Ana Lúcia comenta: “Navarro, como pode duas pessoas tão diferentes saírem da mesma barriga? Enquanto eu me empenho em aprender mais e mais sobre finanças e já me considero uma pessoa de sucesso nesta área (nada de dívidas, renda estável e patrimônio em construção), tenho uma irmã toda descontrolada financeiramente. Ela gera problemas para nossa família, amigos e todos já estamos ficando cansados de ajudá-la com empréstimos, oportunidades de negócio, empregos e tal. Será este o problema? Muita ajuda de nossa parte? O que você pensa? Obrigada“.

Dinheiro, família e relacionamentos, essa combinação sempre oferece situações delicadas de intimidade e planejamento. É por essas e outras que eu gosto tanto de escrever também sobre o lado psicológico, comportamental e emocional ligado às finanças pessoais.

A tão desejada inteligência emocional

Uma coisa é o conhecimento técnico, outra coisa (ainda mais difícil) é o domínio de si mesmo (e suas emoções). Sempre haverá histórias malucas, como aquela do rapaz que começou com R$ 10,00 e ergueu um império, bem como daquele outro que ganhou na loteria e meses (ou anos) depois estava sem dinheiro, ainda mais pobre do que era antes de receber tanto dinheiro de uma vez.

Há uma corrente de entusiastas e praticantes da educação financeira, da qual faço parte, que defende que problemas financeiros não são resolvidos apenas com dinheiro, ou seja, colocando dinheiro nas mãos das pessoas que estão em apuros financeiros.

Que paradoxo, hein? Mas é verdade! Problemas financeiros são resolvidos com outra coisa: inteligência emocional, ou seja, a capacidade que todos temos (ou deveríamos ter) de controlar nossos sentimentos e emoções para evitarmos decisões precipitadas e impulsivas (e posterior arrependimento, angústia e endividamento).

Leitura recomendada: Mais Dinheiro Não Vai Resolver Seus Problemas

A prova do “crime”

Você já deve ter passado por esta situação ou no mínimo conhece alguém que já passou: o sujeito está endividado, mas não aconteceu nenhum fato atípico que justifique isso; nada de acidentes, casos de morte, doenças graves ou coisas similares. Não se sabe como, mas ele está endividado.

Este endividamento gera estresse, brigas familiares, queda de rendimento no trabalho, pressão interna e externa e por aí vai. Enfim, a vida fica pesada!

Agora suponha que esse sujeito seja um familiar e que você seja uma pessoa sensível e tenha condições de ajudá-lo. O que você faz? Empresta dinheiro para ele resolver o problema e recomeçar a vida, certo? Ufa! Todos agora ficam felizes, não é mesmo? O problema está resolvido!

Opa, que nada! Algum tempo depois (pouco tempo, normalmente), surpresa! Ele está novamente endividado. E o pior: ele ainda nem começou a pagar o empréstimo que fez com você. Tudo o que se ouve agora são justificativas e mais justificativas (desculpas, mesmo!), mas solução que é bom e seu dinheiro volta? Esqueça!

Agora você não tem mais como ajudar, mas outra pessoa da família aparece, faz o mesmo que você fez e… Surpresa! Tempos depois, mais dívidas e o ciclo vai se repetindo. Conhece essa história ou estou exagerando? Viu só? É exatamente por isso que faço questão de frisar que problemas financeiros não são resolvidos com dinheiro. Você vai entender melhor lendo a parte que vem a seguir.

Leitura recomendada: Uma Enorme Razão para Você Não Emprestar seu Dinheiro

Causa e efeito

Uma crise financeira não é a causa do problema, mas sim um efeito, uma consequência. Observe que pessoas que se desorganizam financeiramente normalmente possuem outras áreas da vida bastante bagunçadas (ou mal resolvidas, para dizer o mínimo).

Vamos a alguns exemplos: vida conjugal não vai bem, relação entre pais e filhos cheia de dificuldades, pressões no ambiente de trabalho, doenças graves na família, filhos com problemas de vícios (drogas, bebidas) e por aí vai.

São estas outras dificuldades que, por falta de tratamento ou solução, terminam por afetar a vida financeira da maioria das pessoas, principalmente por conta do desequilíbrio emocional que geram.

Isso ocorre porque as pessoas terminam por buscar satisfação e uma espécie de compensação através do consumo, pensando que se comprarem certas coisas, irão aliviar a dor que sentem por um dos problemas citados acima. Aliás, dê uma olhada nessa figura interessante para compreender o processo:

Ciclo perigoso

Este ciclo pode ocorrer uma ou mais vezes na vida, podendo inclusive se tornar inclusive uma perigosa rotina! O ponto de partida será sempre algum tipo de desconforto emocional e a única maneira de romper esse fluxo destrutivo para suas finanças é fazer uma autoanálise para buscar (e tratar) os verdadeiros motivos do desconforto.

Leitura recomendada: Aprenda a usar o controle financeiro para eliminar dívidas

Conclusão

Pense em quantas coisas você já comprou e não usou e em quanto dinheiro desperdiçou tentando compensar uma dor ou emoção destrutiva. Pense em quantas vezes você disse para sua família que não tinha dinheiro para uma viagem ou para frequentar uma academia ou um curso de línguas ou similar? Compare uma coisa com a outra. Complicado, não é mesmo?

Daqui para frente, quando for realizar uma compra, faça uma simples pergunta para você mesmo e responda de forma honesta: eu realmente preciso disso agora? Se quiser olhar de outra forma, questione-se: isso é uma prioridade e vai encurtar a distância entre minha família e nossos sonhos? Essa pergunta vai despertar em você uma energia diferente, experimente!

Gravei um vídeo algum tempo atrás sobre comportamentos que atrapalham o sonho de ficar rico, acho que você vai gostar:

Obrigado e até a próxima!

Foto “Emotions”, Shutterstock.

Conrado Navarro
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários