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Galípolo diz ver pressão do mercado para BC acelerar cortes de juros

A Selic está atualmente em 12,25% ao ano após o BC dar partida no ciclo de afrouxamento monetário, com três cortes consecutivos de 0,50

por Reuters
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(Imagem: Reprodução/REUTERS/Amanda Perobelli)

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta quinta-feira que recentemente, diante de um cenário mais benigno, vem sentindo maior pressão do mercado para aceleração dos cortes de juros no Brasil, enfatizando a postura de cautela da autoridade monetária diante de incertezas.

Em evento organizado pelo JP Morgan, o diretor afirmou que uma possível retirada da orientação nas comunicações da autarquia de que o BC manterá o ritmo de cortes na Selic nas “próximas reuniões”, no plural, tem significados diferentes a depender do momento.

“Mais recentemente, num cenário mais positivo e benigno de devolver as taxas, o fechamento das treasuries, eu pelo menos venho sentido nas minhas interlocuções uma certa pressão maior por parte do mercado, de novo, em um sentimento de que existiria espaço para você eventualmente acelerar”, afirmou.

“Temos tentado não nos emocionar, especialmente com os dados de alta frequência, e tentar nos beneficiar de que a gente está em um ponto do ciclo que nos permite ver como isso se desenrola”, acrescentou.

A Selic está atualmente em 12,25% ao ano após o BC dar partida no ciclo de afrouxamento monetário, com três cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual na taxa e prometer manter esse ritmo à frente.

No seminário, Galípolo afirmou que o BC está bastante atento às expectativas de inflação para que haja uma reancoragem total, argumentando que o tema é desafiador.

O diretor disse que parte dos fatores que impactam as expectativas não diz respeito diretamente à atuação do BC, como questionamentos sobre a trajetória das contas públicas e viabilidade de uma meta de inflação de 3% no Brasil, destacando que esse não é um tema de discussão do BC, a quem cabe apenas perseguir esse objetivo.

“Temos compromisso com a meta de inflação, vamos seguir perseguindo a meta”, disse.

Ele argumentou que a observação de dados positivos na própria inflação corrente pode ser a melhor maneira de ancorar as expectativas para o comportamento dos preços à frente.

(Imagem: Reprodução/REUTERS/Adriano Machado)
(Imagem: Reprodução/REUTERS/Adriano Machado)

Galípolo disse ainda que a adversidade no cenário internacional pode tornar o Brasil mais atraente em função de vantagens comparativas, como o estágio da política monetária, o volume de reservas e os resultados positivos da balança comercial.

Segundo ele, o crescimento econômico do Brasil vem surpreendendo positivamente, ao mesmo tempo que inflação tem se mostrado bastante “benigna”.

“A maior adversidade do cenário internacional talvez torne o Brasil ainda mais atraente em função de vantagens comparativas que conseguimos reunir ao longo dos anos”, disse.

Ao mencionar as surpresas positivas, o diretor afirmou que mesmo com o cenário externo adverso, a cotação do petróleo e a taxa de câmbio “se comportaram muito bem”. Ele citou ainda que a agricultura deu um choque positivo significativo na atividade no Brasil, ao mesmo tempo em que ajuda no processo de redução da inflação.

Em uma analogia entre a política monetária e um tratamento médico, Galípolo fez referência ao cenário de incerteza para afirmar que “não seria muito recomendável aumentar muito a dose do remédio nem retirar a dose”.

Após o Congresso dar um prazo para que seja encontrada solução para os elevados níveis de juros do rotativo do cartão de crédito, o diretor disse que é muito difícil chegar a uma solução ótima na qual todos os agentes saiam com vantagem.

Galípolo afirmou que o BC conduz as discussões com bancos, varejistas e outros atores na busca por um acordo. Ele enfatizou que se não houver consenso sobre o tema a lei aprovada pelo Legislativo determina o que acontecerá em referência ao teto de juros para o rotativo a ser estabelecido caso não haja uma regulação.

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