Ela surgiu em janeiro de 2018 através de um projeto piloto. Na época, os amigos Igor Mascarenhas, Lucas Prado e Rafael Oliveira (três engenheiros formados pela Unicamp), queriam modificar a relação das pessoas com a indústria seguradora, a qual consideravam que deixava a desejar. “Seguros deveriam ser considerados uma parte importante do plano de investimentos de alguém, afinal de contas, ajudam a preservar bens que podem ter sido adquiridos com muito esforço”, opina Prado, que é CMO da startup. “Não temos uma cultura de consumo de seguros no Brasil. Os percentuais são muito baixos porque as pessoas costumam não confiar nesta indústria. Muito porque, quando precisam, acabam de fato não sendo atendidas”, finaliza. Para contar um pouco mais sobre a Pier, que oferece uma série de diferenciais de mercado em seu seguro digital baseado em comunidade para smartphones, convidamos Prado para responder algumas perguntas.

Vocês iniciaram a Pier através de um projeto piloto, uma espécie de vaquinha, e chegaram a conversar com o Dinheirama neste início. O que mudou de lá para cá?

Lucas Prado Muita coisa mudou. No início, queríamos testar o modelo baseado em comunidade através de um público menor. Nossa ideia era validar algumas hipóteses, por esta razão, durante todo o ano de 2018, fizemos um projeto piloto oferecendo proteção apenas  para iPhone e trabalhamos em uma espécie de vaquinha, onde apenas membros indicados faziam parte e onde a própria comunidade assumia os riscos de eventuais necessidades de reembolsos. Neste período não abrimos a plataforma ao público. Nosso objetivo era validar nosso conceito de seguro baseado em comunidade. Mas percebemos que o crescimento era contínuo, e as pessoas gostavam da ideia de estar em uma comunidade de confiança. No final daquele ano, a Pier passou a ser uma estipulante junto a Too Seguros, que compartilha da nossa visão de mercado e passou a ser responsável pela emissão dos certificados de seguros junto à Susep. Neste momento abrimos a plataforma para o público e crescemos quase 3x desde então. Atualmente estamos com mais de 5.500 membros (os nossos clientes), quase 30 funcionários, e acabamos de lançar o seguro para Android, o que deve nos possibilitar um mercado 20 vezes maior que o de iPhones. Com Android, queremos democratizar o acesso à comunidade Pier.

Ainda hoje é preciso ser aprovado na comunidade para adquirir o seguro? Como funciona?

L.P: Sim. O primeiro passo é ser indicado por um membro ou pedir o convite para entrar na comunidade Pier através de nosso site. Usamos muita tecnologia e nossos algoritmos nos ajudam a selecionar a entrada de novos membros mantendo toda a segurança possível. Acreditamos que manter uma comunidade confiável é a base de todo o restante que fazemos.

O que o modelo de negócios da Pier tem de diferente em relação a seguradoras tradicionais?

L.P: Primeiramente, ressalto a construção de uma comunidade confiável, que faz parte dos alicerces da Pier e nos diferencia enormemente de todo o mercado. Nossa proposta é mudar a maneira como as pessoas se relacionam com a indústria de seguros. Na nossa visão isso vem através da confiança: entre as pessoas que participam da comunidade e na própria Pier que administra essa comunidade. Procuramos ser absolutamente transparentes e nossos relatórios estão à disposição, assim como todos os nossos termos. Basta entrar no site e baixar. Nosso modelo de receita não é baseado em lucrar em cima de mensalidades nem evitando pagar reembolsos, pelo contrário. Em nosso modelo de negócios, a Pier recebe até 20% do valor das mensalidades pela administração da comunidade. Outros 20% são destinados à Too Seguros, que garante que os membros da comunidade que pagaram suas mensalidades e estiverem de acordo com a política de reembolso da Pier, sempre serão indenizados em caso de roubo ou furto do smartphone.  E os 60% restantes são usados exclusivamente para pagar os reembolsos. Se não forem utilizados integralmente pode haver queda no valor da mensalidade. Este modelo de negócio com uma taxa fixa nos permite quebrar o conflito de interesse da indústria que pode induzir ao não pagamento de reembolsos para maximização do lucro.

E com relação ao produto, quais os diferenciais?

L.P: A Pier traz uma série de diferenciais em comparação com o mercado. Em poucos minutos é possível contratar a proteção, em poucos minutos é possível cancelar direto no app, não há carência (você pode contratar apenas durante aquele mês em que vai viajar por exemplo), não precisa de nota fiscal, os valores estão na home do site para quem quiser ver (sem fazer o usuário perder tempo pedindo cotação), aceitamos aparelhos usados, e o reembolso normalmente é muito rápido. Já chegamos a reembolsar em menos de 5 minutos e mais de 70% dos reembolsos ocorrem em até 3 dias. Além disso, cobrimos furto simples, o que é um grande diferencial. Em um ano, 55% dos nossos reembolsos foram relacionados a furto simples, algo que não seria coberto por mais ninguém.

Como a tecnologia está presente no modelo de negócios da Pier?

L.P: A tecnologia nos ajuda desde o início, quando aceitamos os novos membros e há uma análise grande relacionada a esta entrada. A tecnologia também permite que as contratações e cancelamentos sejam feitos online, de forma muito rápida e sem burocracia. Da mesma forma, o pedido de reembolso em caso de furto ou roubo, assim como nossa análise de reembolsos, também conta com muita tecnologia. Nossos algoritmos estão presentes em todos os momentos e nos ajudam a crescer com segurança. Prova disso é que quase 65% do nosso time é formado por pessoas de produto, tecnologia ou dados.

Quais as expectativas com relação à entrada no mercado Android?

L.P: O mercado de Android tem uma base cerca de 20 vezes maior que a de iPhones no Brasil, portanto, é um grande passo para a Pier quando pensamos em democratizar a entrada à nossa comunidade. Mas estamos começando com alguns modelos (linhas S e J da Samsung) para testar e aprimorar. Esperamos que, até o final do ano, já estejamos atendendo a maior parte dos modelos com este sistema operacional.

Como você enxerga o papel das insurtechs no Brasil e como a Pier se encaixa neste panorama? Quais os desafios?

L.P: As insurtechs são responsáveis por uma quebra de paradigmas que há muito pensamos ser necessária no mercado brasileiro. Apesar de ainda não serem tão conhecidas quanto as fintechs, têm trabalhado para resolver demandas fortes e alcançam um espaço do mercado que não aguenta mais ter que lidar com burocracia, morosidade e falta de transparência. A Pier nasceu com o objetivo de mudar a relação das pessoas com a indústria de seguros. Nós acreditamos em transparência, em agilidade, em empatia, em crescer com base em confiança. E estamos apenas começando com smartphones. Nosso objetivo é estar presente em todas as áreas de vida de alguém que necessitem de um seguro. Para isso, um dos maiores desafios é mudar não apenas o que é oferecido, mas a visão que as pessoas têm a respeito de seguros e da indústria seguradora. Nós estamos nos esforçando muito para mostrar que é possível fazer diferente. Queremos que as pessoas passem a ver os seguros como algo positivo!

 

Redação Dinheirama
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