post-daniel-postNo meu último artigo, em que falei sobre ficar rico do jeito errado, argumentei que o brasileiro direciona mal o pouco tempo que gasta com suas finanças, dando mais importância à análise dos investimentos enquanto deveria prestar mais atenção ao gerenciamento de suas dívidas.

Usando dados do Banco Central e algumas aproximações, sugeri que os milhões e milhões de brasileiros que possuem financiamentos de maior valor (imobiliário e de veículos) têm patrimônio financeiro líquido negativo, pois suas aplicações financeiras em média tem valor inferior a suas dívidas.

Por isto conclui que, pelo menos para este grupo, a melhor maneira de começar a ficar rico é gerenciar melhor suas dívidas, ou seja, pesquisar e comparar com o objetivo de conseguir o menor custo financeiro possível.

Como terminei o artigo perguntando se alguém tinha uma boa explicação para o que chamei de foco excessivo nas aplicações financeiras, algumas pessoas me responderam dizendo que gostaram da análise e que achavam o argumento válido, mas apenas para este grupo de pessoas que tem dívidas maiores.

Isto me motivou a pensar no caso dos demais endividados, como por exemplo o João, que deve R$ 4.000,00 no cartão de crédito, a Maria, que deve R$ 8.000,00 no crédito pessoal, e a Olga, que deve R$ 6.000,00 no cheque especial.

Mais uma vez, com base nas taxas de juros do Banco Central (Bacen), complementadas pelas do banco no qual sou correntista (para o cartão de crédito, já que o Bacen não disponibiliza tais dados), fiz a tabela abaixo, com um objetivo apenas: calcular o quanto os três cidadãos acima teriam que ter de aplicações financeiras para compensar os juros devidos nas dívidas.

Vejam vocês que mesmo nestes 3 casos, com dívidas bem menores e mais comuns, seria necessário que todos eles tivessem entre R$ 70.000,00 e R$ 80.000,00 aplicados para gerar o mesmo valor em juros que lhe são cobrados em suas dívidas.

tabela-post

 

 

Pensando no cidadão comum brasileiro hoje, pergunto: quantos tem mais de R$ 70.000,00 em aplicações financeiras? Segundo dados do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), muito poucos.

Poderíamos ir ainda um pouco mais longe e imaginar que provavelmente estes milhões de pessoas que se encontram endividados com cartão, cheque especial e crédito pessoal, provavelmente possuem menos reservas financeiras ainda. Se é que possuem alguma.

Ou seja, se eles não tem mais de R$ 70.000,00 em aplicações financeiras, então estão pagando mais juros do que recebem, valendo para eles também a crítica que fiz no artigo anterior (se você ainda não leu, clique aqui).

Em resumo, agradeço àqueles que questionaram meu artigo anterior, pois ao me fazerem pensar nos demais casos, reforçaram a minha percepção de que estamos mesmo tentando ficar ricos da forma errada. Conclui que é mesmo com a boa gestão das suas dívidas que o brasileiro comum deveria estar preocupado.

Por isso, pergunto: você já pesquisou se a dívida que tem é a melhor que poderia ter? Já comparou taxas? É bom pensar nisso… Até a próxima.

Foto Shutterstock, Rich businessman get dollar money from a gain

Avatar
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários