projetos elétricos de residências (ele era bom nisso), o marido de Lucélia escolheu se lamentar, e a bebida social do fim de semana se tornou um vício diário. Uma fuga.

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Uma difícil decisão e o recomeço

Com pouquíssimo dinheiro, muitas dívidas, dois filhos para criar e um alcoólatra dificultando mais ainda a situação, Lucélia resolveu sair de casa com as crianças.

Uniu forças com sua irmã, que era solteira e batalhava bastante para melhorar sua vida financeira. Conseguiu uma escola pública para os filhos que fosse perto de onde morava e pegou pesado no trabalho de diarista.

Alguns dias ela trabalhava até tarde da noite, quando depois de passar o dia limpando a casa de algum cliente, ainda fazia limpezas de consultórios médicos particulares, fruto da indicação de seus clientes, que gostavam do seu capricho e zelo.

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Dividindo uma pequena casa com a irmã, ambas tiveram alívio no custo de moradia, e as crianças finalmente estavam em um ambiente melhor, onde as brigas foram trocadas por brincadeiras alegres e divisão de tarefas, afinal, além dos compromissos com a escola, os filhos também tinham seus trabalhos no lar, onde ajudavam na cozinha e na limpeza.

O marido escolheu não mudar seus hábitos e Lucélia formalizou o divórcio. Com o passar dos anos, ela aprendeu a trabalhar melhor com o dinheiro, fez alguns cursos extras (como o de cabelereira e manicure) e conseguiu trabalho em um bem-sucedido salão de beleza.

Começou a renegociar algumas dívidas que o marido tinha feito em seu nome, aprendeu a trocar dívidas caras por outras mais baratas e, sempre que tinha um tempo livre, pegava algum serviço de limpeza para gerar mais receita.

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Ela entendeu o conceito de renda extra e passou a dedicar uma hora do dia para leituras sobre empreendedorismo. Enquanto aliviava aos poucos o seu endividamento, começou a comprar algumas roupas no atacado e as mostrava no salão, enquanto cortava os cabelos ou fazia as unhas de suas clientes.

Ela também levava suas peças e mostruário para as casas de suas clientes da faxina e limpeza. O dinheiro das vendas era praticamente todo reinvestido, tanto na compra de mais roupas, quanto em mais qualificação.

Ao contrário do ex-marido, Lucélia era dotada de paciência e perseverança, e aos poucos foi melhorando sua renda, reduzindo suas dívidas e aprendendo coisas novas. Uma transformação completa de mentalidade e uma enorme disposição de lutar por uma vida melhor.

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Lucélia terminou de contar sua história dizendo que há pouco mais de 6 meses quitou completamente suas dívidas e, pela primeira vez na vida, começou a fazer investimentos no mercado financeiro. Abriu uma conta numa corretora, uma conta digital num banco (para não pagar tarifas e TED) e aplica mensalmente R$ 300,00 em Tesouro SELIC.

Ela e a irmã têm planos de comprar um pequeno terreno e construir duas casas (uma menor, para a irmã, e outra com dois quartos, para ela e seus filhos). Disse já ter o projeto do sobrado, que fica num quadro, na parede. Ela o deixa exposto para lembrar todos os dias de que precisa continuar lutando para chegar lá.

Conclusão

Lucélia levou 6 anos para sair da condição de falência e alcançar o equilíbrio financeiro. Um exemplo de perseverança e determinação. Como ela, há muitos outros heróis anônimos por aí. Há muito o quê aprender com eles.

Observe que grifei várias palavras ao longo do texto. Essas palavras expressam ações muito importantes dentro do processo de transformação de uma vida praticamente falida para uma vida financeira equilibrada. São elas:

Educação financeira, hábito de poupar, boas escolhas, trabalho bem feito, bons relacionamentos, divisão de tarefas no lar, assumir e cumprir compromissos, desenvolver bons hábitos, buscar renda extra, empreender, cultivar a paciência e a perseverança, cuidar da mente (pensamentos), aprender a investir, cultivar sonhos e se planejar para alcançá-los.

Espero que esta história proporcione boas reflexões. Casos assim se repetem todos os dias, mas são poucos os que conseguem se reerguer. Melhor mesmo é evitar que as coisas cheguem tão longe e, para isso, basta entender e começar pelo básico da educação financeira: gastar menos do que se ganha. Um grande abraço e até a próxima!

Conrado Navarro
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