Pode ser por causa da crise, mas pode ser que não. O fato é que quando o desemprego bate na sua porta, o susto costuma ser grande.

Eu lembro muito bem quando aconteceu comigo. Foram 16 anos consecutivos trabalhando como empregado no setor das telecomunicações. Mudei de emprego algumas vezes, mas por vontade própria. Em 2013 foi a minha vez: experimentei a tal demissão e suas desagradáveis sensações.

No momento inicial ocorre uma mistura de tensão e alívio, mas depois a “ficha” vai caindo e algumas preocupações vão surgindo. Foram seis meses até conseguir me recolocar. Neste período, muitas coisas passaram pela minha mente, principalmente relacionadas a algum tipo de negócio próprio.

É difícil a gente conseguir abrir a cabeça, pensar “fora da caixa”, depois de tantos anos “viciados” no modelo tradicional de emprego das grandes corporações. Falta coragem, falta criatividade, falta experiência, falta dinheiro.

Na escola a gente não aprende a desenvolver algumas coisas importantes, como a mentalidade empreendedora, a administração das finanças pessoais, o marketing pessoal e nossas habilidades em vendas, todas tão importantes quando o assunto é gerar dinheiro por conta própria.

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Para a nossa sorte, muitos serviços colaborativos estão surgindo, criando pontes entre problemas e soluções, mas utilizando pessoas comuns como seus agentes, ao invés de empresas. Esses modelos estão causando grande ruptura nos negócios tradicionais, e estão criando muitas oportunidades de trabalho (não de emprego).

Creio que em um futuro não muito distante, o emprego como conhecemos tende a desaparecer. Em seu lugar surgirão modelos de trabalho mais flexíveis, com relações trabalhistas mais justas ou contratos independentes, onde os colaboradores serão remunerados por seus resultados, mas com liberdade para utilizarem sistemas e ferramentas para cumprirem seus objetivos.

Pense na forma como você trabalha hoje. Coloque-se na posição do dono do negócio e imagine se você ficaria plenamente satisfeito tendo você mesmo como empregado:

  • Você é responsável?
  • Gerencia bem o seu tempo de trabalho?
  • Utiliza os recursos da empresa com responsabilidade?
  • Procura atender os clientes com excelência?

Quando experimentamos o trabalho em vez do emprego, todas estas questões passam a ser de grande relevância, pois afetam diretamente os seus resultados financeiros, elevando você a um grau muito superior de responsabilidade com suas atitudes.

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Se você ainda tem um emprego, aja como um empreendedor mesmo sendo funcionário. Isso irá prepara-lo, dia após dia, para o momento em que você terá que realmente cuidar dos seus próprios negócios, seja por vontade própria ou pela pressão de uma demissão. Espero que seja pela primeira opção!

Termino compartilhando um vídeo que gravei com o Ricardo Pereira, co-fundador do Dinheirama, em que conto um breve caso de uma pessoa que perdeu o emprego, mas que continuou trabalhando normalmente. Assista:

 

 

Hoje eu não tenho mais um emprego, mas tenho muitos trabalhos. Abri minha própria empresa e estou aprendendo a ter um faro mais aguçado em relação aos negócios e, principalmente, a cultivar aquele que considero o ponto mais importante neste processo: os bons relacionamentos com as pessoas certas.

Todo este caminho não é fácil, mas é extremamente gratificante estar no controle, dirigindo minha própria vida e família, sem trair os meus valores e princípios por causa de um emprego. Um grande abraço e até a próxima!

Foto “Tired of waiting”, Shutterstock.

Giovanni Coutinho
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