Quando falamos de problemas financeiros, pensamos imediatamente na ausência de dinheiro – afinal, lidar com a escassez de recursos faz parte do cotidiano da maioria dos nossos lares.

O que muitas pessoas não sabem é que da mesma forma que a falta de dinheiro pode trazer graves problemas para o convívio familiar, o excesso dele também pode ser prejudicial.

Se você faz parte do primeiro e maior grupo, aquele que lida com a escassez, imagino que lidar com o problema inverso seja seu sonho. Ora, quem nunca sonhou em como gastar um prêmio da loteria que atire a primeira pedra.

Brincadeiras à parte, os transtornos gerados pelo excesso são tão ou mais graves que aqueles enfrentados por quem mal paga as contas no fim do mês.

Independentemente se você tem mais do que pode gastar ou menos do que necessita para ter uma vida digna, em uma sociedade que respira capitalismo o dinheiro pode causar vários problemas no cerne familiar. Para evitar que isso aconteça, precisamos aprender a conviver de maneira sadia com ele, quer seja na fartura, quer seja na escassez.

Conquistar a independência financeira é o objetivo de dez entre dez pessoas. O problema nessa verdade incontestável é que as pessoas não estão preparadas para usufruir dessa nova condição financeira depois que enriquecem.

É fácil pensar aprender a lidar com o dinheiro é uma habilidade dispensável quando ainda se está longe do objetivo – ficar rico –, mas à medida que ele se aproxima, precisamos considerar as implicações que isso pode ter para nós mesmos e, principalmente, para a família.

Dinheiro é poder! E, como tal, é preciso fazer bom uso para que ele atue para a construção de uma família mais unida. Infelizmente, na maioria das vezes, o que ocorre é justamente o contrário!

Um dos dilemas mais corriqueiros vivenciados por famílias abastadas é a falta de tempo e de diálogo entre as pessoas. Pais tentam suprir sua ausência frequente, sempre relacionada a longas jornadas de trabalho, dando presentes caros para os filhos e um cartão de crédito (de preferência sem limite) para as esposas.

Não raro, filhos tentam chamar a atenção dos pais com atos de rebeldia; percebendo que a estratégia não funciona, eles apelam para o bolso. Assim, gastam mais do que o combinado para o mês, extrapolando no cartão de crédito e na conta telefônica. A mãe, pobre coitada, é “obrigada” a ir ao shopping para “aliviar o estresse”.

E, assim, em um cenário de muitos gastos e pouco diálogo se constrói uma família fadada ao fracasso financeiro (e afetivo).

O dinheiro, quer seja pela falta ou pelo excesso, deve ser sempre prioridade! Não pelo dinheiro em si, óbvio, mas pelo que deixamos pelo caminho em prol dele e pelo que ele será capaz de trazer/oferecer se for bem administrado.

Sendo assim, a única coisa que pode verdadeiramente manter uma família unida é o diálogo. Problemas existem tanto nas famílias mais pobres, quanto nas mais abastadas.

Uma família rica, na essência da palavra, é aquela que conversa sobre seus problemas e consegue superar as dificuldades, sempre mantendo o que é essencial no núcleo familiar para que este se fortaleça com os percalços da vida.

Infelizmente, a maioria das famílias tem se preocupado tanto com aspectos financeiros na sua convivência, que acaba esquecendo o real motivo da sua existência. Deixo o convite: que tal viver momentos com mais foco na família e menos no dinheiro? Ah, claro, se possível, mais família e mais dinheiro!

Foto “Happy family”, Shutterstock.

Samuel Magalhães
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