Quem não quer ficar rico? Atingir o primeiro milhão, depois o segundo, o terceiro para parar de se preocupar com dinheiro e comprar tudo o que sempre desejou. Quem não quer isso? Eu, você e a torcida do Flamengo…

Infelizmente (ou felizmente), independência financeira não tem a ver apenas com isso. Quisera eu que fosse simples assim. Aliás, eu já entrei em diversas polêmicas sobre o conceito pessoal de riqueza e isso não me preocupa – eu sempre digo que é possível ser rico sem pensar só em dinheiro.

A explicação é simples: enquanto uns pensam no que fazer para gastar seu rico e suado dinheiro, outros veem nele a possibilidade de serem verdadeiramente livres. Para mim, ser rico é ter tempo para ser você, sem culpa pelo que abdica para que essa realidade se apresente.

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Você trabalha para viver? Ou será que vive para trabalhar?

As perguntas do subtítulo parecem diferentes? Não são. O que você faria se recebesse hoje, agora, R$ 500 mil? O padrão de vida que você leva diz muito sobre suas atitudes financeiras.

É a partir dessas ações que construímos, ou não, nossa independência financeira. Ser livre não tem relação com quantos “isso” ou “aquilo” você pode comprar. Só é rico quem é capaz de viver um padrão de vida sustentável, hoje, amanhã e depois. Para sempre.

Mas como manter um padrão de vida coerente em uma sociedade que se mede pela intenção de pertencimento e ostentação? Se você prefere uma reflexão mais amena e direta: como equilibrar desejos, necessidades, manias e exageros nos dias de hoje?

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Disciplina. Organização. Controle.

Falando assim parece uma chatice. As palavras são fortes, carregam um sentido de restrição, mas tudo não passa de uma visão simplista e leiga sobre o que elas realmente representam no dia a dia de alguém bem-sucedido.

Só entende o poder de transformação dessas palavras quem tem objetivos de vida capazes de despertar-lhes amor, motivação e senso familiar.

O que faz alguém que não sabe onde quer chegar e prefere manter-se no piloto automático? Ora, desdenha de quem tem metas, se endivida e mente, para si e para a família.

Estou certo de que você conhece as principais desculpas para não começar a cuidar melhor dos detalhes financeiros da família. Dizem que:

  • “É difícil, complicado”. Gastar é muito mais fácil, confiar na contabilidade mental também;
  • “Dá trabalho”. Anotar, somar, analisar, rever hábitos, fazer provisões, deixar de consumir, tudo isso cansa;
  • “Não dá tempo”. A correria do dia a dia é muito grande, hoje se trabalha demais e o pouco tempo que sobra tem que ser usado no bem-estar familiar.

Quanta justificativa furada, não? A vítima vive um pesadelo e implica com quem vive um sonho. Por que ser assim? Defesa? Egoísmo? Não seria melhor assumir a responsabilidade e decidir mudar?

Ah, chegamos em um ponto essencial da história da maioria (e da mediocridade): desistir de mudar é muito mais fácil do que decidir mudar, infelizmente. A lista de desculpas esfarrapadas poderia ser muito mais longa, e você sabe disso.

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A verdade é clara

Quem se comporta como vítima, foca sua atenção nos problemas e dificuldades e pensa de forma negativa sobre seu próprio potencial de transformação. Vê no sucesso dos outros a razão de seu fracasso. A vítima sente culpa e inveja em excesso, ainda que não admita.

A essa altura parece que ser sovina é sinônimo de felicidade. Não é bem assim. Frugal é a palavra que define o estilo de vida sustentável que defendo. Experimente buscar essa palavra no dicionário: moderado, sóbrio.

Frugalidade significa viver com coerência, mantendo objetivos como motores motivacionais, respeitando e revendo prioridades constantemente. O sovina vive só para economizar, se privando. São dois cenários bem diferentes.

  • O sovina compra o mais barato; o frugal faz uma análise de custo/benefício.
  • O sovina compra estritamente o necessário; o frugal satisfaz seus desejos, mas de forma a respeitar seus objetivos.
  • O sovina avalia só preço e contesta o produto; o frugal contesta o preço de acordo com o produto.
  • O sovina pensa que é disciplinado, quando na verdade é um escravo; o frugal pauta suas decisões de acordo com suas metas e vê no dinheiro um aliado para alcançá-las.

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Disciplina. Organização. Controle.

Disciplina para respeitar o padrão de vida, as possibilidades de consumo da família e as necessidades de investimento com foco em objetivos claros. Disciplina para abrir mão dos gastos que não trazem satisfação e redirecionar essa energia para os verdadeiros momentos de felicidade. Disciplina para discutir a tomada de decisão, independente do âmbito.

Organização para manter-se em dia com seus compromissos sem se culpar pela falta de tempo. Organização para ter tempo. Organização para sempre ter tempo para as coisas que realmente importam para você (suas prioridades).

Controle para medir, avaliar sua evolução e comemorar os passos rumo ao seu sonho maior. Controle para saber exatamente o que precisa ser feito. Controle para que a falta de controle não comece como uma desculpa e termine como um trágico pesadelo.

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Conclusão

Depois de tudo que falei sobre frugalidade, dinheiro e realização, o assunto ainda parece chato? Sinto dizer que liberdade não é poder fazer tudo que quiser; isso é ser irresponsável.

Liberdade é construir patrimônio com o objetivo de ser feliz. Liberdade é estar preparado para fracassar, se levantar, fracassar de novo e continuar insistindo apesar de si mesmo, da opinião dos outros e dos obstáculos (faz parte, ora bolas).

Tudo isso porque a vida é uma sucessão de eventos aleatórios. Muita coisa fora de nossos planos acontece e seguirá acontecendo. Portanto, para aproveitar ou minimizar essas oportunidades é preciso estar preparado. E procurar ser feliz durante o processo, já que isso costuma facilitar bastante as coisas (inclusive conseguir dinheiro).

A palavra-chave do dia é frugalidade. Ou coerência. Fazer o possível, dentro de limites claros e constantemente reavaliados, mas fazer porque faz sentido, para também sentir-se realizado e completo. Experimente. Até a próxima.

Conrado Navarro
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