Recentemente comemoramos o Dia das Mães, e queria aproveitar o momento para falar de herança. Mas não da herança relacionada a bens e direitos, e sim do que poderíamos definir como uma espécie de “herança mental financeira”, a qual pode ser a grande responsável por alguns viéses e conceitos prévios que temos sobre finanças. O que será que sua mãe, seu pai, ou adultos próximos lhe ensinaram sobre isso? E o que será que você anda ensinando, ainda sem perceber, a respeito?

Muitas vezes não paramos para pensar, mas a forma como fomos educados e crescemos ouvindo e vendo a atitude de nossos pais e avós a respeito de dinheiro pode ter grande – ou total – influência em nossa própria forma de lidar com as finanças hoje.

Pode ser que uma mãe consumista ao extremo tenha passado indiretamente uma mensagem de que é assim que se deve ser. E aí continuamos nós, pela vida afora, achando que consumir e até nos endividar por conta disso, é algo absolutamente normal.

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Ou não. Pode ser que uma mãe ou pai que tenha contraído dívidas demais durante a vida por conta do excesso de consumo gere exatamente reações contrárias nos filhos. “Não quero viver atolado em dívidas como os meus pais. Quero fazer diferente”. Já ouviu algo assim de alguém?

Mais um exemplo: Um adulto que sempre valorizou muito cada centavo, se esforçou ao máximo para construir um caminho financeiramente equilibrado, e abriu mão de muitos sonhos para formar uma reserva, também pode passar lições importantes.

Pode ser que tenha nos ensinado a lidar com o dinheiro de forma mais comedida, a guardar, mas por outro lado, também pode ter nos passado uma ideia de que é muito difícil guardar dinheiro, que para isso é preciso abrir mão de todo o resto. E não precisa ser assim, certo? Lembre-se do quanto é importante ter e realizar alguns sonhos até mesmo para que exista algum prazer na tarefa de guardar dinheiro.

A nossa árvore genealógica financeira        

Exemplos assim – e há muitos outros – ajudam a formar uma espécie de árvore genealógica financeira, e conversar sobre o assunto faz parte do início de um papo sério que se tem quando alguém decide melhorar a forma como lida com dinheiro. Isso porque é a partir de tudo que vimos, ouvimos e aprendemos durante os primeiros anos de nossas vidas que acabamos construindo conceitos que moram em nosso cérebro e nos conduzem pela vida sem que nem sequer tenhamos nos dado conta. Percebe a confusão? E aí carregamos dentro de nós aquelas ideias muito comuns, do tipo: “Todo rico é ruim”. “Não se pode ter tudo”, e etc.

Minha mãe, por exemplo, sempre ressaltou muito a ideia de que mulher deveria ser independente financeiramente (até porque ela parou de trabalhar quando nascemos e passou a aconselhar o oposto). Algumas frases sempre martelaram em minha cabeça, tais como: “Trabalhe, estude, ganhe seu dinheiro, não dependa”, e etc. E assim fiz, ou tento fazer, mas percebi em algum momento também que tinha facilidade em ir atrás de trabalho e dinheiro, mas não tinha tanta facilidade em receber, pelo contrário. Receber algo não me parecia muito natural, mas precisamos saber que isso também não é legal. Como já falamos por aqui, é importante estar aberto ao “receber” também. Não é preciso dar sempre. É preciso saber receber e ser grato por isso. É assim que chegamos a um equilíbrio.

Faça uma auto-análise de sua herança

Agora é o momento de você fazer uma auto-análise para buscar lá no fundo de suas recordações o que acabou recebendo de herança mental financeira. O que te ensinaram? Como você enxerga a sua relação com dinheiro?

Aproveite também para pensar no que tem ensinado às crianças ao ser redor. Lembre-se que atitudes funcionam muito mais do que palavras neste caso. E se perceber que tem algo aí, caro leitor, sempre é tempo de mudar. Não adianta, por exemplo, dizer que seu filho não pode ganhar o brinquedo X porque já tem muitos, e sair comprando uma bolsa nova a cada semana se também já tiver muitas. O que você acha que ele irá pensar? No mínimo, que existe uma contradição.

Também tenha cuidado para não associar dinheiro a algo difícil de se ter e manter. Dinheiro não deve ser associado, por exemplo, a passar dificuldade, a abrir mão de tudo, a se matar para ganhá-lo. Nós somos o que pensamos, lembre-se disso! E temos que acreditar que merecemos tudo de melhor. Existe até um livro muito conhecido na área da educação financeira, que se chama “Os segredos da mente milionária”, e que traz tópicos muito importantes relacionados às mudanças de conceitos sobre o dinheiro.

6 Dicas para ajudar na reflexão da herança mental

Agora vamos a algumas dicas para que você possa refletir e deixar uma boa herança mental financeira para seus filhos, sobrinhos, e etc.

  1. Ensine que ter dinheiro é bom – Se temos dinheiro, conseguimos realizar sonhos, temos uma vida mais confortável, e etc.
  2. Mostre que dá para ajudar também – Tendo dinheiro também podemos ajudar mais, contribuir com projetos nos quais acreditamos, e etc.
  3. Ensine a gratidão – Mostre que é preciso estar aberto para receber e devemos ser gratos por tudo de bom que chega até nossas mãos.
  4. Mostre que dinheiro deve ser usado com cuidado – Independente de se ter muito ou pouco, dinheiro deve ser usado com cuidado, afinal ele também pode acabar.
  5. Explique que independência financeira é igual à liberdade – Dinheiro proporciona liberdade para que possamos usar nosso tempo da melhor forma.
  6. Avise que é preciso investir e ter uma reserva – Para multiplicar o dinheiro, além de ser bem cuidado (ou seja, não deve ser gasto à toa, mas com propósito), é preciso investi-lo e também poupar parte para a geração de uma reserva financeira. Quem tem reserva não passa apuros em alguns momentos. Portanto, é sempre tempo de começar.

Janaína Gimael
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