Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), uma tendência vem crescendo entre os jovens brasileiros: deixar a casa dos pais cada vez mais tarde.

O levantamento mostra que os jovens de idade entre 25 e 34 anos têm optado em permanecer na casa dos pais por mais tempo. De acordo com Sidnei Oliveira, consultor especialista em conflito de gerações, essa tendência tem como principal motivo a mudança cultural no modelo educacional.

Sidnei avalia que “os pais preferem manter os filhos na escola e faculdade pelo maior tempo possível. Isso faz com que o jovem não esteja maduro e independente quando conclui a faculdade e, por isso, acaba se mantendo na infraestrutura proporcionada pelos pais”.

Além disso, na maior parte das vezes, sair de casa demanda um custo alto, que a maioria ainda não tem como arcar.

“Muitos não conseguem manter o mesmo padrão de vida oferecido pelos pais com seus salários. Em alguns casos, por não querem perder o conforto, uma vez que em casa as despesas fixas geralmente são pagas pela família, alguns jovens adiam a decisão de independência financeira para ter a renda integralmente livre para atender às suas necessidades de consumo”, explica a educadora financeira Ana Paula Hornos.

Oliveira ressalta um ponto que os pais não se deram conta: com o aumento da expectativa de vida, todo recurso que eles têm gastado para manter os filhos em infraestruturas confortáveis irá faltar quando atingirem a idade avançada. “E certamente os filhos ainda não terão condições de ajudá-los como provavelmente esses pais estão fazendo com os próprios pais atualmente”, alerta.

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Quando começar a preparar o filho para a independência financeira?

Segundo Ana Paula, desde pequena a criança deve ser preparada para a independência. “É fundamental que a educação financeira baseada em valores e princípios esteja presente na formação dada pela família. É preciso acompanhar de perto a forma como os filhos lidam com dinheiro, com o consumo e o entendimento que eles adquirem sobre o trabalho”, diz.

Para a educadora financeira, falar sobre dinheiro com as crianças é importante para que elas adquiram habilidades e valores para cuidarem com inteligência do seu no futuro.

Já quando o filho cresce e começa a trabalhar, a educadora sugere que seja feita uma transição parcial, ajudando na preparação para a independência. “Embora o jovem ainda possa contar com um suporte financeiro em casa, é interessante que ele comece gradativamente a assumir o compromisso de pagar algumas contas”, afirma.

Além disso, continuar a oferecer o mesmo conforto que os filhos tinham durante a infância na fase adulta é um erro que deve ser evitado. A especialista ressalta o perigo de manter a ajuda dos pais por muito tempo.

Ana Paula explica que “é saudável para o jovem ser estimulado a empenhar-se ao máximo no trabalho para adquirir independência financeira e maturidade para arcar com suas próprias decisões em relação ao dinheiro. O quanto antes isso acontecer, mais fortalecido o jovem se torna para alcançar sucesso financeiro na fase adulta”.

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Qual seria a melhor idade para sair literalmente de casa?

De acordo com Ana Paula, não existe uma idade adequada para sair de casa. “O momento ideal de morar sozinho depende da maturidade e escolhas de pais e filhos diante dessa etapa da vida. O mais importante é que a família planeje conjuntamente e faça a transição da dependência para a independência financeira dos jovens. Isso será saudável para ambas as partes, tanto para os próprios filhos como também para os pais”, conclui.

Foto “Super kid”, Shutterstock.

Isabella Abreu
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