Todo bom investidor já conhece e provavelmente investe em títulos de dívida pública, como o Tesouro Direto. Esse tipo de investimento nada mais é do que um empréstimo para o Tesouro Nacional.

Pouca gente sabe que também pode-se investir de forma segura em pessoas ou empresas privadas. Essa modalidade é conhecida como peer-to-peer lending e já é um sucesso no mundo todo, especialmente nos países mais desenvolvidos, e recentemente chegou ao Brasil.

O que é o peer-to-peer lending?

O peer-to-peer lending surgiu em 2005, por meio da plataforma inglesa Zopa, que permitiu pela primeira vez que pessoas emprestassem dinheiro diretamente para outras pessoas ou empresas pela internet.

Em outras palavras, o peer-to-peer lending é uma forma de pessoas ou empresas conseguirem empréstimo por meio de outras pessoas online, sem a intermediação de um banco.

É uma iniciativa inovadora que traz como vantagem para quem pega o empréstimo as taxas de juros, que são menores do que elas conseguiriam no banco.

Para quem financia, a principal vantagem é que mesmo com juros baixos para as empresas, a taxa de retorno para os investidores ainda são maiores que CDB e Tesouro Direto.

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Como funciona?

Como é possível ter rentabilidade alta para investidores se os juros para as empresas são baixos?

Essa conta aparentemente “milagrosa” só é possível porque as plataformas de peer-to-peer lending fazem a desintermediação (ou “desbancarização”) e portanto retiram o spread bancário e dessa forma permitem que ambos os lados consigam taxas melhores.

Spread é a diferença entre a taxa que o banco pega dinheiro com investidores e a taxa que ele empresta para quem precisa.

Segundo o Banco Mundial, o Brasil é vice-campeão mundial em spread bancário, ficando atrás apenas de Madagascar. Nesse cenário fica evidente o potencial dessas plataformas em nosso país.

O fenômeno FinTech e o P2P lending

O peer-to-peer lending não está sozinho na tentativa de trazer inovação e tecnologia para o mercado financeiro. Existem muitas startups com o mesmo objetivo e elas são chamadas de fintechs.

O termo vem do inglês “Financial Technology” e é utilizado para classificar novas empresas que oferecem serviços que antes eram exclusividade dos bancos, porém de forma online e com uso de tecnologia.

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P2P Lending no Mundo

No mundo já existem incontáveis plataformas de peer-to-peer lending, sendo este um mercado que movimentou mais U$65 bilhões em 2015 e vem crescendo vertiginosamente. A Inglaterra, por ser o berço, é um dos maiores mercados, ao lado de EUA e China.

Destaque para plataformas como Zopa, Funding Circle e RateSetter na Inglaterra, e Lending Club e Prosper nos Estados Unidos. Na América Latina, a maioria dos países também já tem plataformas em atividade, como por exemplo a Afluenta na Argentina e Cumplo no Chile, que são exemplos de muito êxito.

P2P Lending no Brasil

No Brasil ainda são pouquíssimas plataformas que oferecem o serviço e é importante ressaltar detalhes de como essas empresas viabilizam a operação em um cenário de rígidas restrições regulatórias, como é o Sistema Financeiro Nacional.

O modelo utilizado no Brasil ocorre através de Operação Ativa Vinculada (OAV), que é uma operação regulamentada pelo Banco Central através da Resolução Nº 2.921 de 17 de Janeiro de 2002.

Nesse tipo de operação, a dívida do tomador é representada por um CCB (Cédula de Crédito Bancário), enquanto o investimento realizado por cada investidor é representado por um CDB (Certificado de Depósito Bancário) ou RDB (Recibo de Depósito Bancário).

Esses títulos são então vinculados pela instituição financeira parceira da plataforma, dando origem a uma OAV, que é uma forma de fazer com que o empréstimo do tomador fique vinculado com o investimento de quem está emprestando.

Dessa forma, reflete na prática o modelo tradicional do peer-to-peer lending, onde o fluxo de recebimentos do investidor advém das parcelas pagas do empréstimo do tomador.

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Quem está do outro lado? Pra quem vou emprestar o meu dinheiro?

Tanto pessoas como empresas podem tomar empréstimos via peer-to-peer, porém no Brasil, até o momento só existem plataformas que oferecem empréstimo para empresas.

Em geral, emprestar para empresas é mais seguro para o investidor, afinal a qualidade e o nível de detalhe das informações disponibilizadas pelas empresas é maior, permitindo uma análise de crédito mais precisa e um ambiente mais seguro para o investidor.

Quais são os riscos envolvidos?

Por ser uma operação vinculada, o principal risco é o de não pagamento por parte do tomador de crédito. Esse risco, contudo, pode ser mitigado através de serviços e ferramentas oferecidos pela plataforma, como por exemplo uma boa análise de crédito e o nível de detalhe das informações disponibilizadas.

Vale ressaltar a importância da diversificação, que é essencial nesse tipo de investimento. É recomendável distribuir o seu capital em diversos tomadores para diluir o risco.

Procure informações sobre esses três pontos – análise de crédito, riqueza das informações disponíveis e diversificação – e então invista com consciência.

Benefícios da rentabilidade e diversificação

A rentabilidade pode variar muito de acordo com o tomador, mas no geral os rendimentos podem chegar a até 180% do CDI, cerca de 26% ao ano.

Essa rentabilidade aumenta ainda mais quando considera-se o potencial de reinvestimento, pois como quem investe recebe repagamentos mensais, existe a possibilidade de reaplicar o capital recebido antes mesmo do investimento inicial terminar.

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Esse é um investimento de muita liquidez, pois não mantém o capital imobilizado até o fim do contrato, como é o caso de CDB e Tesouro Direto, por exemplo.

Investidores com experiência sabem que nunca se pode “colocar os ovos em uma mesma cesta”, ou seja, investir todo o seu capital no mesmo lugar. Ao colocar o dinheiro na poupança, por exemplo, ele está muito seguro, mas irá render apenas o equivalente à inflação ou até menos do que isso.

Por outro lado, investir tudo na bolsa de valores pode ter uma rentabilidade altíssima, mas as chances de perder dinheiro são igualmente impressionantes.

O ideal é ter uma carteira diversificada, balanceando risco e rentabilidade, de forma que mesmo que haja uma pequena perda de capital, a carteira como um todo está rendendo bem.

Nesse cenário o P2P lending é uma ótima opção, pois oferece boas taxas de retorno e, como já foi falado, o risco pode ser mitigado pela plataforma que oferece o serviço.

Alto nível de controle do seus investimentos

Por último é interessante ressaltar o alto nível de controle do investidor nessa classe de investimentos. Enquanto em um CDB ou título do Tesouro o investidor não sabe como o dinheiro dele está sendo utilizado, no caso do P2P existe a possibilidade de entender muito mais sobre quem vai receber o dinheiro e como vai usá-lo.

Além disso, algumas plataformas disponibilizam um relatório financeiro detalhado sobre os tomadores afim de auxiliar o investidor na tomada de decisão.

Após o investimento, o investidor pode acessar a qualquer momento um painel detalhado com informações dos investimentos realizados.

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Conclusão: Vale a pena investir em peer-to-peer lending?

Com certeza o P2P lending é uma modalidade interessante para o investidor. É uma classe nova de investimentos, principalmente aqui no Brasil, mas que possui um enorme potencial de transformar a economia do país.

Aumentar a acessibilidade ao crédito, ao mesmo tempo que se oferece uma opção de investimento com ótima relação risco-retorno é uma inovação totalmente disruptiva no mercado financeiro.

Respeitando os princípios de diversificação dos investimentos dentro e fora da plataforma, o P2P lending torna-se uma ótima opção para a carteira de qualquer investidor moderno.

Como começar?

Uma rápida procura no Google por plataformas de peer-to-peer lending já te levará para algumas. A Nexoos, por exemplo, já está operando no Brasil no segmento de empréstimos para pequenas e médias empresas.

O cadastro é imediato, e após preencher alguns dados e perfil de risco, você já poderá ter acesso às oportunidades de investimento. Geralmente as plataformas disponibilizam essas oportunidades em grupo, para dar oportunidade de diversificação aos investidores.

Se não houver nenhuma oportunidade disponível, fique de olho no seu e-mail e nas redes sociais da plataforma pois é lá que geralmente anunciam novas oportunidades. Espero que tenha aprendido mais sobre investimentos com este texto. Um abraço e até a próxima!

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Daniel Gomes
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