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Ibovespa cai 2% com mercado refletindo decisão “agressiva” do Fed

O Ibovespa ainda renovou máxima da sessão após as divulgações do Fed, ultrapassando com folga os 119 mil pontos

por Reuters
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O Ibovespa (IBOV) fechou em queda nesta quinta-feira contaminado pela aversão a risco global após o Federal Reserve sinalizar uma política monetária restritiva por mais tempo, enquanto, no Brasil, o Banco Central esfriou expectativas mais otimistas de uma eventual aceleração no ritmo de cortes da Selic à frente.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,15%, a 116.145,05 pontos. Na máxima do dia, chegou a 118.695,09 pontos. Na mínima, a 116.012,92 pontos. O volume financeiro somou 26,15 bilhões de reais.

O banco central norte-americano manteve na quarta-feira os juros na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano, em decisão acompanhada de um comunicado que não trouxe muitas novidades, assim como as declarações do chair do Fed, Jerome Powell, diferentemente das projeções econômicas divulgadas pela autoridade monetária.

A estimativa para os juros no final de 2023 foi mantida em 5,6%, o que implica mais uma alta neste ano, enquanto a previsão para o final de 2024 passou de 4,6% para 5,1%.

Conforme a chefe de economia da Rico, Rachel de Sá, os mercados ao redor do mundo continuaram digerindo mensagens de política monetária, especialmente o recado do Fed, que pressionou as taxas de juros de longo prazo na maior economia do mundo, afetando negativamente ativos de risco.

Na véspera, o Ibovespa ainda renovou máxima da sessão após as divulgações do Fed, ultrapassando com folga os 119 mil pontos, chegando a subir 1,5%, mas perdeu a força e fechou com acréscimo de 0,72%. Ainda assim, melhor do que Wall Street, onde o S&P 500 caiu 0,94%.

Após o fechamento do mercado na quarta, porém, o BC brasileiro anunciou um corte de 0,50 ponto percentual na Selic, a 12,75% ao ano, e reiterou que manterá o ritmo de cortes nas próximas reuniões, minando esperanças de que ele pudesse deixar aberta uma porta para cortes maiores.

Na visão do sócio e gestor de ações da Ace Capital Tiago Cunha, com a comunicação do Copom, o Ibovespa, que resistiu ao comunicado do Fomc na quarta-feira, não resistiu à pressão negativa nesta quinta-feira, não só por conta da forte alta nos títulos do Tesouro norte-americano, como também pela percepção de que os cortes de juros no Brasil serão mantidos nesse ritmo, além da dúvida sobre o orçamento total de cortes.

Em Nova York, nesta quinta-feira, o S&P 500 caiu 1,64%, enquanto o rendimento do Treasury de 10 anos atingiu uma máxima em 16 anos.

Destaques

Vale (VALE3) caiu 2,61%, a 67,50 reais, em dia de queda dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou as negociações do dia com queda de 1,9%, a 854 iuanes (116,93 dólares) por tonelada.

Na contramão, CSN Mineração (CMIN3) subiu 1,54%, a 4,62 reais.

Petrobras (PETR4) recuou 1,55%, a 33,76 reais, em meio às vendas generalizadas na bolsa paulista.

No noticiário, a Equinor submeteu à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) as declarações de comercialidade e planos de desenvolvimento para dois campos da concessão do BM-C-33, na Bacia de Campos, que conta com participação da Petrobras.

Também no radar, a Rússia proibiu temporariamente exportações de combustíveis diante de escassez.

Itaú Unibanco (ITUB4) cedeu 2,28%, a 26,99 reais, enquanto Bradesco (BBDC4) caiu 3,71%, a 14,26 reais.

Magazine Luiza (MGLU3) perdeu 6,75%, a 2,35 reais, acompanhada na ponta negativa por outros papéis sensíveis ao movimento de taxas de juros, como ações de consumo, com o índice do setor recuando 2,43%.

O índice do setor imobiliário fechou em baixa de 3,22%.

Suzano (SUZB3) avançou 2,04%, a 56,01 reais, entre as poucas altas do Ibovespa, um dia após anunciar aumento de preços.

No setor, Klabin (KLBN11) subiu 0,50%, a 24,18 reais.

Sabesp (SBSP3) ganhou 2,03%, a 61,69 reais, chegando a renovar máxima intradia histórica a 62,35 reais. O papel tem encontrado suporte no noticiário relacionado à privatização da companhia de saneamento básico do Estado de São Paulo, que recentemente recebeu aval para contratar bancos para uma eventual oferta de ações. Um dos focos de atenção está nas negociações com os municípios.

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