Inflação: definição e glossário para leigosCarlos comenta: “Criadores do Dinheirama, tanto vocês quanto diversos veículos especializados têm falado muito sobre a inflação, sua corrosiva ação sobre nosso dinheiro e seus perigos enquanto fenômeno econômico. No entanto, alguns leitores, como eu, não conhecem a definição clássica para inflação e os principais índices usados para medi-la aqui no Brasil. IPCA, INPC, IGPs, pode esclarecer algo sobre isso? Obrigado.”

É verdade! Dedicamos muitos artigos ao fenômeno da inflação, mas não nos concentramos em explorá-lo conceitualmente ou em sua esfera prática de análise e aferição. A definição clássica da inflação pode ser traduzida pelas palavras do Prof. U. W. Rasmussen, autor do livro “Economia para não-economistas”:

“Há movimento inflacionário quando a demanda agregada aumenta mais rapidamente que a oferta agregada, gerando um aumento imediato nos preços de produtos, commodities e serviços. Ou seja, a demanda agregada não é acompanhada por uma oferta agregada equilibrada que mantenha os preços estáveis”

Em suma, preços altos são geralmente ocasionados por uma oferta estacionada de produtos, cuja demanda encontra-se em níveis crescentes. É o caso presente das commodities e dos alimentos: muitos países em desenvolvimento puxaram a demanda com força e não há, ainda, capacidade produtiva (oferta) capaz de suportá-la.

Repare que, nestes casos, a economia[bb] muito aquecida – o que traduz-se na população consumindo bastante – favorece o aumento dos preços, já que só se vê aumentar a demanda. A produtividade, traduzida em oferta, não acompanha. Assim, a arma chamada elevação dos juros (alta da taxa Selic) deixa o dinheiro mais “caro”, o que tende a esfriar o consumo.

Então, caro leitor, quando você ler que o governo está aumentando os juros básicos da economia para tentar frear a inflação, lembre-se: ele quer deixar o crédito mais caro e, assim, diminuir a facilidade de consumo (demanda). É uma atitude econômica clássica. Cabe lembrar que a inflação pode ainda surgir a partir de excessivos aumentos de salários ou monopólios, onde os preços são elevados sem que a produtividade seja afetada.

IPC, IPCA, IGPMs etc…
Os chamados índices de preços são ferramentas muito importantes para acompanhar a evolução da inflação e seu impacto diante de um grande número de variáveis. Os principais órgãos e instituições que medem a alta dos preços são o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a FGV (Fundação Getulio Vargas) e a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Recente reportagem do jornal Folha de S. Paulo detalhou alguns dos principais índices de preços usados no Brasil. Confira.

INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), aferido pelo IBGE:

  • Retrata a alta nos preços ao consumidor no país, para faixa de renda familiar entre 1 e 6 salários mínimos. É medido do dia primeiro ao último dia do mês;
  • É o indicador mais usado nas negociações salariais e serve para corrigir o salário mínimo;
  • Participa da fórmula para o cálculo do reajuste de tarifas de telefone;
  • 7,28% é a inflação acumulada em 12 meses (até junho) pelo INPC.

IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), aferido pelo IBGE:

  • Retrata a alta nos preços ao consumidor no país, para faixa de renda familiar entre 1 e 40 salários mínimos. É medido do dia primeiro ao último dia do mês;
  • É o índice usado como referência para as metas de inflação do governo;
  • Usado nos reajustes de aluguéis e outros contratos;
  • Participa da fórmula para o cálculo de reajuste de tarifas de telefone;
  • 6,06% é a inflação acumulada em 12 meses (até junho) pelo IPCA.

IPC (Índice de Preços ao Consumidor), aferido pela Fipe:

  • Retrata a alta nos preços ao consumidor no município de São Paulo, para faixa de renda familiar entre 1 e 20 salários mínimos. É medido do dia primeiro ao último dia do mês;
  • É utilizado como indexador de aluguéis e contratos privados e públicos;
  • 5,84% é a inflação acumulada em 12 meses (até junho) pelo IPC.

IGPs – IGP-DI, IGP-M e IGP-10 – aferidos pela FGV:

  • Retratam a variação dos preços ao consumidor, no atacado e na construção civil no país;
  • O que muda em cada um deles é o período de coleta. O IGP-M é coletado do dia 21 de um mês ao dia 20 do outro; o IGP-10, do dia 11 de um mês ao dia 10 do outro; e o IGP-DI, do dia 1o. ao dia 30;
  • No cálculo destes índices entram o IPA (preços por atacado), com peso de 60%, o IPC (preços ao consumidor), com peso de 30%, e o INCC (custos da construção), com peso de 10%;
  • O IGP-M é usado para reajustar aluguéis e contratos privados, além de alguns serviços de TV a cabo. É também um dos componentes do indexador dos contratos de energia elétrica e participa da fórmula para o cálculo de reajuste de tarifas de telefone;
  • O IGP-DI é usado como indexador das dívidas dos Estados com a União. Além disso, também reajusta contratos privados e aluguéis e participa da fórmula para o cálculo de reajuste de tarifas de telefone;
  • 13,44% é a inflação acumulada em 12 meses (até junho) pelo IGP-M;
  • 13,96% é a inflação acumulada em 12 meses (até junho) pelo IGP-DI.

Ufa! Conhecendo melhor a inflação e seus principais índices, você pode ficar mais atento em relação aos contratos que assina, às principais reportagens do noticiário econômico nacional e seus investimentos[bb]. Entender porque o Dragão assusta tanto é elemento fundamental para tentar mantê-lo adormecido (ou domesticado, como sempre querem os governos). Que tal? O artigo foi útil? Esperamos que sim. Até a próxima.

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Crédito da foto para stock.xchng

Conrado Navarro
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