Inflação e a economia brasileira até agoraNa semana passada ocorreu o seminário do Banco Central (BC) sobre inflação, com abertura do presidente Alexandre Tombini e, no encerramento, discurso de Carlos Hamilton, diretor de política monetária.

Anteriormente, Carlos Hamilton já tinha feito declarações bem mais enfáticas sobre o controle da inflação. Agora, foi a vez de o presidente Tombini declarar que tudo seria feito para combater a inflação, deixando a porta aberta para novas ampliações da taxa Selic.

Na virada do mês de maio teremos nova reunião do Copom e a leitura dos agentes do mercado dessa declaração foi a rápida elevação das taxas dos DIs na sessão de16/05. Quase instantaneamente se começou a projetar que a próxima alta da Selic será de 0,50%, e não mais de 0,25%, levando a taxa para 8,0%.

Curiosamente, isso ocorre no exato momento em que a inflação no curto prazo parece dar uma trégua. Afinal, todos os indicadores parciais anunciados durante a semana anterior vieram mostrando desaceleração, independente de continuar muito alta e próxima do teto, no caso do IPCA.

O último indicador anunciado trouxe a inflação de 12 meses para a fronteira desse teto, em 6,49%. A expectativa para os próximos meses é que oscile ao redor desses 6,5%, ora pouco abaixo, ora um pouco acima, para cair de forma mais incisiva mais para o final do ano. Ainda assim, nenhuma chance de nos aproximarmos do centro da meta (4,5%), mesmo em 2014.

Há grande torcida do governo e BC para que os efeitos de preços agrícolas que derrubam os preços no atacado cheguem logo ao varejo. Mas isso ainda não foi sentido ou pode ser de forma apenas fraca.

Na verdade, temos pressões para repasses de aumentos de custos, a prestação de serviços tem mostrado inflação ainda maior e o maior reflexo se deu na queda das vendas no varejo, principalmente supermercados, com encolhimento de 2,1% em março.

Não tendo nada para comemorar nos fundamentos de nossa economia nesse início de ano, quando todos os dados estão muito fracos (exceto a inflação), o governo se apega em coisas absolutamente tênues para sensibilizar a opinião pública.

O ministro Mantega produziu duas pérolas. A primeira, que o PIB não é tão importante e sim o emprego, como se uma variável não fosse consequência da outra. A segunda ficou por conta de comemorar que a disseminação da inflação encolheu no último dado divulgado.

Claro que isso não engana ninguém com um mínimo de conhecimento, ou mesmo aqueles que vão sistematicamente aos supermercados. Porém atenua a pressão sobre o governo na formatação de políticas mais diretas para domar a inflação, agindo ainda sobre cortes dos gastos correntes e investimentos em infraestrutura.

Definitivamente, precisamos deixar de fazer políticas pontuais e escolher quem será vencedor e perdedor, optando por políticas mais horizontais que beneficie a todos, sem privilégios. Também precisamos atrair investidores externos e locais com políticas mais longevas que garantam retornos no longo prazo.

Caso isso não ocorra, vamos seguir na contramão das demais economias do mundo, situação que parece voltar a acontecer.

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Foto de freedigitalphotos.net.

Alvaro Bandeira
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