Hoje a grande preocupação de investidores em todo o mundo está focada no comportamento dos bancos centrais de países desenvolvidos a partir de agora.

Antes, convém esclarecer que desde a crise do “subprime” em 2008, que culminou com a quebra da instituição centenária Lehman Brothers, os principais bancos centrais montaram programas de flexibilização monetária ampliando demasiadamente a liquidez internacional, e trazendo taxas de juros para patamares muito baixos e em vários casos negativas.

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Agora parece estar começando ciclo inverso, depois de os EUA iniciarem elevação dos juros básicos e estarem preparando a redução do tamanho do balanço do FED.

Só para esclarecer: lá pelos idos de 2008 o tamanho do FED estava em cerca de US$ 1,0 trilhão, e hoje estamos falando de US$ 4,0 trilhões. Aparentemente, o FED deve iniciar encolhimento possivelmente em outubro e outras elevações de juros devem ocorrer até o final do ano (pelo menos mais uma).

Ocorre que outros bancos centrais do mundo estão na mesma vibe do FED. O Banco Central Europeu (BCE) está sendo pressionado para ir retirando estímulos monetários para a zona do euro (a Alemanha é signatária disso).

O Reino Unido, apesar do Brexit, começa a estudar emparelhamento, o mesmo acontecendo com Japão que faz testes para dimensionar os efeitos na economia que começa a recuperar. Mais recentemente, a Austrália passou a sinalizar essa hipótese, deixando investidores de sobreaviso.

Tal situação suscitou, inclusive, declarações de Janet Yellen (Presidente do FED) de que presidentes de bancos centrais se falam constantemente, mas que não existiria nenhuma ação coordenada de elevação dos juros e redução da interferência de bancos centrais, nos moldes do que aconteceu ao contrário em setembro de 2008, quando bancos centrais reduziram juros em 0,5%.

Janet Yellen consegui reduzir a preocupação dos investidores, mas não afastou a possibilidade de ações isoladas nos próximos meses.

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Nossa visão é que se isso acontecer (juros em alta e redução dos balanços) será de forma muito gradual, programada e claramente bem dimensionada por cada um dos bancos centrais, isoladamente, quase numa atuação de “erros e acertos”, já que não se tem muita experiência dos efeitos sobre as economias que demoraram muito para mostrarem sinais consistentes de recuperação.

Argumentamos que não existem fortes razões para início dessas políticas ainda em 2017. A inflação em quase todos os países considerados está abaixo da meta (no geral, giram perto de 2,0%), e em alguns mostrando arrefecimento no curto prazo, como nos EUA e Reino Unido.

Da mesma forma, apesar da retomada das economias e baixo nível de desemprego, as pressões salariais não estão presentes. Na nossa interpretação, seria mais uma política prudencial do que necessária.

Além disso, meta de inflação não é “teto de inflação”. Ela pode em muitos momentos ultrapassar a meta, até por conta de ter ficado muito tempo bem abaixo dessa meta fixada, formal ou informal. Passa pela cabeça desses dirigentes de bancos centrais que foi feito enorme esforço para colocar novamente as economias em crescimento, e isso não deveria ser perdido por políticas precipitadas.

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Dessa forma, pensamos que ajustes podem até ocorrer, mas não seriam suficientes para colocar em risco economias de países em desenvolvimento, e até desorganizadas como a do Brasil. E olhando pela lente positiva, isso só estaria ocorrendo em função do diagnóstico de recuperação consistente das economias, o que ajudaria economias produtoras de bens primários e intermediários.

Consequência: o Brasil, mesmo necessitando de reformas urgentes em vastas áreas, ainda assim se beneficiaria disso em proporção maior que a eventual contração da liquidez internacional.

Alvaro Bandeira
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