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Gasto com educação é alto, mas mal distribuído

por Igor Oliveira
3 min leitura

educacao-imagem-postComo resumir a situação da educação no Brasil? Diante de tantos protestos e manifestações, é importante questionar a qualidade do ensino e as mudanças necessárias para torná-lo melhor. Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central, dá sua opinião: “Dinheiro para educação é importante, mas não adianta dobrar os investimentos e não melhorar a gestão dos recursos”.

Há quem diga que gastamos mais do que exigido pela constituição brasileira, que permite um investimento de no máximo 18% da receita com educação. De acordo com o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, o governo federal gastou 25% da receita com educação.

Augustin disse que o governo quer melhorar a educação e que os gastos são essenciais para melhorar as condições dos estudantes brasileiros, ele diz: “Os gastos em educação são classificados como custeio, mas têm efeito de investimento porque reduzem custos e aumentam a produtividade no médio e no longo prazo”.

Até março, os gastos de custeio com a educação estavam 18% superiores a 2012, atingindo o pico de 23,6% em maio. “Tanto a educação, que reduz custos para o país, como os programas sociais, que redistribuem renda, são responsáveis por parte significativa do custeio”, disse Augustin.

Há também em debate uma proposta para aumentar os investimentos do setor público com educação, de 5,3% do PIB (Produto Interno Bruto) para 10%. “Esse dado é um bom indicador de que o Brasil não gasta pouco com educação”, diz Samuel Pessôa, colunista da Folha e pesquisador da FGV.

Gastos sem gestão adequada

Os números são interessantes e mostram que gastamos muito com educação, mas gastamos mal. Segundo pesquisadores, as falhas na educação brasileira estão na má distribuição do dinheiro público e na gestão ineficiente dos governantes.

Um dos problemas é que os gastos com estudantes universitários é cerca de cinco vezes maior do que com alunos da educação infantil, embora a diferença tenha caído. Fica claro que mais importante que gastar mais com educação é gastar melhor e de forma mais planejada, controlada e com foco em diferentes níveis de ensino.

O pesquisador do Insper, Naercio Menezes, dá o tom da discussão: “Acho temerário dizer que mais gastos vão necessariamente melhorar a qualidade da educação no Brasil. É vender uma falsa ideia”. E completa: “A educação infantil e os primeiros anos do ensino fundamental são os que mais precisam de investimentos”.

Por onde começar a mudar?

Uma mudança feita por algumas escolas foi colocar os melhores professores para os alunos que apresentam piores desempenhos, além de pagar bônus para escolas e profissionais que conseguem os melhores resultados. É um começo.

Fontes: Correio do Estado | FOLHA. Foto de freedigitalphotos.net

 

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