Atletas. Ricos. Felizes. Realizados. Perfeitos como pais. Incríveis como filhos. Humildes. Altruístas. Engajados. VIRTUAIS.

Deu uma volta no lago da cidade? Foto pro Insta. Foi comer em um restaurante diferente? Insta. Está vendo um show? Assiste pela tela do celular enquanto filma para postar no Facebook. Exemplos ridículos, mas comuns (e apenas a ponta do iceberg).

Exposição. Entre sermos felizes de fato e parecermos mais felizes que nossos pares (amigos, parentes e gente que invejamos), optamos pela segunda opção porque isso causa um impacto público maior, embora ele seja temporário, mentiroso e, ultimamente, virtual.

Em outras palavras, abrimos mão de viver as experiências (registrando e mantendo todos os detalhes entre nós e nossa família) para nos transformarmos em buscadores de likes, como se esse fosse o indicador principal do quanto aquela experiência foi realmente valiosa.

O perigo por trás da busca pela popularidade

O perigo desta jornada em busca de popularidade, fama e influência (principalmente digital) a qualquer custo é que nos afastamos de nossas prioridades e daquilo que realmente faz sentido, alimentando sintomas crônicos de ansiedade, depressão, baixa autoestima e confusão de valores.

O ponto central talvez seja mais complexo: é como se a felicidade fosse um estado obrigatório, agora necessariamente público e espalhado de forma absurda para não deixar dúvidas. Algo como “Se você não compartilha seus melhores momentos, não merece saber dos meus”.

A dura realidade que chegamos

A realidade, no entanto, é muitas vezes contrária: ninguém é tão feliz como aparenta em suas redes sociais simplesmente porque isso é humanamente impossível. E isso é bom. Em vez de aceitar isso e focar nas prioridades, ficamos entre a angústia de não participar da “festa de likes” e a inveja por nunca sermos tão felizes quanto os demais.

O resultado tem sido, até aqui, catastrófico em termos emocionais e produtivos:

  • Profissionais cada vez mais ansiosos, apressados e com pouco comprometimento;
  • Pessoas cada vez menos dispostas a se relacionar de forma não pública, sem os efeitos da exposição nas redes sociais;
  • Pais com cada vez menos tempo e paciência para educar seguindo valores, preferindo as cartilhas e o entretenimento como forma de fazer passar o tempo;
  • Consultórios cada vez mais lotados, com quadros agudos de depressão e/ou ansiedade amparados por um ampla oferta de remédios e medicações criadas como resposta à demanda (ou quem sabe até mesmo como parte do problema);
  • Falta de foco, interesse ou até mesmo desprezo diante de atividades antes consideradas simples, prazerosas e divertidas, como ler, cozinhar ou sair para uma caminhada;
  • Dificuldades financeiras, muitas delas graves e com consequências duradouras, oriundas da ausência de prioridades e da necessidade de consumir como estratégia de pertencimento e felicidade.

Conclusão

Pode parecer um diagnóstico pessimista e exagerado, e reconheço que generalizar é perigoso. Não quero que pareça que sou alguém que torce pela infelicidade dos outros, nem que minhas palavras soem como uma espécie de “alerta ranzinza” de quem não quer “passar de fase” e viver a realidade atual da superexposição.

Não. Eu apenas acho que se precisamos mostrar a todo instante o quanto somos “mais felizes” que os outros, então estamos falando de outra coisa, mas não de felicidade. Talvez de ego, insegurança, ausência de prioridades, desejos reprimidos, tudo camuflado pela barreira de likes.

De novo, perdoe-me se minha visão parece dura demais. Ou superficial demais, afinal pode ser que eu só tenha dado peso para um dos aspectos dessa realidade hiperconectada (e pensar que eu vivo disso e estou nesse meio, hein).

Deixe-me ver como resumir tudo sem parecer um idiota: eu não quero um mundo mais offline ou sem as redes sociais, nada disso, apenas gostaria de olhar para o conteúdo publicado e enxergar mais as pessoas e seus atributos reais, e não tantas máscaras.

Fica aqui o convite para juntos refletirmos.

Até mais!

Conrado Navarro
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