Instituições financeiras e a educação financeiraEstá claro que um dos maiores avanços dos países que conseguem a estabilização econômica é o maior acesso ao crédito. E, felizmente, o Brasil começa a usufruir desse beneficio. O grande problema é que a maior parte da população não está preparada – ninguém os ensinou ou deu exemplo – a usar o crédito com critério e bom senso.

Vejo nesse cenário um risco com potencial altamente destrutivo, que pode sem dúvidas levar o país a sérios problemas no futuro. Basta olhar para os fundamentos da crise financeira[bb] de 2008 para perceber que o principal mote da crise estava na forma descontrolada como o crédito foi (mal) usado em boa parte no mundo, principalmente nos Estados Unidos.

Muitas parcelas = descontrole financeiro
Que fique claro que o problema não está no crédito em si. Financiar bens em diversas prestações pode significar o inicio de um enorme problema para muitas famílias. As diversas prestações levam, via de regra, a um comprometimento excessivo das finanças e elimina o potencial de investimentos da família. Com compromissos financeiros extensos e pesados, muitos deixam o verdadeiro bem-estar e a qualidade de vida de lado.

O exemplo mais gritante, e que sempre traz muita polêmica, são os automóveis. Financiar esse tipo de bem se tornou uma obsessão – para muitos, a única forma de comprar um carro é através de financiamentos. O assunto é tratado com grande relevância na mídia e o governo abaixou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para manter as vendas. Os juros, ninguém baixou.

A redução do imposto causou mais impacto do que redução de fato. O preço final do carro caiu, é verdade, mas o valor total pago após o financiamento continua alto. As vendas cresceram como nunca, mas será que os compradores terão como pagar o financiamento no decorrer do tempo? Tomara que sim.

Educação financeira, uma arma poderosa para sociedade
Em minha opinião, as instituições financeiras poderiam exercer um papel muito mais abrangente e relevante para sociedade brasileira: conscientizar a população para aprender a lidar com o crédito. Já existem programas deste tipo em andamento, mas precisamos ir além de criar cartilhas e apostilas; é preciso um trabalho mais amplo, capaz de transmitir conhecimento prático para que as pessoas entendam quais as formas de crédito disponíveis e como usá-las da melhor maneira.

Em um primeiro momento, pode parecer pretensioso demais – especialmente para as pessoas que acreditam que os bancos ganham dinheiro à custa da desinformação das pessoas. No entanto, a conscientização pode impedir o surgimento de uma bolha financeira ou crise de crédito no Brasil, onde todos seriam afetados – principalmente as instituições financeiras. Assim, parece razoável pensar em projetos de educação financeira[bb] de longo prazo com o apoio dos grandes players do mercado financeiro.

Combatendo a inadimplência
Um dos grandes fatores que contribuem para os juros altos praticados no país é a  inadimplência. Combater esse mal é outro ponto positivo que a adoção de uma política de educação financeira pode cumprir. O acesso a informação de qualidade conduziria as pessoas a usar o crédito possível e de forma inteligente. Aos poucos, a inadimplência diminuiria, favorecendo a todos: bancos, empresas e, principalmente, consumidores.

Tenho certeza que a idéia soa um tanto utópica. Admito ser um sonhador quando o assunto é educação financeira. Mas os sonhadores como eu aprendem aos poucos que para que os sonhos[bb] se tornem realidade, o primeiro passo é “fazer barulho” e acreditar. Eu acredito e por isso estou divulgando essa idéia. Se você também acredita, pode colaborar deixando seu comentário e passando adiante a idéia. Unido, com o suporte da educação financeira, nosso país pode fazer uma enorme diferença.

Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira
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