Investidor deve questionar seus investimentos em fundos de previdência e poupançaDez entre dez investidores querem a resposta para uma pergunta aparentemente simples: “Qual é o melhor investimento?”. A resposta é muito subjetiva e muitos se frustram quando descobrem que a resposta adequada é “depende”.

Sim, existem diversas variáveis importantes na hora de escolher o melhor investimento. Deve-se levar em consideração aspectos como tempo, valores a serem aplicados, conhecimento do mercado e, principalmente, o que se quer fazer com o dinheiro acumulado.

Para ajudar o investidor a conhecer melhor o mercado e encontrar o investimento mais adequado, a Análise de perfil do investidor (API), obrigatória para produtos de risco há três anos, será estendida para outros tipos de investimentos mais conservadores.

Clientes de poupança e de previdência privada também poderão ser obrigados a responder uma série de perguntas a fim de identificar perfil antes de comprar o produto. A API foi “ampliada” em janeiro de 2010 com o intuito de ser um mecanismo de segurança adicional na hora do investidor aplicar seu dinheiro.

Sobretudo, a medida traz transparência às transações entre bancos e seus clientes, pois as instituições financeiras são obrigadas a verificar o perfil do investidor antes que ele realize uma aplicação.

Em seu lançamento, a API agia apenas quando alguém optava por fundos de ações, multimercado e crédito privado, sendo que o investidor era obrigado a responder às perguntas. A partir do início deste mês, quem escolher as modalidades de menor risco como fundos de renda fixa e DI também devem responder às perguntas.

O conceito de suitability está incluso na aplicação do questionário. As instituições financeiras que oferecem produtos financeiros devem realizar as vendas de acordo com as necessidades, os interesses e os objetivos dos clientes.

“Será importante deixar a poupança e a previdência privada aberta para uma terceira fase, para que todos os produtos que fazem parte de uma oferta ao cliente de varejo estejam presentes no suitability”, afirma Marcus Daré, presidente do Comitê de Distribuição de Produtos no Varejo da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), entidade responsável pelo processo.

Daré ainda afirma que o questionário permite que o cliente conheça e escolha o produto com maior reflexão. É uma maneira de conscientizar suas escolhas. A estimativa é que o assunto comece a ser abordado no próximo ano.

Até agora, os questionários mostraram um perfil conservador para muitos brasileiros. Gilberto Poso, superintendente executivo de gestão de patrimônio do HSBC, que trabalha com clientes de varejo, percebe que o perfil do investidor na maior parte das vezes é desconhecido. “Percebemos que a maior parte dos clientes tem condições de assumir riscos maiores”, aponta.

Marcos Figueiredo, superintendente de investimentos e consórcios do Santander, ressalta um ponto interessante quanto à ampliação do questionário: a burocracia. “Grande parte da poupança é adquirida via caixa eletrônico. Imagine o cliente parado na frente do ATM, o que implica em riscos a ele, para responder questões”, afirma.

Na área de private banking, o início da aplicação do questionário foi repleto de resistência e desconfiança, diz o diretor do Bradesco Private, João Albino Winkelmann.

Porém, hoje o cenário é diferente, há mais tranquilidade no pós-venda. Na instituição, 5% dos clientes são ultraconservadores, 16% são conservadores, 30% são moderados, 29% estão classificados como arrojados e 20%, agressivos. “O suitability educa, mas não tira a responsabilidade das partes”, afirma Winkelmann.

Todas as iniciativas tomadas para aumentar o grau de conhecimento do investidor são importantes e podem fazer uma enorme diferença lá na frente. Até  a próxima.

Fonte: iG. Foto de freedigitalphotos.net.

Willian Binder
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