Você conhece a DogHero? Pois se você ama cachorros e está pensando em uma forma de aumentar as receitas neste ano que está para começar, deveria conhecer. Trata-se de uma plataforma de economia compartilhada que conecta quem tem cães a uma comunidade de passeadores e anfitriões por todo Brasil. De acordo com a empresa, o valor médio da diária por cachorro é de R$ 50, sendo possível ganhar até R$ 8 mil com as hospedagens em períodos de alta temporada.

É claro, porém, que há uma série de regras para ser aceito na plataforma, o que é natural, afinal de contas quem tem um cãozinho de estimação muitas vezes o considera membro da família. Conversamos com Eduardo Baer, CEO e co-fundador da DogHero, para entender melhor!

A DogHero está desde quando no mercado e quantos anfitriões têm cadastrados? Existe alguma região brasileira que tem mais anfitriões?

Eduardo Baer: A DogHero foi fundada em 2014 e hoje é a maior rede colaborativa de apaixonados por cachorro, com mais de 1 milhão de animais cadastrados e mais de 20 mil cuidadores – entre eles passeadores, pet sitters e anfitriões que hospedam em casa. A região sudeste concentra a maior parte da rede de heróis da empresa – cerca de 40%

De onde surgiu a ideia da criação da DogHero?

E. B.: A DogHero foi fundada em 11 de agosto de 2014 por dois empreendedores brasileiros: eu, Eduardo Baer, e Fernando Gadotti, que fomos colegas de MBA em Stanford, nos EUA.  Eu e minha esposa sempre tivemos vontade de adotar um cachorro, mas como viajávamos com frequência, não teríamos onde deixá-lo. A única alternativa eram os hoteizinhos, que oferecem um serviço caro e impessoal, em que o cãozinho fica preso em gaiolas ou canis, sem conforto.

Ao conversar com amigos, percebi que muitos deixavam de viajar por isso. Era 2014 e, na época, eu estava terminando meu MBA e planejando a volta ao Brasil. Foi quando descobri duas empresas que ofereciam um serviço similar ao da DogHero nos Estados Unidos: Rover e DogVacay (elas juntaram suas operações em 2017.

Em 2019, a DogHero recebeu uma rodada de investimentos liderada pela Rover). Conversei com o Fernando e juntos resolvemos trazer o modelo de negócio para o Brasil, que é segundo maior mercado de pets do mundo. Atualmente, a DogHero é a maior empresa de serviços para pets da América Latina, com atuação no Brasil, na Argentina e no México.

Qual a expectativa para os próximos anos?

E. B.: A expectativa para os próximos anos é bastante otimista. Há 54,2 milhões de cachorros e 23,9 milhões de gatos no Brasil. De acordo com o Euromonitor, o mercado pet movimentou 119,5 bilhões de dólares em 2018 e o nosso país é o 2º maior representante nesse faturamento: 5.2%, o equivalente a 20,3 bilhões de reais. O segmento de petcare é responsável por 6.5% disso. Para melhor atender a este efervescente mercado, a DogHero diversificou a sua oferta de serviços e, além de hospedagem, passou a oferecer também passeios, creche e pet sitter. Este último serviço tem como público-alvo principal os gatos, animais que não costumam gostar de sair de casa.

Apesar da população de felinos ainda ser menor que a de cães no país, o número de gatos aumenta 8,1% ao ano, enquanto de cachorros 3,8%. Estima-se que em 10 anos o número de gatos ultrapasse a quantidade de cachorros. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), a verticalização dos grandes centros e a mudança no estilo de vida das pessoas são fatores que têm feito os brasileiros optarem por um animal de estimação mais independente e de fácil adaptação aos ambientes menores.

Qual o perfil de quem quer ser um anfitrião DogHero? Como vocês garantem a veracidade das informações e aprovam a entrada de alguém?

E. B.: Para ser um cuidador parceiro da DogHero, a característica mandatória é o amor por cachorros. A diversificação dos serviços – hospedagem, passeio, creche e visita – facilita que qualquer perfil, com mais de 18 anos, responsável e apaixonado por cachorros possa se tornar um herói da marca. Quem mora em uma casa preparada e dispõe de tempo para cuidar dos hóspedes tem mais chance de se tornar um anfitrião: ou seja, receber os cachorros em casa com hospedagem ou creche.

Já quem não mora em uma residência preparada para receber um cachorro pode se tornar um passeador ou um pet sitter. Tudo também depende da rotina. Afinal, hospedar cachorros em casa, passear ou atuar como pet sitter são trabalhos que exigem tempo específico, responsabilidade e carinho.

Os serviços da DogHero são confiáveis especialmente porque, além do processo de seleção extremamente cuidadoso da empresa (apenas 20% deles é aprovado, por questões de perfil e segurança), os heróis também contam com módulos de E-learning sobre comportamento canino e realizam provas para aprimorar os conhecimentos sobre os cuidados com os cães.

Além disso, existe um monitoramento de todas as experiências dos clientes que garante a qualidade do atendimento e faz com que hoje 98% dos tutores indiquem a empresa para um amigo ou conhecido.

Como funciona a garantia veterinária?

E. B.: Incidentes são raridade, mas caso o cãozinho se machuque ou sinta algum mal-estar quando está sob os cuidados de um dos cuidadores parceiros, a DogHero reembolsa despesas relacionadas à saúde, como consulta, cirurgia, internação e medicamentos. A garantia veterinária cobre qualquer tipo de incidente ou mal-estar que o hóspede possa sentir durante a estadia em até R$ 5 mil.

Como a DogHero ganha sua receita?

E. B.: Entre 20 e 25% do valor total dos serviços é direcionado a DogHero para cobrir a garantir veterinária, custos de transação e pagamento e investimentos em segurança, produto, marketing, suporte e atendimento. A porcentagem varia de acordo com o serviço prestado.

O anfitrião pode cobrar quanto quiser? Existem anfitriões que só trabalham com isso?

E. B.: Cada anfitrião tem liberdade de definir seu preço por noite e disponibilidade para receber cachorros. Há anfitriões que hospedam todos os dias, apenas no fim de semana ou só em feriados específicos. Por conta disso, o faturamento deles é variado. Mas, durante a alta temporada (de novembro a fevereiro), pode chegar a R$8 mil por mês.

Os serviços de pet sitter e creche acontecem de maneira similar ao de hospedagem: o próprio herói define o valor e os períodos de oferta. Já no serviço de passeio os passeadores ganham em média entre R$ 15 e R$ 33 por demanda. Temos casos de passeadores que ganham R$ 2 mil por mês.

Quais recomendações vocês fazem para quem está pensando em ganhar um extra sendo anfitrião de cachorros?

E. B.: Ser completamente louco por cachorro é o ponto essencial para se tornar um cuidador na DogHero. Outra recomendação é refletir se está preparado para ser responsável por um animal de outra pessoa que, muitas vezes, é considerado filho.

Por conta disso, é importante que o interessado investigue se há pontos de risco ou rotas de fuga na residência para deixar a casa super segura para os hóspedes de quatro patas. É imprescindível também estar preparado para manter a rotina de passeios, alimentação, medicação e hábitos dos pets. Tudo para tornar a estadia deles segura, divertida e inesquecível.

Janaína Gimael
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