dinheirama-post-investimento-constante-acoes-boa-estrategiaO ano de 2013 tem sido bastante complicado para o pequeno investidor que busca enfrentar a volatilidade do mercado de ações. Muitos já estão pensando em desistir dos investimentos em ações e, com a subida da Selic, já procuram aplicações menos voláteis, como títulos do Tesouro Direto, LCA e LCI. Será que há bons motivos para continuar no mercado de ações?

Há sim. E a volatilidade desse mercado é uma aliada, não uma inimiga. Quando observamos o gráfico da pontuação do Ibovespa entre 2007 e 2013, realmente a situação parece desalentadora. Como você mesmo pode ver, o índice praticamente só andou de lado durante quase cinco anos, entre 40.000 e 74.000 pontos, salvo a queda brusca ocorrida em 2008/2009.

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Realmente, alguém que tivesse investido suas economias em um fundo que reproduzisse a rentabilidade do Ibovespa no início de 2007, teria hoje aproximadamente o mesmo valor aplicado naquele momento.

Mas, quantos de nós investem em ações assim? Quantos de nós pegam um montante substancial de nossas economias e aplicam tudo de uma única vez, em um único momento?

A maioria dos investidores aplica um pouquinho a cada mês. Quem procede assim, acaba aproveitando para comprar mais ações em períodos de baixa do que em períodos de alta, quando os preços estão mais caros e o montante investido acaba sendo suficiente para comprar menos ações.

No gráfico abaixo, fiz uma simulação de um investidor que começou a aplicar no início de 2007 em um fundo que replica a performance do Ibovespa, mas de forma contínua. A cada mês, o investidor comprou R$ 2.000,00 de quotas do fundo de ações. O resultado? Você mesmo pode conferir abaixo:

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Esse é o resultado da estratégia de formação de preço médio. Ao invés de se preocupar em investir nos melhores momentos possíveis e em encontrar “a ação milagrosa” que vai torná-lo milionário, nosso pequeno investidor simplesmente adotou a disciplina de investir mensalmente suas economias e, com isso, conseguiu acumular um patrimônio interessante em apenas 5 anos.

Alguém poderia pensar que sua performance teria sido muito superior caso o Ibovespa tivesse subido bastante no período. E teria, sem dúvidas, mas isso teria sido interessante para um investidor que começou a investir em 2007 e tem, digamos, 25 anos de mercado pela frente, até sua aposentadoria?

Para responder a essa pergunta, decidi fazer uma simulação em que o investidor enfrentaria um mercado trágico que cairia ou andaria de lado por 15 anos, depois subiria bastante nos últimos 10 anos – embora enfrentando uma crise nos últimos meses. Assim como no caso anterior, o investidor compraria R$ 2.000 de ações todo mês.

Qual seria o resultado? Para elaborar a simulação, usei uma função no Excel (RANDBETWEEN) que traz retornos aleatórios de acordo com parâmetros que especifiquei, conforme as premissas estabelecidas. No caso, o resultado seria o seguinte:

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Ao final do prazo, os R$ 2.000 investidos ao longo de 300 meses (25 anos), ou R$ 600.000, teriam rendido 391% – com uma média anual de 6,57%.

Não se concentre nessa rentabilidade, que é próxima à de um investimento conservador como a poupança. Esse é só um exemplo – e um trágico exemplo de um mercado que praticamente andou de lado em 200 meses, ou 16,67 anos.

Ainda assim, as ações teriam rendido algo próximo à renda fixa. Imagine qual não poderia ter sido a rentabilidade em um bull market.

Observe outro ponto: enquanto a carteira de ações rendeu, nessas condições, 391%, o índice que tomei como parâmetro rendeu 252%, ou 5,16% ao ano.

Por que isso aconteceu? Porque o preço médio do investidor, por conta das condições do mercado, foi cada vez menor nos períodos de queda – o que, no fim das contas, levou o preço médio para baixo e acabou elevando a rentabilidade média do investimento no final do período estudado.

É isso o que a linha pontilhada mostra: o preço médio cai até aproximadamente 200 meses e termina abaixo do preço médio do início da série, mesmo com os picos apresentados nos últimos anos.

Por isso, se você pretende investir em ações, não compre tudo de uma vez só. Invista aos poucos, sem pressa. Com isso, você poderá aproveitar as quedas de mercado para comprar ações de boas empresas a preços relativamente razoáveis em relação à média do mercado. E é por isso que acredito valer a pena investir em ações no longo prazo.

Foto: hand drawing chart, Shutterstock.

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