Quem tem mais de 30 anos se lembra do comercial no qual um vendedor suspeito dizia “La garantia soy yo”. Se não lembra, vale dar uma pesquisada no bom e velho Google. No post anterior, falei rapidamente sobre a “falácia da garantia”, o que me levou a crer que esse tema merecia um texto só para ele.

É interessante como nos tornamos uma sociedade viciada na grande mentira da segurança. Tão viciada que pagamos caro por algo que, na prática, não existe. Quer ver? Carro blindado te protege? Se for para morrer, o acaso vai dar outro jeito. Se for muito rico, o bandido fará algo a altura, como por exemplo usar uma arma capaz de perfurar a blindagem.

O controle imigratório e segurança do aeroporto te protege? Não! Basta se lembrar do que aconteceu no 11/9 e dos atentados que continuam acontecendo mundo afora. A garantia do seu carro te protege? Bom, basta consultar as reclamações na Internet e terá sua resposta.

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Eu poderia ficar o dia todo, por páginas e mais páginas, falando sobre como as coisas podem dar errado nas mais diversas frentes da vida. Mas, o ponto não é esse. A questão é: até quando vamos viver em um mundo idealizado para finalmente enxergar (desculpem, não resisti) “a vida como ela é”?

Sabe onde quero chegar? Vou resumir em duas palavras: contingência e resignação. Um grande amigo meu, piloto de uma grande companhia aérea, fala que a “vida de um bom piloto é pensar na contingência”; em resumo, fazendo tudo para dar certo, mas com a cabeça no que pode dar errado.

É amigo, as coisas dão errado, definitivamente. Por isso é preciso estar preparado! No entanto, com certeza não importa o quanto se prepare, as coisas podem ser piores do que você previu. E nesse momento entra a importância da resignação. Isso quer dizer: aceitar a inevitabilidade da vida e o fato de controle é uma ilusão.

Não estou dizendo tudo isso para que viva de maneira irresponsável, por isso, antes de falar de resignação, falei de contingência. Então, sim, viva “by the book”; faça tudo como manda o figurino.

Tenha seguro de vida, de automóvel, de saúde, invista com inteligência, faça um bom planejamento financeiro e tudo mais que for necessário para estar preparado para o pior. E, depois disso, treine sua aceitação para resignar-se quando tudo der errado e, assim, ter força mental para começar de novo (e de novo).

Resumindo: você vai tropeçar, vai cair e vai se machucar, e por mais que tente se proteger, os acidentes serão sempre inevitáveis. Mais do que pensar em segurança, garantias ou em controle, concentre-se em aceitar as coisas como elas são de modo que, a cada incidente desagradável, algo seja aprendido.

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Logo, mais importante do que tentar evitar a queda, é estar pronto para levantar-se e seguir seu caminho. Grande abraço e até nosso próximo encontro.

Renato De Vuono
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