G8, G20, EUA e os reflexos da crise internacionalUfa, tivemos uma semana cheia de novidades no cenário econômico internacional. Vimos serem veiculadas noticias boas, razoáveis e outras nem tanto. Tivemos o encerramento da cúpula dos G-8 (Grupo dos sete países mais ricos do mundo mais a Rússia). Para inicio de conversa, muito se questionou a respeito da legitimidade da cúpula para discussão da crise econômica mundial. É consenso entre a maioria dos analistas internacionais que o fórum mais apropriado seria o G-20.

O que se pode apurar é que os países em desenvolvimento terão papel fundamental na retomada do crescimento mundial. As expectativas de que os EUA poderão demorar um período maior para sair da crise são grandes. O próprio presidente Obama deixa transparecer em algumas frases que os países que se acostumaram com o crescimento vendendo produtos e serviços para a potência norte-americana precisarão encontrar outros portos.

Nos últimos anos, o Brasil buscou novos parceiros comerciais: dentro de nossos resultados positivos está o bom desempenho nas transações com a China. A expectativa de crescimento do PIB chinês ronda os 8% anuais. Abaixo dos dois dígitos alcançados nos últimos tempos, mas ainda consistente. De qualquer forma, os produtos chineses já chegavam com grande competitividade ao mercado norte-americano. Agora o gigante asiático irá com grande apetite para novos mercados[bb], inclusive América Latina, onde o Brasil reina soberano.

Dessa nova realidade, acredita-se que o consumidor americano ainda se recupera do tombo, que parece ser enorme. A convalescência pode ser maior do se supunha. Essa tese é fundamentada na idéia de que os americanos vão precisar refazer a poupança até para se precaver de um futuro instável.

Sem falar na questão do desemprego, que bateu forte em diversos segmentos, desde o setor financeiro, passando pelo setor automobilístico e de bens de consumo. Outra notícia acompanhada com grande interesse por parte do mercado financeiro[bb] é a proposta legislativa divulgada ontem pelo Secretário do Tesouro Norte Americano, Timothy Geithner, dando maiores poderes à SEC (Securities and Exchange Commission), órgão similar à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Entre outras frentes, a proposta pretende oferecer à agência o poder de examinar e banir formas de compensação que estimulem intermediários financeiros a induzir investidores[bb] a comprar produtos que não estão no seu melhor interesse, além de muni-la de autoridade para limitar ou proibir arbitragens, que segundo o Tesouro podem minar os interesses dos investidores.

“O plano irá promover uma regulação mais forte e a transparência para todos os derivativos negociados em mercado de balcão, independente do ativo de referência e independente se o derivativo é padronizado ou customizado” (Timothy Geithner)

Vamos torcer para que o mercado financeiro se adéqüe às medidas e que crises geradas pela ganância exorbitante sejam evitadas de maneira mais clara, menos traumática. Mas como financistas não são Deuses, pode ser que outras variáveis influenciem outras e novas crises. Por enquanto nos preocupemos com os atuais problemas financeiros mundiais e com as possibilidades apresentadas ao nosso país. Bom final de semana.

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Ricardo Pereira
é educador financeiro e palestrante, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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Ricardo Pereira
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