Tem crescido o número de empresários com dificuldade em manter os compromissos financeiros em dia. Muitos que estão em situação de inadimplência podem ter cometido erros como misturar as finanças pessoais com o caixa do negócio. O procedimento é comum entre micro e pequenos empresários.

Quando o empresário não separa a conta física da jurídica, ele perde o controle financeiro do negócio. Não sabe o quanto tem para pagar fornecedores, funcionários e demais despesas ou quanto poderia reinvestir no negócio. Além disso, não consegue fazer a leitura correta de custos e receitas, o que pode levá-lo a determinar um preço de venda fora da realidade.

Márcio Iavelberg, sócio da consultoria Blue Numbers, explica que, na maioria das vezes, a administração de uma pequena empresa é feita de maneira muito amadora.

“Isso significa que a empresa/equipe gera poucas informações estratégicas para os seus sócios tomarem boas e rápidas decisões. O empresário acaba administrando a empresa pelo caixa. Se tem ou não dinheiro no banco. E não por DRE (Demonstração do Resultado do Exercício), análise de estoque, planejamento orçamentário, planejamento estratégico. Em resumo, faltam ferramentas de análise”, afirma Márcio.

De acordo com o especialista, o maior perigo de se misturar as finanças pessoais com as da empresa é não saber o resultado exato que o negócio gera. “Nesses casos, o empresário pode estar tomando mais recursos do que a própria empresa comporta”, diz.

O ideal seria deixar estabelecido um valor mensal apropriado, que o empresário pode retirar e, uma vez por mês, transferir esse valor da empresa para a conta pessoal do sócio. “E o sócio deve pagar as suas contas através de sua conta pessoal. Fazendo isso, já se consegue enxergar o real tamanho dos gastos da empresa e de seus sócios”, recomenda.

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Abaixo, confira algumas dicas de Vinicius Roveda, fundador do sistema de gestão para pequenas empresas ContaAzul, que podem te ajudar a controlar adequadamente suas finanças pessoais e empresariais.

1. Faça um diagnóstico financeiro

O primeiro passo para sua organização financeira é saber qual o lucro real do seu negócio por mês e quanto você gasta com despesas pessoais. Para isso, a dica é construir duas tabelas, individualizando em uma os gastos da empresa e na outra os seus gastos pessoais. Não se esqueça de incluir todas as despesas, desde a escola dos filhos aos honorários do contador de sua empresa.

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2. Defina suas retiradas

O lucro da empresa não pode ser confundido com o seu lucro enquanto empresário. Ele tem várias finalidades, como realizar investimentos, reservar capital de giro e efetuar o pagamento de todos os funcionários.

O seu salário, também chamado de pró-labore, deve ser justo e adequado a realidade de seu negócio. Dessa forma, você deve fixar um salário com base na situação financeira de sua empresa. É preciso estipular um valor que pode pagar sem comprometer as demais obrigações da companhia.

3. Tenha contas bancárias distintas

O ideal é ter contas correntes separadas, uma para você e outra para a sua empresa. Ainda que alguns empresários consigam administrar as finanças com apenas uma, com contas separadas fica mais fácil ter uma boa organização financeira.

Assim, poderá controlar melhor os lançamentos nos extratos, os pagamentos recebidos e os gastos realizados. Outra vantagem é a facilidade para você comprovar o seu faturamento, o que torna mais simples fazer a declaração de Imposto de Renda.

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4. Adote planos corporativos

Utilizando a pessoa jurídica da empresa é possível contratar serviços essenciais para o seu negócio com planos muito mais baratos que os disponíveis para pessoas físicas. Há planos corporativos para celular, telefone, internet e até mesmo linhas diferenciadas de crédito para pessoa jurídica. Além disso, você deve conhecer bem os serviços oferecidos pelo seu banco, para aproveitar os melhores benefícios.

5. Busque ajuda

Se você não se sente seguro para fazer um controle das finanças sozinho, contrate um funcionário de confiança para isso ou invista em tecnologia. Há algumas opções de software de gestão de fluxo de caixa e também de aplicativos que possibilitam um controle eficaz dos gastos. Outra saída é buscar cursos de finanças e fluxo de caixa.

Foto “Business finance”, Shutterstock.

Isabella Abreu
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