O primeiro passo para a solução de qualquer problema é admitir a sua existência. Quando isto não ocorre é provável que haja um agravamento da questão, o que em se tratando de condições econômicas pode representar o fardo de um governo altamente endividado sobre os ombros das próximas gerações.

Porém, para a atual administração vale a pena “quebrar” o País em nome das políticas sociais – especialmente quando estas asseguram sucessivas vitórias eleitorais. Melhor ainda quando certos segmentos da sociedade não conseguem atribuir ao governo certos julgamentos em decorrência dos baixos níveis de escolaridade.

Enquanto a economia brasileira flerta com a recessão, a inflação permanece uma constante ameaça e a Petrobrás sangra ininterruptamente em uma enxurrada de denúncias envolvendo altos funcionários e figuras do alto escalão governista, a presidente zomba dos brasileiros ao afirmar que o seu governo representará um marco no combate à corrupção.

Com uma base ávida por afagos no Congresso e um eleitorado fielmente dependente de auxílios governamentais é possível cavar ainda mais o abismo do ilusionismo.

O que mudou, entretanto, é que a oposição, ao capitalizar mais de 50 milhões de votos na figura do Senador Aécio Neves, ganhou confiança suficiente para ir ao confronto de idéias, mesmo sabendo que nos embates do Parlamento só restam a eles as protelações regimentais, já que os resultados das votações dificilmente trarão surpresas.

Foi o caso da aprovação do Projeto de Lei nº 36, que alterou a meta fiscal ou instituiu a desobrigação do governo em gerar superávit para fins de investimentos ou de geração de poupança para o pagamento da dívida. O mercado internacional já deu a sua opinião a respeito do truque contábil.

O dólar continua em tendência de alta em decorrência da fuga de capitais promovida pelos investidores internacionais em face da desconfiança em relação a um governo que, aos 45 minutos da segunda etapa, muda as regras do jogo para livrar a presidente da República de punições administrativas pelo descumprimento da meta de superávit fiscal.

É evidente que os juros serão pressionados, já que o prêmio de risco exigido pelos participantes do mercado tenderá a se elevar substancialmente. Por conseguinte, dificilmente a inflação permanecerá dentro da meta em 2015 – apesar do instrumento da alta dos juros ao qual o governo confortavelmente recorrerá em um ano não eleitoral.

O mercado acionário precifica intensamente a desmoralização internacional da Petrobrás, o que vem contaminando outros ativos e levando o índice Bovespa a sucessivas perdas ao longo do ano.

A desvalorização das ações, contrariamente ao que prega o discurso ilusionista do Partido dos Trabalhadores (que retrata as acentuadas quedas como meros movimentos especulativos), representa, sim, perdas substanciais nas poupanças das famílias, o que significa redução no consumo.

Isso sem contar que a desvalorização nos preços dos ativos interfere diretamente na capacidade das empresas de contrair empréstimos no mercado por diversos motivos que não cabem ser ressaltados no presente artigo.

Por fim, o que com certeza dá calafrios aos investidores internacionais é observar que a demonização dos supostos sugadores dos recursos públicos brasileiros – os investidores que adquirem papéis da dívida pública nacional – serve a um só fim: justificar os “reparos” contábeis mediante a demonização do capital estrangeiro e a exaltação dos programas sociais.

Só resta mensurar quais serão os possíveis danos de mais quatro anos de governo petista – isto se nas próximas eleições houver mudanças – e que tipo de fardo pesará sobre as próximas gerações, que herdarão um contexto de recessão econômica, juros elevados e inflação acentuada.

Foto “Magician”, Shutterstock.

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