Agora é que a “vaca vai tossir”. Até aqui a maior parte dos ajustes propostos pela equipe econômica se fixou em harmonizar tributos, como PIS e Cofins, e promover o retorno da CIDE em boa hora, com a queda dos preços das commodities. Do lado das despesas, apenas alguns ajustes no endurecimento do seguro desemprego, pensão por morte, abono salarial e auxílio doença.

As Medidas Provisórias (MPs) encaminhadas ao Congresso versam mais sobre alongamentos de prazos, mais rigor na concessão, mas não reduzem as conquistas sociais conferidas nos últimos tempos.

Mesmo assim, o fogo amigo petista se fez presente através das centrais sindicais e CUT (Central Única dos Trabalhadores), e ainda pela movimentação de políticos. Esses, como sempre, mais jogando para a plateia, já que sabem (ou deveriam saber) que não tem jeito: será preciso cortar na carne e buscar reduzir despesas. Ao contrário disso, volta a velha mágica de, não podendo cortar custos, optarmos pela via mais fácil: aumentar impostos.

Dessa vez o discurso se fixa em onerar os mais ricos, o tal imposto sobre grandes fortunas, sempre aventado como instrumento de marketing político, mas que nem os próprios políticos (latifundiários, industriais e etc.) desejam. Além disso, o efeito arrecadação não seria tão importante quando comparado com a evasão de recursos que ocorreria e o êxodo dos mais ricos para o exterior.

Com essa longa introdução, queremos dizer que a equipe econômica terá mesmo que promover cortes na própria carne, o que certamente atrairá a ira de ministros e políticos alterando pretensões e diluindo currais eleitorais. Joaquim Levy é um brilhante técnico ortodoxo, que possui as qualidades necessárias para produzir essa mudança de rumo da política econômica. Porém, parece mesmo um estranho no ninho no governo Dilma 2.0.

Caso Levy não consiga proceder as mudanças necessárias e no tamanho adequado, dificilmente permaneceria no governo cumprindo ordens. O que traz, no entanto, algum alento é o fato de que a presidente tem consciência da absoluta necessidade de mudanças, ainda que de forma meio envergonhada. O problema parece estar então na profundidade e rapidez exigidas.

Com isso voltamos ao mantra repetido incessantemente: a presidente precisa dar total apoio às diretrizes determinadas pela equipe econômica, sem as quais o PT dificilmente emplacaria mais um mandato presidencial e o giro do segundo mandato poderia completar 360 graus, voltando para o mesmo lugar.

Vamos “fazer figa” para que tal não aconteça, que Levy tenha vida longa no governo e consiga implantar as políticas corretas. Função disso, seguimos recomendando prudência em seus investimentos, até que a situação fique mais clara.

Sugerimos conferir as análises que eu e a consultora de investimentos fizemos sobre os mercados e os investimentos em 2014 e o que esperar para 2015. Em breve lançaremos o eBook Cenários e Investimentos para 2015 que você já pode se inscrever para baixar gratuitamente em primeira mão. Até a próxima!

Nota: Esta coluna é mantida pela Órama, que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

Foto: Giancarlo Liguori / Shutterstock.com

Alvaro Bandeira
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