Frágil Desempenho ExternoExceto por nosso volume de reservas internacionais que beiram a casa de US$ 378 bilhões, nossas contas externas encerraram o trimestre de forma quase melancólica. Mesmo as reservas já estão patinando nesse entorno por muito tempo, em que pese as compras de moedas recentes. Bom é que não tivemos contrapartida no crescimento da dívida pública federal que no mês de março encolheu 0,57%, se situando em R$ 1,94 trilhão.

Olhando especificamente para as contas externas, o Banco Central anunciou recentemente que o déficit em conta corrente de março foi de US$ 6,87 bilhões, financiado em parte pelo ingresso de investimentos externos diretos (IED) no montante de US$ 5,74 bilhões. Porém, se considerarmos essas mesmas contas para o trimestre, o déficit em conta corrente estaria em US$ 24,9 bilhões, enquanto o IED seria de somente US$ 13,2 bilhões, cobrindo 53,01% desse valor.

Considerado os últimos 12 meses a situação ainda é relativamente tranquila. O déficit em conta corrente ascende a US$ 67 bilhões, enquanto o IED monta a US$ 63,6 bilhões. Ocorre que não faz muito tempo o déficit era integralmente coberto pelo ingresso de investimentos e, a julgar pelo comportamento desse início de ano, o diferencial em 12 meses tende a piorar. O saldo do balanço de pagamentos ainda é positivo (superávit) em US$ 3,31 bilhões e o déficit em conta corrente atinge 2,93% do PIB. Na projeção do próprio governo o déficit de abril deve ser de 6,5 bilhões.

Mais para o final da semana o Ministério da Indústria e Comércio (MDIC) vai divulgar o saldo comercial do mês de abril  (02/05). Porém se levarmos em consideração o movimento até a terceira semana do mês, o situação também parece crítica para esse item.  Nas três primeiras semanas de abril, nossa balança comercial registra déficit de US$ 1,33 bilhão, elevando o déficit do ano para US$ 6,5 bilhões. Segundo informado, foram lançadas importações atrasadas da Petrobras que agravaram o déficit. Todavia, isso está se tornando fator recorrente já que a própria Petrobras anunciou que contratou sete novas cargas de GNL (gás natural) no mês de abril.

No final do ano passado e início desse ano de 2013, muitos economistas trabalhavam com superávit comercial para o ano semelhante ao apresentado em 2012 de US$ 18,5 bilhões (já defasado de importações da Petrobras). Ocorre que o próprio Banco Central reduziu suas expectativas de superávit de US$ 17 bilhões para US$ 15 bilhões. Isso posto e considerando o saldo  negativo até aqui apresentado e possíveis recorrências, mesmo essa projeção do Bacen já pode estar defasada. Já há quem estime algo ao redor de somente US$ 11 bilhões.

O problema não está somente nos dados frios, mas também na estratégia. A Argentina vem seguidamente dificultando nossas exportações para o país, principalmente a de bens duráveis da linha branca e outras e ferindo as normas do Mercosul. Isso suscitou mesmo o encontro recente de presidente Dilma com Cristina Kirchner para resolverem pendências, já que a Argentina é importante para nossas exportações. Enquanto o Brasil perde tempo com os membros do Mercosul e outros países de segunda linha, o mundo caminha. Os EUA desenvolvem acordos bilaterais com o Atlântico e Pacífico e outros países vão na mesma direção. A constatação é que estamos perdendo tempo precioso e dependendo talento com quase nada.

Assim como precisamos mudar nossa política econômica interna para investimentos em infraestrutura, seria absolutamente fundamental mudar nossa política externa de atração de recursos para investimentos  e nosso fluxo comercial que continua a ser irrelevante em termos transnacionais, representando muito pouco no comércio global, notadamente para um país de dimensões continentais e celeiro de matérias primas.

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Alvaro Bandeira
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