“Não adianta chorar sobre o leite derramado”, assim diz o dito popular. Nessa altura dos acontecimentos, o ministro Joaquim Levy pode estar se lamentando de algumas decisões tomadas, já que a situação herdada parece ser bem pior do que supunha. Mesmo o anúncio modesto de que fará superávit primário de 1,2% do PIB em 2015 parece correr perigo e é de difícil execução.

Essa meta foi anunciada antes de tomar pé completamente da situação da economia, mas Levy segue repetindo esse mantra, como quem quer se convencer da possibilidade de atingimento. Ocorre que a gestão imprudente da Fazenda e do Tesouro deixou uma herança maldita para a equipe econômica, que em algum momento terá que vir a público. A equipe parece estar tendo problemas para limpar as manobras contábeis ocorridas na virada do ano de 2015, na gestão de Guido Mantega e Arno Augustin.

Levy disse que os gestores anteriores deram uma “escorregadinha” de 6,7% do PIB no déficit fiscal e que isso é insustentável. Mas também disse que não há nada problemático na economia, e complementamos que isso pode ser verdade, desde que a presidente, seus 39 ministros e o Congresso Nacional acatem as mudanças de rumo e restrições impostas. Isso não será fácil.

Levy, ademais, disse aos parlamentares em encontro que os cortes podem montar a R$ 80 bilhões, preparando as discussões que ocorrerão a partir dessa semana. Ocorre que as previsões foram feitas quando ainda se esperava crescimento da economia em 2015, situação que periga não acontecer com o Brasil fazendo dois anos de recessão seguida (2014 e 2015). Também não esperava que a arrecadação de janeiro de 2015 ficasse praticamente idêntica à de igual período do ano anterior.

Há ainda que dar um fim à herança maldita de restos a pagar, a tal pedalada de final de ano, com passivo muito maior que o esperado. Os pagamentos empurrados para 2015 podem chegar a R$ 34 bilhões, somente no programa do BNDES do PSI (Programa de Sustentação de Investimentos). A conta vai além, com os economistas se debruçando nos dados do SIAFI (Sistema Integrado de Administração Financeira) e os subsídios devidos e não pagos podem chegar a algo como R$ 51 bilhões, representando 1,0% do PIB.

Apesar de tudo isso, o ministro Joaquim Levy, tirando a eventual frustração de não conseguir realizar seu trabalho, terá duas alternativas: fazer as mudanças e ser agraciado com os louros de reorganizar a economia, ou deixar toda culpa para o primeiro governo da presidente Dilma e a inação de seu segundo mandato.

O mercado financeiro que antecipa sistematicamente situações já percebeu tudo isso. A curva de juros longa que deveria estar caindo tem se mantido elevada, o dólar segue em alta por semanas e a Bovespa patina, enquanto os mercados no exterior incorporam sucessivos recordes.

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Alvaro Bandeira
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