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Fannie Mae e Freddie Mac – O que você precisa saber?

por Conrado Navarro
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Fannie Mae e Freddie MacSilas comenta: “Navarro, de uma semana para cá estamos vivenciando uma deterioração global dos mercados e o noticiário passou a se pautar em novidades como a ‘estatização’ das empresas do setor de crédito imobiliário norte-americano, Fannie Mae e Freddie Mac. Ai pegou. O que isso significa na prática? Esta mudança lá em cima afeta de que maneira a economia mundial e a crise? Há algo que nós, brasileiros, devemos saber sobre as empresas de hipoteca e suas recentes mudanças? Estou interesado. Obrigado”.

A crise persiste, é verdade. Com ela, mais e mais dúvidas seguem surgindo e pipocando na mente de muitos brasileiros, o que é ótimo! O interesse pelos assuntos econômicos deveria pautar a vida de todo investidor[bb], mas isso já foi assunto de um outro artigo. O fato é que os problemas econômicos vindos de fora começam a dar seus sustos por aqui.

Fannie Mae e Freddie Mac
Não faz muito tempo, um amigo me disse que os nomes das maiores empresas de crédito imobiliário dos EUA pareciam nomes de artistas, cantores de Rap. Pois é, mas, infelizmente, sua influência é muito mais séria e crítica que a de celebridades badaladas. Vamos entender neste artigo o que são estas duas empresas e o que significam os recentes acontecimentos à sua volta.

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A Fannie Mae, na verdade um apelido da FNMA (Federal National Mortgage Association, ou associação federal de hipoteca), criada em 1938, é a maior empresa do ramo nos EUA. Em 2007, seu faturamento chegou a US$ 43,71 bilhões. A Freddie Mac, apelido da FHLMC (Federal Home Loan Mortgage Corporation, ou corporação federal de hipoteca residencial), é mais nova (existe desde 1970) e um pouco menor que a Fannie Mae (faturou US$ 42,91 bilhões no ano passado).

O que fazem estas empresas?
Ambas vivem do mercado secundário de hipotecas. Deixando o economês de lado, elas revendem os empréstimos imobiliários feitos pelos bancos, em forma de títulos, repassando o dinheiro às instituições financeiras de forma que estas possam emprestá-los aos mutuários. Em suma, isso realimenta o mercado de financiamento da casa própria. Para se ter uma idéia do tamanho delas, somadas elas comandam 68% do mercado, o que equivale a US$ 5,3 trilhões em garantias ou empréstimos.

O que aconteceu?
As empresas adquiriram muitos ativos podres, baseando-se em empréstimos imobiliários de risco (subprime) e com chances mais altas de inadimplência. A economia arrefeceu, o mercado imobiliário derreteu, a inadimplência subiu para o seu nível mais alto em 39 anos (quase 10%) e seus títulos micaram. A saúde financeira das empresas ficou seriamente afetada e suas ações despencaram – Fannie Mae teve queda de 88% em um ano e Freddie Mac de 91%.

Neste domingo, o jornal The New York Times publicou uma reportagem afirmando que as empresas ainda maquiaram seus balanços a fim de mostrar aos seus acionistas que o valor das reservas para cobrir a inadimplência era maior que o montante real. Segundo analistas internacionais, o problema com a contabilidade[bb] foi o estopim para a ação do governo americano, que decidiu por uma intervenção federal.

As gigantes agora são empresas estatais?
Não é o que o governo americano diz, mas a prática mostra que sim. Com o aporte de US$ 100 bilhões em cada empresa (total de US$ 200 bi), o governo americano agora possui cerca de 80% das ações preferenciais de ambas as companhias, sendo, portanto, o novo dono. A ação foi preventiva, segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson:

“Um fracasso de uma das duas poderia causar grande desarranjo nos nossos mercados financeiros e no mundo todo”

O edição de ontem do jornal Folha de S. Paulo traz um resumo das ações cruciais contidas no plano de intervenção, apresentadas pelo governo:

  1. As empresas estão sob o controle de dois interventores federais;
  2. Os executivos Richard Syron, da Freddie Mac e Daniel Mudd, da Fannie Mae, foram afastados;
  3. As empresas funcionam normalmente a partir de hoje;
  4. O pagamento de dividendos está suspenso (economia de mais de US$ 2 bilhões por ano para as empresas);
  5. O secretário do Tesouro promete remodelar o sistema de títulos do setor imobiliário.

Como tudo isso afeta o mercado e nossas vidas?
O socorro dado pelo governo americano é visto como importante e relevante pelos investidores internacionais, já que dá segurança ao mercado de hipotecas, um dos pilares da crise. O caso injeta ânimo na economia, mas está longe de resolver os problemas. Os fundamentos macroeconômicos dos EUA se deterioraram bastante, o que ainda deve deixar o mercado tenso e as bolsas de valores[bb] ao redor do mundo muito voláteis.

Fannie Mae e Freddie Mac podem ser apenas nomes de celebridades do Rap para nós brasileiros, mas entender seu papel na maior economia do planeta ajuda a fortalecer o compromisso que firmamos com nosso futuro financeiro. Certo? Espero que o artigo tenha sido útil e esclarecedor. Até a próxima.

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Crédito da foto para stock.xchng.

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