Home Economia e Política Juros, a arma secreta do Copom?

Juros, a arma secreta do Copom?

por Ricardo Pereira
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Aumento da taxa Selic?Semana de reuni√£o no COPOM (Comit√™ de Pol√≠tica Monet√°ria) √© sempre igual. Alguns defendem uma posi√ß√£o mais austera (se √© que isso ainda √© poss√≠vel) do Banco Central e outros defendem uma posi√ß√£o ‚Äúesperar pra ver no que vai dar‚ÄĚ. O fato √© que, mesmo sem um consenso entre a cadeia produtiva e o chamado mercado financeiro, √© grande a chance de um aumento de 0,25% na taxa b√°sica de juros, a famosa Selic.

A grande pergunta que fica √©: at√© que ponto essa mudan√ßa ser√° capaz de conter a infla√ß√£o? Vamos come√ßar do come√ßo. Qual o motivo para a infla√ß√£o despertar de um sono t√£o pesado? Na pr√°tica, a resposta n√£o √© t√£o simples, afinal o fen√īmeno inflacion√°rio √© mundial. Nos EUA, nem a recess√£o, que poderia ser um rem√©dio amargo, mas eficaz, n√£o est√° sendo suficiente para conter os √≠ndices de infla√ß√£o.

A jogada do Banco Central ao elevar a taxa Selic é a tentativa paradoxal de reduzir o consumo. Parece-me que o remédio de outrora pode agora ser uma pequena armadilha. O consumo, tão criticado e há pouco descoberto e experimentado pelas famílias brasileiras, não é o principal responsável pela inflação.

Veja as palavras do Ministro Guido Mantega:

“Se tirarmos os alimentos, a infla√ß√£o dom√©stica √© de 2,4%. A press√£o dos alimentos vem de fora, via pre√ßos de commodities, que n√£o podemos controlar”

O Ministro Mantega foi direto ao ponto e parece (enfim) ter razão. As chamadas commodities, agora supervalorizadas, são as verdadeiras responsáveis por esse aumento incontrolável nos preços dos alimentos mundo afora.

N√£o podemos esquecer de mencionar os gastos elevad√≠ssimos para manuten√ß√£o da m√°quina p√ļblica, que caracteriza o governo como (mau) gastador. Aumentar, nesse momento, a taxa b√°sica √© ‚Äúoperar a perna errada‚ÄĚ e castigar da maneira mais cruel quem s√≥ agora come√ßa a enxergar os benef√≠cios de uma economia est√°vel.

PIB real e PIB potencial
Algumas das principais agências de classificação de risco e bancos de investimento[bb] dos EUA afirmaram ontem que o Brasil está crescendo acima de seu potencial, com riscos inflacionários, e que o país deveria elevar o juro agora para conter os preços.

Standard & Poor’s, Moody’s, Fitch, Goldman Sachs e JPMorgan v√™em o risco de acelera√ß√£o de pre√ßos concentrado principalmente nos alimentos. Para a maioria deles, o Brasil tem potencial para crescer entre 4% e 4,5% sem press√Ķes de infla√ß√£o ou de forte aumento das importa√ß√Ķes. Em 2007, voc√™ se lembra, o pa√≠s cresceu 5,4% com a infla√ß√£o sob controle.

Voltamos ao início da discussão. Acredita-se que o potencial de infra-estrutura do país não está crescendo na mesma proporção da demanda por produtos e serviços. Isso, de certa forma, estimula a inflação. Faz sentido!

Talvez a a√ß√£o correta seja, justamente, a de incentivar o investimento direto, reduzindo o tamanho do Estado atrav√©s de mais privatiza√ß√Ķes, integradas com a√ß√Ķes j√° realizadas no atual momento e que possibilitem um maior potencial de crescimento. Talvez. Parece que buscar formas de limitar o crescimento para conter a infla√ß√£o n√£o √© a melhor sa√≠da. Parece.

Investimentos, dólares e especulação
Ao elevar os juros, o Banco Central expor√° um outro problema peculiar dos nossos dias: o c√Ęmbio. √Č imposs√≠vel n√£o imaginar que muitos d√≥lares, motivados por juros mais altos, entrar√£o no pa√≠s, pressionando ladeira abaixo a cota√ß√£o da j√° minguada moeda americana.

Para o diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcelo Solimeo, um aumento na Selic afetará mais os investimentos que o consumo Рexatamente o ponto de preocupação do Governo:

“Normalmente, uns dois dias depois da decis√£o ocorre certa retra√ß√£o nas vendas, mas depois o comprador v√™ que n√£o √© com ele”

O papel do Banco Central √©, sem d√ļvida, zelar pela controle r√≠gido da infla√ß√£o e para isso n√£o poderia de forma alguma esmorecer quando o diagn√≥stico certo √© feito. Vejamos se o tom da decis√£o de hoje ser√° o desejado por todos n√≥s. Mas e voc√™, o que pensa sobre isso? O Copom deve mesmo aumentar a taxa de juros?

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Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para Marcio Eugenio.

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