Jorge comenta: “Navarro, sou um investidor novato e quero começar a investir em títulos públicos e bons fundos de ações. Vi que existem corretoras que não cobram taxa, mas fico um pouco receoso nestes casos porque este serviço requer equipe, estrutura, dá para confiar? E os fundos que cobram taxa de performance, valem a pena? Obrigado”.

Já diz a sabedoria popular que “o tempo voa”. Pois é, em 2015 completo 15 anos envolvido com as áreas de finanças pessoais, educação financeira e investimentos, dez deles de forma profissional.

Ao longo deste período, percebi que muitas vezes o investidor acaba caindo em algumas armadilhas relativamente simples. A principal constatação é notar a quantidade de pessoas que se frustram ao longo do tempo porque apostaram em serviços de baixa qualidade e sem nenhum compromisso com o resultado.

Dois exemplos bastante clássicos destas escolhas frustrantes são os produtos com elevados custos (taxas, tarifas e etc.) e o serviços financeiros gratuitos. Quando o assunto é dinheiro, o investidor deve optar por instituições que ofereçam muito mais do que um simples atendimento.

Não tem jeito, o que de fato garante melhores resultados são aquelas empresas que vão além do básico e oferecem um relacionamento próximo, transparente e repleto de ferramentas capazes de auxiliar o investidor a entender o mercado (e, claro, aproveitá-lo).

O investidor inteligente valoriza estrutura, rentabilidade e performance

Gosto de compartilhar uma experiência que tive já algum tempo com essa questão que envolve custo, risco e retorno. Logo que comecei a investir, busquei conselhos com pessoas que já tinham experiência no mercado, e alguns me aconselharam a ficar atento à cobrança de taxas.

O conselho fazia todo sentido, já que ao longo dos anos pequenas quantias a menos na rentabilidade fazem enorme diferença no patrimônio acumulado. No meu processo de aprendizado, tive a oportunidade de assistir a uma palestra do amigo Gustavo Cerbasi, um dos pioneiros da educação financeira, em que ele chamava a atenção para a chamada taxa de performance.

Essa taxa é cobrada sobre uma parcela da rentabilidade do fundo que exceda a variação de um índice de desempenho previamente determinado, chamado de benchmark, e remunera o bom desempenho do fundo de investimento, caso o objetivo de superar o seu benchmark seja alcançado. Em outras palavras, quando o gestor entrega resultado, ele fica com uma parte desse ganho.

Por exemplo, para um fundo que cobre taxa de performance de 20% sobre o que exceder 100% do Ibovespa, o cálculo seria o seguinte: se o Ibovespa render 22% ao ano, e o fundo render 25% ao ano, o fundo excedeu em 3% o benchmark. Considerando os 20% (taxa de performance) de 3% (valor da performance excedente do benchmark), o gestor ficará com 0,6% do ganho acima do Ibovespa e o investidor com o restante.

Voltando para a palestra, o Cerbasi disse algo que que me chamou a atenção: “Por que não remunerar um resultado que exceda a expectativa de um investimento?”. Desde então, tenho levado essa pergunta como um conselho na hora de buscar relacionamentos duradouros com instituições financeiras.

Convenhamos, ninguém trabalha de graça e quem faz um bom trabalho, capaz de entregar um retorno acima das expectativas, merece o reconhecimento. A verdade é que pagar taxa de performance pode ser excepcional para investidor, mas é preciso escolher muito bem entre os melhores.

Entenda que a história citada acima é um exemplo, não uma recomendação para todos os perfis, uma vez que também é importante citar que estudos recentes já demonstraram que a maioria dos fundos de investimento costuma perder do índice de referência do mercado no médio e longo prazos. Atenção para a interpretação da mensagem, portanto.

Não existe almoço grátis!

Ao levar essa percepção para outros exemplos próximos, percebi que o fundamental para o investidor é ter ao seu lado muito mais do que o “kit básico”, pois no final das contas a diferença entre bons e maus resultados pode estar no fato de ter o acompanhamento de profissionais qualificados e que entreguem boa performance, infraestrutura e que se dedicam em preparar o investidor.

Uma outra situação que faço questão de compartilhar aconteceu com um amigo de longa data. Depois de aproveitar um atendimento diferenciado e usar ferramentas de apoio e aprendizado em uma corretora, ele foi seduzido por uma propaganda de isenção de algumas taxas e decidiu migrar sua carteira e operações.

Infelizmente, o resultado não foi nada positivo, o suporte não oferecia nem o atendimento básico, o time de analistas e profissionais de recomendação deixava a desejar (os resultados minguaram) e não havia praticamente nenhuma geração de conteúdo (relatórios, vídeos e etc.).

A situação ficou ainda mais complicada quando ele entendeu que a “isca” da isenção de taxa o transformou em um alvo para a mesa de operações, que começou a provocá-lo a fazer transações que ele desconhecia com a promessa de proteção do investimento e retorno elevado. Ele se sentiu traído e ficou traumatizado, e foi quando me procurou para relatar tudo isso.

Ele acabou perdendo dinheiro sem o apoio na formação que recebia anteriormente; ele passou seis meses pagando menos taxas, mas perdeu muito patrimônio ao seguir recomendações da nova corretora.

Após aprender da pior maneira, realizando o prejuízo, esse amigo retornou para a corretora onde aprendeu a investir de forma inteligente, sem atropelos e de acordo com seu perfil e passou a valorizar tudo o que em determinado momento parecia não ter tanta importância.

“Ignorância e pobreza vêm de graça, não custam trabalho nem despesa” (Marquês de Maricá)

Conclusão

Gente qualificada, infraestrutura (sistema, confiabilidade etc.), atendimento de primeira, ferramentas de aprendizado, suporte para operações, tudo isso custa dinheiro. Por isso, quando você encontrar taxa zero para operações que exigem estas características, desconfie.

Optar pelo acompanhamento de profissionais qualificados e uma estrutura de suporte robusta para direcionar suas decisões de investimento significará um relacionamento melhor com quem pode orientá-lo nas suas decisões que envolvem dinheiro – remunerar este compromisso é justo e faz parte do processo.

O objetivo do artigo foi provocar uma discussão sadia sobre situações do mercado financeiro que envolvem principalmente os investidores iniciantes e aqueles que dão muita ênfase aos custos (isso está certo), mas sem pesar as contrapartidas. Responda com sinceridade: quem trabalha de graça? Deveria ser assim? Como reconhecer os talentos dessa forma?

Nos negócios, eu sempre prefiro ficar com o ótimo conselho que aprendi ainda criança com meus avós: “Quando a esmola é demais, até o santo desconfia”.  Para cuidar de meu dinheiro, eu sempre escolhi o que existe de melhor no mercado (e não o mais barato) e até hoje não me arrependi.

O que você pensa disso tudo? Registre sua opinião no espaço de comentários abaixo ou mande-me uma mensagem no Twitter – sou o @Navarro por lá. Obrigado e até a próxima!

Foto “Happy investor”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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