Investimento sustentável através do mercado de açõesNão é novidade que o mercado de ações vive momentos de grande expansão. O aumento significativo no número de pessoas físicas com cadastro na BM&F Bovespa, hoje com cerca de 600 mil investidores deste tipo, contribui para uma questão fundamental: dentre as empresas listadas, como escolher aquelas que mais contribuem social, econômica e ambientalmente com o crescimento do país?

Responder à pergunta exige antes uma rápida reflexão sobre o papel do mercado de capitais. De forma geral, sua principal prioridade é permitir que empresas dispostas a investir na economia local e a expandir seus negócios possam encontrar investidores também munidos deste espírito, caracterizando-se assim como a melhor opção para quem decide criar oportunidades de negócios: a capitalização através de acionistas.

Por que optar pela bolsa de valores?
Ao decidir abrir seu capital, uma empresa diz ao mercado que prefere crescer com dinheiro próprio e de acionistas a simplesmente usar, ou continuar usando, recursos provenientes de empréstimos, financiamentos ou emissões de títulos. Ao optar pela transparência diante de investidores, informações de toda ordem se tornam públicas e acessíveis – a transparência surge como outro benefício.

Como a negociação das ações é contínua e marcante no mercado secundário, depois da abertura de capital a empresa precisa planejar e executar muito bem seus passos e equipar seus acionistas e o mercado de detalhes sobre suas operações. O giro nos detentores dos papéis e nas posições de ações é decorrente de fatores ligados à economia como um todo, ao momento, mas sobretudo à gestão da companhia.

Investir em empresas de capital aberto significa ser dono, sócio e acreditar no que a empresa fez, faz e ainda vai fazer. É natural que diante de uma decisão tão importante de investimento o investidor sinta-se pouco preparado. Hora de voltar à pergunta do primeiro parágrafo: como escolher uma empresa que atenda às expectativas do investidor? Mais, como optar por alguma firma socialmente responsável?

Sustentabilidade no mercado de capitais
Empresas engajadas com seus stakeholders e focadas em gerar valor para seus acionistas normalmente têm políticas de investimento de longo prazo associadas a estratégias (cenários) cuidadosamente preparadas para situações como crises econômicas, riscos sistemáticos, não sistemáticos, ambientais etc. Além disso, iniciativas de ordem social oferecem integração com a sociedade e resultados de efeito prático na vida de muitas famílias.

Empreendimentos deste tipo costumam ser conhecidos mundo afora pela sigla SRI, que significa Socially Responsible Investing, ou investimentos socialmente responsáveis. Para que se tenha uma idéia do potencial da nova modalidade, houve crescimento de mais de 320% nos investimentos sustentáveis nos EUA entre 1995 e 2007, total que representa cerca de 10% do total da indústria de fundos do país (dados da pesquisa “2007 Report On Socially Responsible Investment Trends in The United States”).

ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial
No Brasil, em iniciativa gerenciada pela BM&F Bovespa e diversas instituições (ABRAPP, ANBIMA, APIMEC, IBGC, IFC, Instituto ETHOS, Ministério do Meio Ambiente e PNUMA) foi criado o ISE, Índice de Sustentabilidade Empresarial. Segundo uma definição retirada do próprio material publicado no site da BM&F Bovespa, “o ISE tem por objetivo refletir o retorno de uma carteira composta por ações de empresas com reconhecido comprometimento com a responsabilidade social e a sustentabilidade empresarial, e também atuar como promotor das boas práticas no meio empresarial brasileiro”.

Dentre as missões do ISE, destacam-se:

  • Ser composto por empresas que se destacam em responsabilidade social, com sustentabilidade no longo prazo;
  • Ser um referencial do desempenho das ações desse tipo de empresa;
  • Ser percebido como tal pelo mercado (credibilidade);
  • Ser replicável;
  • Estimular boas práticas por parte das demais empresas.

Na prática, trata-se de uma seleção de empresas cujas ações são monitoradas e avaliadas – sempre levando em conta as informações obrigatórias e relatórios publicados e regulados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) – de forma sistemática por um Conselho Deliberativo. Acesse o site da BM&F Bovespa e conheça as companhias atualmente listadas no ISE.

A metodologia consiste no envio de questionários às empresas pré-selecionadas, com as 200 ações mais líquidas e posterior escolha das corporações com melhor classificação considerando: relacionamento com empregados e fornecedores; relacionamento com a comunidade; governança corporativa; e impacto ambiental de suas atividades. O processo repete-se anualmente. Se tiver curiosidade, faça o download da metodologia completa.

Desta forma, escolher a empresa mais adequada ao perfil do investidor fica mais simples. É fato que aqueles investidores preocupados com aspectos ligados à sustentabilidade têm no ISE uma possibilidade concreta de escolher melhores companhias. Porque ser sustentável é compreender que se pode investir nas empresas que já aprenderam a ser lucrativas de forma socialmente responsável – e temos excelentes empresas assim também por aqui.

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

Conrado Navarro
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