Com a série “Estamos Tentando Ficar Ricos do Jeito Errado”, venho falando que o foco no controle financeiro deve ser outro; que devemos buscar redução de despesas em vez de apenas aumento dos ganhos nos investimentos; enfim, que estamos no caminho errado. Acontece que muita gente não entendeu o que eu quis dizer.

Neste novo artigo da série, vou esclarecer algumas coisas. Em momento algum sugeri que não se deva investir. O que eu defendo é que investir enquanto se tem dívidas que te cobram juros superiores aos que você obtém no investimento é um contrassenso.

É mais ou menos o mesmo que você comprar uma coisa por 10 para revender por 5: prejuízo garantido, sem seu dinheiro de volta. Se não entendeu a analogia, vou tentar ser mais claro: ao assumir um empréstimo você contrai uma dívida e paga alguma coisa por ela. Ao investir, você tem a expectativa de receber alguma coisa por isto.

Como os juros cobrados no Brasil são, via de regra, maiores que os pagos ao investidor, para o mesmo valor você paga mais pelo empréstimo do que recebe pelo investimento. Se ainda não entendeu, sugiro que releia as 3 partes da série “Estamos Tentando Ficar Ricos do Jeito Errado” (vá ao final do texto para ver os links):

Se você paga mais do que recebe, não é bom negócio, concorda? Neste caso, é preferível desaplicar o dinheiro e quitar a dívida, preferencialmente com deságio (sim, isso é possível!).

Outro mal entendido que acabei alimentando refere-se ao corte de custos. A menos que você esteja com uma dívida fora de controle (neste caso, pelo menos tenha a convicção de que não está sozinho, tem muita gente contigo), não é necessário “cortar na carne”. Basta cortar alguns supérfluos, não todos.

E você pode conseguir desfrutar a vida, desde que com mais equilíbrio. Devemos sempre buscar o “superávit” (a imprensa adora este termo), ou seja, ganhar mais do que gastamos. E, ao se calcular os gastos, as dívidas devem ser computadas como compromissos já assumidos e que devem ser pagos religiosamente.

Por fim, em momento algum estou sugerindo que a pessoa se torne um “mão de vaca”, ou sovina como estilo de vida. Nada disso! Não é para cortar o cafezinho a menos que você não faça questão do seu cafezinho. Mesmo porque, sem os prazeres, será que a vida vale a pena? Beba seu cafezinho, com moderação.

Recapitulando:

  1. Pagar juros maiores que aqueles recebidos com os investimentos é desperdiçar dinheiro;
  2. Se sua dívida é altíssima e está fora de controle (aumenta mês a mês e sem perspectiva de mudança), uma mudança drástica se faz necessária. Fora isso, a palavra-chave deve ser equilíbrio;
  3. Não se trata de virar um “pão duro”, mas de ter qualidade de vida, sempre respeitando as prioridades e consumindo com moderação.

Espero que tenha conseguido esclarecer agora estas dúvidas remanescentes. Você concorda com estas visões? Entenda melhor minha opinião lendo os primeiros artigos da série:

Obrigado e até a próxima.

Foto “Holding a rising arrow”, Shutterstock.

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