Home Economia e Política Juro mais alto por mais tempo no exterior traz dificuldade para queda da taxa no Brasil, diz Campos Neto

Juro mais alto por mais tempo no exterior traz dificuldade para queda da taxa no Brasil, diz Campos Neto

"√Č √≥bvio que se voc√™ tem um juro mais alto no mundo, esse processo de queda de juros, ele tem uma maior dificuldade, porque ele compete por recursos de pa√≠ses desenvolvidos pagando um juro mais alto", disse Campos Neto

por Reuters
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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quarta-feira que a manuten√ß√£o de juros elevados por mais tempo no exterior traz maior dificuldade para o processo de queda da Selic no Brasil e apontou que o pa√≠s precisa fazer sua “li√ß√£o de casa” para evitar ser afetado por problemas de liquidez, apontando os gastos estruturais como uma quest√£o a ser tratada.

“√Č √≥bvio que se voc√™ tem um juro mais alto no mundo, esse processo de queda de juros, ele tem uma maior dificuldade, porque ele compete por recursos de pa√≠ses desenvolvidos pagando um juro mais alto”, disse Campos Neto durante caf√© da manh√£ com parlamentares da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, em Bras√≠lia.

“O mundo emergente vai ter menos liquidez dispon√≠vel cumulativamente, isso vai ter um impacto maior a partir do in√≠cio de 2024. Significa que o mundo emergente tem que fazer melhor o dever de casa. O Brasil √© um pa√≠s emergente e a gente vai precisar fazer melhor o dever de casa, porque se n√£o o problema de liquidez vai afetar o Brasil de uma forma diferente do que afetava no passado”, disse.

O presidente da autoridade monetária elogiou ainda o arcabouço fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e aprovado pelo Congresso Nacional, ao mesmo tempo em que defendeu que ruídos em torno das metas podem trazer custos de credibilidade.

Em um momento em que h√° setores do governo que defendem rever a meta de zerar o d√©ficit prim√°rio no ano que vem, Campos Neto disse que √© preciso “perseverar” no arcabou√ßo fiscal.

“Gerar ru√≠dos em rela√ß√£o a metas ou fazer uma meta e depois desacreditar a meta tem um custo de credibilidade muito grande”, disse Campos Neto.

Em que pese os elogios que fez ao arcabouço, o presidente do BC reafirmou que a questão dos gastos no Brasil é um problema estrutural de longo prazo que deve ser tratado.

Campos Neto
(Imagem: Raphael Ribeiro/BCB)

“Se a gente n√£o endere√ßar esse problema do gasto estrutural brasileiro, a gente vai ter uma d√≠vida que vai se distanciar em termos de converg√™ncia das d√≠vidas de outros pa√≠ses emergentes e em alguma hora isso vai se transformar em um custo de financiamento mais caro.”

Campos Neto reconheceu que a taxa de juros brasileira √© alta, mas disse que ela est√° no patamar necess√°rio para a estabiliza√ß√£o do processo inflacion√°rio. Ele reafirmou que a infla√ß√£o est√° caminhando para dentro da banda da meta do BC, mas que ainda h√° trabalho a ser feito, ponderado ainda haver espa√ßo para seguir reduzindo a taxa de juros sem que isso impacte na taxa de c√Ęmbio.

A volatilidade dos pre√ßos globais dos alimentos tende a ser grande daqui para frente, disse o presidente do BC, citando os efeitos de desastres naturais sobre a produ√ß√£o. Sobre a trajet√≥ria futura dos pre√ßos do petr√≥leo, ele disse que h√° incerteza em meio aos conflitos geopol√≠ticos, mas ponderou que, at√© o momento, o mercado da commodity “resistiu bem” √†s tens√Ķes.

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