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Infraestrutura pode minar o crescimento do Brasil

por Carlos Alberto Debastiani
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Infraestrutura pode minar o crescimento do BrasilRecentemente, publiquei aqui no Dinheirama o artigo “O Brasil e a Fanfarronice Europ√©ia” no qual citei as cr√≠ticas do jornal ingl√™s Financial Times √† situa√ß√£o econ√īmica do Brasil, classificada como “Fanfarronice Latino-americana”. Na √ļltima semana, dia 21, foi a vez da revista brit√Ęnica The Economist dar suas alfinetadas. Em tom bem mais ameno do que o utilizado pelo FT, a reportagem veiculada pela revista alerta que o ritmo de crescimento da economia brasileira pode se tornar insustent√°vel.

A argumentação é de que não existe, no país, uma cultura de investimento[bb] e um bom aproveitamento dos recursos que estão sendo gerados pela onda de crescimento. Os especialistas acreditam que um crescimento acima de 5% pode levar a economia a um colapso em 2011 e que os cortes de gastos anunciados pelo governo não serão suficientes para compensar esse efeito.

Nessa mesma semana, o Financial Times publicou nova reportagem sobre a economia brasileira (mostrando que estamos na pauta dos coment√°rios econ√īmicos da Europa), alertando que a falta de infraestrutura pode comprometer o que chama de “futuro brilhante” do Brasil, futuro esse que afirma estar, ainda, fora do nosso alcance.

Classificando nossa infraestrutura como “profundamente irregular”, o jornal brit√Ęnico cita como graves os recentes problemas de deslizamentos ocorridos no Rio de Janeiro, o lento desenvolvimento do transporte p√ļblico de massa e da malha vi√°ria enquanto aumenta substancialmente a quantidade de autom√≥veis nas ruas, j√° incapazes de comport√°-los. O jornal ainda examina a situa√ß√£o dos v√°rios setores como habita√ß√£o, energia, constru√ß√£o civil, bancos, agricultura e ind√ļstrias naval e sider√ļrgica, avaliando obst√°culos e avan√ßos.

Sinceramente, nesse quesito eu devo concordar com os analistas do FT e da revista The Economist. No final do meu artigo anterior, citei que lamento apenas a falta de um governo mais capacitado para administrar adequadamente o momento de crescimento pelo qual passamos. Realmente, a falta de infraestrutura pode se transformar em nosso “calcanhar de Aquiles”, pois n√£o favorece a sustentabilidade de nosso crescimento, mesmo diante da imunidade que parecemos ter perante as crises internacionais que assolam mercados financeiros mundo afora.

Esta tamb√©m √© a opini√£o do Pr√™mio Nobel de Economia de 2004, Edward Prescott, que est√° no Brasil como palestrante do congresso ExpoGest√£o, em Joinville, Santa Catarina. Para Prescott, o crescimento da economia brasileira[bb] acima da expectativa em 2010 n√£o traz nenhum risco ao Brasil e mostra que o pa√≠s est√° produzindo mais e melhor. No entanto, ele alerta que o crescimento econ√īmico s√≥ traz benef√≠cios reais para um pa√≠s se as autoridades souberem investir esse resultado positivo em favor da sociedade. √Č nesse ponto que a burocracia e a morosidade de nossa m√°quina governamental pesa.

Os problemas relacionados ao transporte j√° s√£o bastante vis√≠veis, n√£o s√≥ nas grandes capitais, mas at√© nas cidades menores, no interior dos estados. Falo disso com propriedade, porque moro em uma delas e j√° vivo em meio a um tr√Ęnsito ca√≥tico e uma malha de transporte p√ļblico que n√£o atende mais √† demanda.

Nas grandes cidades, a situa√ß√£o √© ainda pior. Paramos no tempo e n√£o estamos investindo na moderniza√ß√£o e amplia√ß√£o da capacidade de transporte. A cidade do M√©xico, por exemplo, tem quase dez vezes mais linhas de metr√ī (em extens√£o) do que a cidade de S√£o Paulo. No transporte de cargas tamb√©m estamos “atrasados”, ainda nos valemos do caro transporte rodovi√°rio para escoar e distribuir nossa produ√ß√£o, quando seria muito mais barato e eficiente utilizar ferrovias, que tem baixo custo operacional e uma despesa infinitamente menor com manuten√ß√£o.

Com isso eliminaríamos boa parte do tráfego das rodovias e diminuiríamos a poluição do ar. O setor de energia também preocupa. Se não temos problemas sérios para produzir energia, faltam investimentos na área de distribuição e, principalmente, na alocação de recursos de contingência.

Crescimento sustent√°vel exige capacita√ß√£o de m√£o-de-obra e forma√ß√£o de profissionais competentes. Nesse aspecto de nossa cadeia de desenvolvimento presenciamos uma crescente omiss√£o do Estado em prover e aparelhar adequadamente o sistema p√ļblico de ensino, que deveria ser capaz de promover a forma√ß√£o b√°sica e a capacita√ß√£o de nossas crian√ßas, jovens e adolescentes[bb] para o ingresso no mercado de trabalho.

Por fim, a falta de investimento e de gerenciamento sobre sistemas de saneamento básico e tratamento de águas, esgotos e efluentes industriais vem completar a lista de falhas de infraestrutura que precisam ser sanadas para que esse crescimento se converta em desenvolvimento. Somente dessa forma deixaremos (finalmente) de ser um país em desenvolvimento para nos tornarmos um país desenvolvido.

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

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