Como profissional da comunicação, enquanto jornalista e professor da área de Linguagens, sempre me interessei por produções textuais diversas, literárias e não literárias, e seus efeitos no cotidiano das pessoas.

Um dos fenômenos comunicacionais que vem ganhando a minha atenção são as chamadas “frases de efeito” e sua presença nas redes sociais online (Facebook, Twitter, Instagram, YouTube etc.), sobretudo no universo do empreendedorismo.

Não entendeu? “Foco, força e fé”, que você vai sacar o que estou dizendo.

As frases de efeito dos empreendedores

A produção textual voltada para o mercado do empreendedorismo, através de blogs, sites, livros, palestras, vídeos, podcasts etc., envolve uma extensa literatura que procura se adaptar às contemporâneas condições do mercado e influenciar o comportamento dos que se autodenominam ou procuram ser “empreendedores”.

Frequentemente, aparecem postagens em minha timeline como:

  • “10 receitas para o sucesso, segundo grandes empreendedores”,
  • “15 conselhos de líderes para chegar ao primeiro milhão”,
  • “5 dicas de sucesso para ser independente financeiramente, de acordo com autoridades no assunto” e por aí vai.

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Procuro conhecer e seguir, em minhas redes, o maior número possível de empresas e pessoas que vivem disso (consultores, coaches, analistas, empresários) e a reação do público diante das frases de efeito que são criadas por essas autoridades (via comentários, curtidas e compartilhamentos, por exemplo).

Observo, leio, analiso e também produzo frases de efeito. Enquanto escritor dessas frases (via projeto @reenquadro), sem a pretensão de fazer uma teoria ou criar uma estatística definitiva sobre isso, percebo, diariamente, algo que também acontece com o discurso das autoridades do empreendedorismo.

Eles produzem um conteúdo motivacional ligado a uma ideia de:

  • “Pensamento positivo”,
  • “Superação de barreiras”,
  • “Fé nos resultados, independentemente das suas condições”,
  • “Ajuda ao próximo, sem interesses financeiros”,
  • “Amor sem limites, em prol de um bem maior” etc.

A jornada dos heróis

Tudo isso, que possui uma pegada religiosa de fundo, uma espécie de “cristianismo de mercado”, é bem visto pela maior parte do público.

Atrai seguidores, curtidas e “melhora” a imagem da empresa, a qual quase consegue se esconder atrás da tal autoridade do assunto.

Esta pessoa, às vezes, assume o papel de “Jesus” e quer mostrar o caminho para o “paraíso”, contando como conseguiu chegar até o lugar onde está, superando todas as barreiras, indo contra tudo e todos que o puxavam para trás.

Não sou contra essas técnicas de marketing e nem acho que há uma fórmula necessariamente melhor para conseguir cativar o público.

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A ideia de ter um herói, semideus ou deus, como inspiração, alguém que “era como a gente, mas soube se diferenciar”, é antiga na história da literatura e não vai deixar de ser reaproveitada tão cedo.

De fato, muitas pessoas conseguem mudar suas vidas ao repetirem alguns ensinamentos, investindo em mensalidades e cursos para receber esse tipo de conteúdo.

Imerso nesse mercado, até eu tenho modificado meus hábitos e tentado adaptar meus projetos a essa demanda de “conteúdos positivos e motivacionais”.

Cuidado com as promessas desses heróis

Porém, queria chamar atenção para algo que muitos não conseguem enxergar no discurso dessas “autoridades do sucesso”:

  • Nem tudo o que dizem vai funcionar com você.
  • Nem sempre o seu dinheiro vai retornar em dobro.
  • Nem sempre a sua vida vai mudar para melhor, ao acreditar no que essas autoridades afirmam.

Em resumo: acreditar nesse discurso motivacional do “sucesso garantido” é um investimento de risco e pode trazer prejuízos que vão muito além das perdas financeiras.

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Por isso, questione-se se realmente essas afirmações fazem sentido para você e procure saber de que modo tais autoridades conseguem aumentar seu patrimônio e melhorar a própria imagem nas redes sociais.

Procure pesquisar os bastidores dessa produção de conteúdo, a formação dessas autoridades e da equipe que dá suporte ao seu discurso de sucesso.

Além disso, lembre-se de que a história de cada pessoa é única e não pode ser repetida. Embora haja alguns padrões e atitudes observáveis em empreendedores que possuem uma conta de mais de seis dígitos, é preciso saber ler esses padrões de modo a não praticá-los ao pé da letra, sem antes conhecer seus próprios limites e condições de vida.

Conclusão

Finalmente, aproveito para deixar um conselho, que você não é obrigado a usar, mas tem sido útil em minha vida: “Conhece-te a ti mesmo”.

Esta frase de efeito, um aforismo criado na Grécia Antiga, continua muito atual e, se bem aplicada, pode evitar que você entre numa furada.

Pode, por exemplo, ajudar a pensar e a dizer “não”, evitando que você simplesmente aceite uma frase bonita que toca seu coração num momento de desespero e faz você gastar todas as suas economias.  Até a próxima!

Renato Bressan
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