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Fundos listados em bolsa (ETFs) colocam o mundo no seu bolso: como investir?

Um ETF nada mais é do que um fundo de investimentos, com a diferença de que sua negociação ocorre diretamente na bolsa de valores

por André Salmeron
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Um dos grandes desafios para quem está construindo seu patrimônio é obter um bom grau de diversificação internacional, algo que costumava ser especialmente complicado no Brasil. Entretanto, os fundos de bolsa, chamados de ETF, permitem hoje que investidoras e investidores tenham acesso a uma carteira global de forma rápida, simples e barata.

Vamos por partes: um ETF nada mais é do que um fundo de investimentos, com a diferença de que sua negociação ocorre diretamente na bolsa de valores. Isso faz com que sejam acessíveis para qualquer pessoa, em qualquer corretora, diferente dos fundos tradicionais. Esses fundos irão replicar a composição, e os retornos, de um índice de mercado – no Brasil, o caso mais comum é o Ibovespa.

Embora isso possa soar pouco interessante, a grande vantagem dos ETFs é que eles reproduzem índices do mundo todo, tanto na renda fixa quanto variável. Como só visam replicar uma carteira de índice, não possuem gastos significativos com equipe ou pesquisa, fazendo com que suas taxas sejam uma fração daquelas praticadas por fundos ativos mais badalados.

O exemplo mais emblemático desse acesso facilitado a investimentos internacionais é do ETF WRLD11, que replica o FTSE Global All Cap Index via aplicações nos EUA. Em linhas gerais, esse ativo oferece hoje a maior diversificação possível, capturando cerca de 98% da capitalização global dos mercados, o que inclui as menores empresas (small caps).

Do ponto de vista operacional, basta acessar o ambiente de bolsa e procurar pelo código WRLD11, que atualmente negocia na faixa dos R$83 por cota. A taxa paga pela administração do ativo é de singelos 0,37% ao ano. Não são cobradas taxas de performance e a liquidez é de bolsa, com o dinheiro caindo após um ou dois dias úteis.

Outro grupo bastante popular de ETFs é aquele que replica o principal índice de ações dos EUA, o S&P 500. O mais tradicional é o IVVB11, negociado desde 2014 na bolsa nacional. Atualmente, cada cota sai a cerca de R$243 e a taxa de administração fica em 0,23% ao ano. Há outras opções, que replicam o mesmo índice a um custo mais baixo, que podem ser alternativas atraentes.

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Na prática, o portfólio irá se ajustar aos altos e baixos de cada mercado, de modo que os mais relevantes contem sempre com uma alocação mais alta na carteira (Imagem: Dinheirama)

Por que diversificar a carteira?

A principal razão para olhar com bastante atenção para os ETFs globais ou internacionais é que eles permitem que você acesse outros conjuntos de prêmios e reduza drasticamente o risco da sua carteira. Isso acontece porque, diferente do que as pessoas costumam imaginar, não é possível saber quais empresas, países, setores ou moedas irão obter os melhores resultados no futuro.

Diante disso, o caminho recomendado pela comunidade científica é que você tenha o máximo possível de diversificação, para que sua carteira capture o crescimento do mercado como um todo, independente do que acontecer com os investimentos locais. Isso é especialmente verdadeiro no caso de WRLD11, que captura a maior parcela possível de ações disponíveis.

É bom lembrar que, como o peso de cada uma das mais de 9 mil ações é definido pelo tamanho que ela representa no todo, você terá uma carteira que consideramos “neutra”. Isso acontece porque o peso de cada ação sobe ou desce conforme seu preço aumenta ou diminui, não importando em qual país ou moeda ela é negociada.

Na prática, o portfólio irá se ajustar aos altos e baixos de cada mercado, de modo que os mais relevantes contem sempre com uma alocação mais alta na carteira. Isso permite acompanhar, de forma passiva, a evolução do mercado global como um todo independente de como isso venha a acontecer.

Cuidados ao investir em ETFs

Embora os ETFs sejam uma excelente opção para obter diversificação internacional, isso não significa que todos eles sejam bons investimentos. A razão para isso é que existem muitas opções que irão focar em setores ou teses econômicas que não agregam para as carteiras, ou que tendem a reduzir os retornos ao mesmo tempo que aumentam os riscos.

Como reforçamos acima, o correto é buscar o máximo de diversificação possível, sem darmos maior ou menor peso a algum país ou setor sem que existam razões muito boas para isso. Esse não é o caso daquilo que costumamos chamar de ETFs temáticos, que buscam explorar temas que estão em alta, como criptomoedas, semicondutores ou carros elétricos, para citar algun exemplos.

Esse tipo de investimento incorre em alguns problemas relevantes. O primeiro deles é que, nesse caso, não há diversificação porque se trata de uma alocação num tema ou setor individual. Indo um pouco além, esses ETFs tendem a surgir depois que essas empresas tiveram ganhos substanciais, fazendo com que, na média, eles tendam a obter retornos bem menores no futuro, conforme os fundamentos dessas empresa voltam para a realidade e puxam os preços para baixo.

Como esses temas costumam estar relacionados a produtos ou serviços recentes, que carregam altas incertezas, é comum ainda que esses ETFs sejam compostos principalmente por empresas de baixa capitalização (small caps), com fortes características de crescimento, baixa lucratividade e que investem agressivamente.

Do ponto de vista dos estudos científicos na área de risco e retorno, essa é a pior composição possível de fatores. Em outras palavras, a tendência é que esse tipo de ETF produza retornos muito abaixo da média do mercado, mesmo em prazos considerados mais longos, como acima de dez anos.

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Embora o comum seja tratar o dólar como uma moeda que sempre se valoriza, estudos conduzidos pelo núcleo de research da Portfel mostram que esse não é o caso (Imagem: Marcos Santos/USP Imagens)

O dólar é uma variável complexa

Um ponto que você deve levar em conta é que sempre que você investe em ativos no exterior, irá se expor também a uma moeda estrangeira, que costuma ser o dólar dos EUA. Isso tem algumas implicações importantes, porque seu retorno não será o mesmo do ativo estrangeiro, visto que as mudanças no câmbio irão afetar esse resultado.

Embora o comum seja tratar o dólar como uma moeda que sempre se valoriza, estudos conduzidos pelo núcleo de research da Portfel mostram que esse não é o caso quando consideramos períodos de cinco, dez e quinze anos de duração. Há diversos períodos em que o retorno acumulado do dólar teria sido negativo e relevante.

Alguns casos incluem o período de 2003 a 2013 (10 anos), onde o retorno acumulado seria em torno de -33% no agregado, ou -4% ao ano, corroendo eventuais retornos obtidos com a renda variável estrangeira. O mesmo vale para aplicações entre 2003 e 2018 (15 anos), onde o retorno acumulado seria próximo de -34% ou -4,14% ao ano, uma perda igualmente relevante.

Como equilibrar alocação dentro e fora do país

Uma boa alocação de recursos irá focar em dois princípios fundamentais: respeitar sua tolerância ao risco e ajudar você a realizar seus objetivos de vida. Isso significa que a parcela que cada pessoa terá de alocar em ativos do exterior irá mudar conforme o caso, visto que tanto a renda fixa quanto variável internacionais só são indicadas para prazos mais longos.

Em linhas gerais, se você vai investir em renda variável dentro do Brasil, é interessante que possua uma proporção similar de recursos no exterior para capturar o crescimento global mesmo que as ações nacionais tenham performance ruim. Entretanto, você não deveria ter toda a sua alocação fora do país, porque como vimos, o dólar pode ser um detrator dos resultados futuros.

No que diz respeito a renda fixa internacional, que é altamente volátil pelo efeito do câmbio e quanto da natureza prefixada dos títulos, seria interessante ter uma parte relativamente pequena dos recursos totais. A ideia aqui é que, visto que esses ativos são de renda fixa, você colete o retorno do dólar mais os juros pagos, aliviando potenciais perdas da moeda e incrementaria os ganhos num cenário de alta cambial.

Embora esse processo de planejamento da alocação internacional não seja dos mais simples, ele é fundamental para que você construa a carteira mais eficiente possível para o longo prazo. Se você tem dúvida de como proceder a esse respeito, um caminho interessante é entrar em contato com a Portfel, a consultoria de investimentos do Grupo Primo.

Nossa base de consultores e consultoras recebe treinamento de ponta e formação contínua para analisar cada situação de vida, selecionar dentre os produtos autorizados pelo núcleo de research e ajudarem você a conquistar seus objetivos. Se interessou? Que tal conferir mais sobre nosso trabalho em: www.portfel.com.br

Por André Salmeron

Atua como analista e pesquisador na Portfel Consultoria. Busca escrever textos que ajudem a popularizar as ciências financeiras e integrá-las no dia-a-dia das pessoas comuns.

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