Algumas semanas atrás, eu tirei alguns dias de descanso para viajar com a família e recarregar as baterias. Sempre bom, e desta vez foi num belo resort no belíssimo estado de Alagoas.

Em um daqueles momentos que a gente fica curtindo um ócio criativo, simplesmente deixando os pensamentos vagarem de forma aleatória na mente, comecei a prestar atenção nos idosos que estavam ao meu redor.

Alguns desfrutavam do local, sendo servidos nas espreguiçadeiras do hotel e na piscina (no famoso bar molhado). Outros eram quase invisíveis, nos seus passos acelerados, levando vassouras e baldes para lá e para cá, além de alguns outros objetos. Estes últimos faziam parte do quadro de funcionários do resort.

Sinceramente, eu fico feliz ao ver os dois grupos. Alguns estavam desfrutando da vida, seja por esforço próprio ou por estarem sendo presenteado por filhos e outros familiares, que tiveram sucesso graças aos esforços sem fim de seus pais.

Outros estavam na ativa, talvez já aposentados, mas ainda trabalhando para complementar a renda ou simplesmente ocupando o tempo, sendo (e sentindo-se) úteis.

Quantos anos de vida! Quanto tempo de relacionamento com o dinheiro, envolvendo “casos de amor” e outros de “decepção”. Muita experiência e aprendizado, ou talvez teimosia e ignorância. Mas é quase impossível bater um papo com essa turma sem extrair deles valiosas lições práticas e poderosas para a vida.

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O aumento da expectativa de vida e a responsabilidade financeira

Sabemos que a expectativa de vida em praticamente todo o mundo está aumentando. A tecnologia, a medicina e o maior acesso à informação, além do retorno de muitos às práticas esportivas e alimentares mais saudáveis, estão contribuindo para esta realidade.

A expectativa de vida de um brasileiro, ao nascer, já passa dos 75 anos, e deve continuar se elevando com o passar dos anos (ultrapassando os 80 anos logo logo). Com isso, surge uma questão importante: como viver mais e manter uma boa qualidade por tanto tempo?

Temos defendido aqui no Dinheirama que o conceito de aposentadoria é algo que precisa ser revisto. Em vez de pensar em passar a velhice “fazendo nada”, deveríamos justamente aproveitar os recursos da aposentadoria para desenvolvermos outras atividades (remuneradas, se possível) bem alinhadas com aquilo que é prazeroso para cada um.

Falando nisso, reforço aqui que o Renato De Vuono escreveu um eBook gratuito sensacional sobre o tema: O Novo Aposentado (clique aqui se ainda não baixou sua cópia gratuita).

Trabalhar com aquilo que gosta, ganhar um dinheiro extra, sentir-se útil e ainda poder desfrutar da independência financeira e das experiências que ela proporciona, são coisas que deveriam estar nos planos da maioria das pessoas que estão por atingir essa fase.

E para aqueles que ainda estão longe da “melhor idade”, estes jamais devem subestimar o tempo a ponto de serem negligentes com o futuro. Sim, desfrute o dia de hoje, mas separe uma pequena parcela da sua renda para acumular recursos para esta outra fase da vida.

É o famoso planejamento de longo prazo, e uma boa dica de investimento para isso está na leitura recomendada abaixo.

Leitura recomendada: Por que devo comprar títulos públicos (Tesouro IPCA+) pensando na minha aposentadoria?

Cuidado: as boas intenções podem estragar tudo

Na manhã do segundo dia, enquanto deixava o quarto do hotel rumo à piscina, a camareira, também idosa, estava próxima da porta. Deixei algumas recomendações a ela e fiz a pergunta: “A senhora gosta de trabalhar aqui, neste belo lugar, rodeado de belezas naturais”?

Ela balançou a cabeça positivamente e disse que trabalhar ali “era uma bênção”, e também que precisava daquilo, pois ajudava sua filha e seu genro nas despesas que tinham com a vida e com os netos.

Com aquele trabalho, ela tinha o melhor das duas coisas, pois costumava caminhar pela praia e até tomava um banho de mar depois do expediente, antes de voltar para casa (ela fez questão de dizer isso).

Quantos idosos arcam com o “peso” financeiro de ajudar os filhos e netos, numa fase da vida onde deveria ser no mínimo o contrário? Não sei se você concorda comigo, mas penso ser uma irresponsabilidade dos mais jovens não apenas aceitar, como em muitos casos, solicitar essa ajuda financeira aos mais velhos.

Isso sem contar situações mais sérias, em que filhos e netos usam o nome do idoso para fazer empréstimos. Por serem aposentados, os idosos costumam ter mais facilidade com as burocracias, já que as parcelas podem até ser descontadas na fonte, minimizando o risco de inadimplência para os bancos e financeiras.

Sobre essas ponderações, gravei um vídeo específico, recomendado abaixo.

Vídeo recomendado: Terceira idade e dinheiro: cuidados para o bolso não prejudicar a vida

Conclusão

Seja você é idoso ou não, não importa; pense nas implicações do dinheiro e da sua relação com ele na sua vida e também na de seus familiares.

Um idoso que ajuda financeiramente um filho ou neto, embora possa estar cheio de boas intenções, pode estar fazendo um desserviço aos mais jovens, que precisam (algumas vezes com sofrimento) aprender a gerir sua própria vida, sendo responsáveis por suas decisões.

E não se esqueça: nunca é tarde para corrigirmos hábitos inadequados. Se você é jovem, assuma as responsabilidades de sua vida financeira e prepare-se para usufruir de uma velhice ativa e cheia de qualidade de vida – mas crie você as condições para isso (e não espere que o governo ou alguém o faça).

Se você é idoso e não está satisfeito com sua vida, comece a mudar a agora mesmo, pois o corpo pode até estar um pouco cansado, mas a mente não deve envelhecer jamais; e tudo começa com os pensamentos. Um abraço e até a próxima!

Conrado Navarro
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