Favelas começam a receber bancos e lojas de varejoAlguns são categóricos ao afirmar que o Brasil passa por uma nova ordem econômica. Pois os bancos e financeiras, além de muitas empresas dos mais diversos setores, começaram a descobrir um grande filão nas chamadas classes D e E. Uma prova disso é que um dos maiores bancos brasileiros acaba de anunciar a abertura de sua primeira agência dentro de uma favela, em São Paulo.

Essa notícia é significativa sobre dois aspectos:

  1. Fica claro que as empresas começam a enxergar alternativas atraentes para negócios também nessas comunidades. Em outra comunidade de São Paulo, uma grande loja de comércio varejista já tem lá uma de suas lojas, vendendo dinheiro[bb] disfarçado de produtos;
  2. Essas mesmas empresas percebem que os brasileiros de baixa renda costumam ser bons pagadores – e, desta forma, ótimos clientes. A lógica é simples: para não ter seu nome incluído nos cadastros negativos, tais pessoas honram seus compromissos a fim de poder contar sempre com o crédito. Diferente dos mais ricos que, muitas vezes, compram um bem caro e dão o calote.

Olhando sob a ótica do educador financeiro, acho fundamental que as pessoas tenham acesso a empresas e, em última análise, ao crédito. Entretanto, é importante que esse crédito seja acompanhado de informação e conscientização. Não basta oferecer sonhos a altas custas, quando muitas vezes o que a população precisa é de um pouco de suporte para apenas conseguir colocar sua vida nos eixos.

Acredito que existe sim um potencial importante nesse novo tipo de consumidor oriundo das classes mais pobres, mas me questiono se essa iniciativa não acabará levando as pessoas em direção a um novo patamar de endividamento, ou mesmo à compra de produtos financeiros ruins para o cidadão, como títulos de capitalização, por exemplo.

A tendência é que esse tipo de iniciativa se multiplique à medida que os resultados positivos comecem a surgir. Espero e torço, de coração, para que dê certo. E dar certo significa oferecer mais dignidade e oportunidade ao brasileiro, lucrando e podendo crescer como empresa. Fica a sugestão para os que pretendem investir neste sentido: que tal adotar um projeto de educação financeira e levá-lo para essas comunidades?

As pessoas precisam de dinheiro, é claro, mas precisam aprender a usá-lo com sabedoria[bb] e planejamento. Inteligência financeira, bom senso e informação podem fazer muita diferença – e é essa nossa filosofia por aqui.

Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira
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