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Ibovespa fecha em queda pelo 11º pregão com noticiário corporativo robusto e exterior desfavorável

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,47%, a 116.265,62 pontos

por Reuters
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O Ibovespa (IBOV) fechou em queda nesta terça-feira, cravando o 11º pregão seguido no vermelho, com Eletrobras recuando forte após renúncia surpresa do presidente-executivo, assim como Vale (VALE3) pesou com baixa de 1%, enquanto Petrobras encerrou distante das máximas do dia mesmo com aumento dos preços de combustíveis.

Em mais um dia cheio de resultados corporativos no Brasil, a aversão a risco externa também pesou, com dados mais fracos do que o esperado na China reforçando receios sobre o ritmo daquela economia e após vendas no varejo acima do previsto nos Estados Unidos fomentarem temores sobre juros altos por mais tempo.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,55%, a 116.171,42 pontos.. Na primeira etapa da sessão, chegou a flertar com o sinal positivo, avançando a 117.697,25 pontos no melhor momento do dia. Na mínima, chegou a 116.033,15 pontos.

O volume financeiro no pregão somou 26,8 bilhões de reais.

O Ibovespa não recuava 11 pregões consecutivos desde a série de 11 perdas entre o final de janeiro e o começo de fevereiro de 1984. Apesar de a sequência chamar a atenção, ainda representa um declínio de menos de 5% e ocorre após alta de quase 20% nos quatro meses até o final de julho.

“A falta de visibilidade continua afetando o desempenho do mercado, com os principais ativos da bolsa sem catalisadores que permitam um impulso do mercado como um todo”, disse o analista da Terra Investimentos Luis Novaes, ressaltando que a dinâmica do mercado tem permanecido a mesma nas últimas semanas.

Ele acrescentou que o Ibovespa pode retomar o movimento de alta com um cenário mais claro para a estabilidade fiscal brasileira, a depender de uma sinalização do governo federal sobre medidas compensatórias nesse sentido, e tramitação avançada das pautas de interesse no Congresso.

Também afirmou que uma reação das ações brasileiras pode ocorrer na esteira de um maior apetite por risco do investidor estrangeiro, “algo que não se vê no momento não só por fatores locais, mas pelo cenário de incerteza que a economia global se encontra nos últimos meses”.

Dados da B3 até o último dia 11 mostram que o saldo do capital externo no mercado secundário de ações está negativo em 7,55 bilhões de reais em agosto.

No exterior, a China cortou as taxas de juros após dados de produção industrial e vendas no varejo de julho mais fracas do que o esperado naquela economia, enquanto, nos Estados Unidos, as vendas ao varejo no mês passado tiveram desempenho mais forte dos que as projeções.

Em Wall Street, o S&P 500 recuou cerca de 1%, assim como o Dow Jones e o Nasdaq, em sessão também marcada pela notícia de que a Fitch pode rebaixar alguns bancos. Os preços do petróleo também tiveram uma sessão negativa.

De acordo com o especialista da Blue3 Investimentos Rafael Germano, foi um dia de aversão a risco e realizações no mundo todo, e no Brasil a queda só não foi maior porque o avanço de Petrobras após o aumento dos preços dos combustíveis ajudou a “segurar” o Ibovespa.

“Dentro desse contexto (global), esperava-se uma queda maior”, afirmou.

Ainda no radar de agentes financeiros no mercado brasileiro, está o vencimento do Ibovespa futuro na quarta-feira e o vencimento de opções sobre ações na sexta-feira.

Destaques

Petrobras (PETR4) avançou 0,72%, a 30,86 reais, após anunciar um aumento de 16,3% nos preços médios da gasolina e de 25,8% nos do diesel vendidos a distribuidoras, a partir de quarta-feira, após integrantes do setor protestarem que os valores estavam defasados em relação ao mercado internacional, depois de uma alta das cotações do petróleo.

Mas fechou distante da máxima, quando renovou máxima histórica intradia a 32,15 reais. Petrobras (PETR3) cedeu 0,21%.

Eletrobras (ELET3) recuou 3,43%, a 35,15 reais, após renúnca de Wilson Ferreira Junior ao cargo de presidente da companhia.

Para seu lugar, foi eleito Ivan de Souza Monteiro. Para analistas, a saída de Ferreira Jr, em uma ação inesperada e com motivação não muito clara, deve pesar sobre os papéis da companhia elétrica no curto prazo, embora a entrada de Monteiro no cargo seja positiva e indique continuidade do trabalho que vinha sendo feito na empresa até então.

Vale (VALE3) ON caiu 0,99%, a 61,29 reais, apesar da alta dos futuros do minério ferro na Ásia.

O contrato mais negociado na Dalian Commodity Exchange, na China, encerrou as negociações do dia com alta de 1,6%. Preocupações sobre a economia chinesa continuam pressionado os papéis da mineradora brasileira.

Gol (GOOL4) afundou 12,5%, a 8,19 reais, tendo como pano de fundo relatório de analistas do Citi cortando a recomendação das ações para “neutra/alto risco”, bem como reduzindo o preço-alvo dos ADRs da companhia de 7,75 para 4,20 dólares.

A aérea também informou na noite da véspera que foi aprovada a emissão de até 1.891.302.910 bônus de subscrição de ações preferenciais da companhia para viabilizar a operação de dívida permutável realizada pela GOL Equity Finance ao preço de 5,84 reais cada.

BRF (BRFS3) avançou 6,9%, a 10,53 reais, mesmo após balanço mostrando prejuízo de 1,337 bilhão de reais no segundo trimestre, acima da perda registrada um ano antes, enquanto o Ebitda chegou a 1 bilhão de reais, acima das projeção de analistas.

No setor, JBS (JBSF3) e Marfrig (MRFG3), que também reportaram seus resultados na noite da véspera, fecharam em alta de 1,34% e queda de 0,52%, respectivamente.

A JBS ainda estimou um ganho de 450 milhões de dólares no ano com preços mais baixos de grão, enquanto a Marfrig aprovou aumento do capital privado.

Vibra Energia (VBBR3) subiu 7,77%, a 17,62 reais, mesmo com a queda de mais de 80% no lucro líquido do segundo trimestre ano a ano, uma vez que mostrou melhora na base sequencial, com Ebitda avançando mais de 30% nessa comparação.

O CEO da maior distribuidora de combustíveis do país também afirmou em teleconferência sobre o resultado nesta terça-feira que comprou volumes expressivos da Petrobras no segundo trimestre e que tem trabalhado para assegurar avanço nas margens.

A Vibra ainda passou a considerar a compra de diesel russo mais barato como uma alternativa.

Magazine Luiza (MGLU3) caiu 2,46%, a 2,77 reais, após divulgar prejuízo líquido ajustado de 198,8 milhões de reais no segundo trimestre, alta de 77,3% na comparação com mesmo período do ano passado.

Ao comentar o resultado em teleconferência com analistas, executivos da empresa afirmaram que estão vendo o varejo brasileiro em uma situação “mais racional” e avaliam que as vendas do segundo semestre deverão ganhar tração sobre o primeiro. Também afirmaram que o Magalu está se preparando para formar neste trimestre estoques maiores.

Natura&CO (NATU3) valorizou-se 5,48%, a 18,09 reais, após prejuízo líquido de 732 milhões de reais no segundo trimestre, estável na comparação com o mesmo período de 2022, mas alta de 25,8% do Ebitda ajustado, com expansão de margem de 7,4% para 9,7%.

Em teleconferência com analistas, executivos da fabricante de cosméticos também afirmaram que a companhia continuará a defender margem bruta em todas as unidades de negócios.

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