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Juros futuros têm alta firme após IPCA-15 pior que o esperado

Os dados do IPCA-15 acabaram por ofuscar os números da arrecadação federal, divulgados também pela manhã

por Reuters
Banco Central, Selic, Copom

As taxas dos DIs emplacaram nesta quinta-feira a terceira sessão consecutiva de alta, perto de 20 pontos-base em alguns vencimentos, em reação aos números de inflação piores que o esperado no Brasil, com a curva a termo passando a precificar uma probabilidade de 21% de o Banco Central subir juros já na próxima semana.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 que reflete a política monetária no curtíssimo prazo estava em 10,78%, ante 10,68% do ajuste anterior.

Já a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 11,755%, ante 11,59% do ajuste anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 estava em 12,025%, ante 11,842%.

Entre os contratos mais longos a taxa para janeiro de 2031 estava em 12,29%, ante 12,208%, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 12,29%, ante 12,198%.

Na abertura da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15 uma espécie de prévia da inflação oficial subiu 0,30% em julho, acima do aumento de 0,23% projetado pelos economistas consultados em pesquisa da Reuters.

O resultado fez a taxa em 12 meses acelerar de 4,06% em junho para 4,45% em julho, também acima da expectativa de 4,38%. A taxa de 12 meses até julho está próxima do teto da meta de inflação perseguida pelo BC, de 4,50%.

“Olhamos muito para a média de três meses do indicador, que dá uma ideia de para onde os números estão caminhando. Esta média, anualizada, passou de 3,5% para 4,3% em julho, o que é bastante coisa”, pontuou Diego Faust, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

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“Esperávamos que hoje pudesse haver uma reversão (das altas recentes das taxas), mas este dado de inflação não deixou isso acontecer”, acrescentou.

A taxa do DI para janeiro de 2027 um dos mais líquidos oscilou em alta durante toda a sessão, na esteira dos números do IPCA-15, atingindo o pico de 12,06% às 15h24, em alta de 22 pontos-base.

Por trás do movimento estava a percepção de que, com a inflação pressionada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central pode até mesmo subir a taxa básica Selic ainda em 2024.

“Um cenário quase que otimista agora é a manutenção da Selic em 10,50% até o final do ano. Praticamente impossível a Selic cair e muita gente começa a falar em alta de juros”, disse o economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, em comentário enviado a clientes.

“Em alguns momentos, a curva de juros embutiu alta da Selic, e já começa a embutir de novo… Com este IPCA do jeito que está, é impossível imaginar o Copom cortando juros ainda este ano e começa a ser possível imaginar o BC subindo juros este ano”, reforçou.

Com o movimento desta quinta-feira, a curva a termo brasileira precificava perto do fechamento 79% de chances de manutenção da taxa básica Selic em 10,50% ao ano na reunião do Copom na próxima semana. A probabilidade de alta de 25 pontos-base está em 21% acima dos 13% vistos na véspera.

Sede do Banco Central em Brasília
(Imagem: Reuters/Ueslei Marcelino)

Profissionais ouvidos pela Reuters têm pontuado que é improvável que o BC de fato eleve a Selic na próxima semana. Assim, as apostas na alta neste próximo encontro são vistas como um hedge (proteção) para o caso de alguma surpresa. Na curva a termo, porém, há apostas majoritárias de que o BC elevará os juros mais para o fim do ano.

Os dados do IPCA-15 acabaram por ofuscar os números da arrecadação federal, divulgados também pela manhã. A Receita Federal informou que a arrecadação teve alta real (descontada a inflação) de 11,02% em junho ante o mesmo mês do ano anterior, para 208,844 bilhões de reais.

O resultado ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters, de 204,900 bilhões de reais.

Ainda que os números de arrecadação tenham sido melhores que o esperado, o mercado segue cauteloso quanto à situação fiscal.

Em entrevista à GloboNews na noite de quarta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo tem procurado corrigir o problema do “déficit absurdo” do país e voltou a citar o impacto negativo da desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia. Sem novidades, a entrevista não fez preço na curva nesta quinta-feira.

O avanço das taxas futuras no Brasil ocorreu a despeito de, no exterior, os rendimentos dos Treasuries cederem após a divulgação de novos números sobre a economia norte-americana.

O Departamento do Comércio informou que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA aumentou a uma taxa anualizada de 2,8% no último trimestre, enquanto economistas consultados pela Reuters previam expansão de 2,0%.

Apesar disso, o índice de preços PCE excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia avançou 2,9%, depois de ter subido a um ritmo de 3,7% no primeiro trimestre, o que é uma boa notícia para o Federal Reserve antes da reunião de política monetária da próxima semana.

Às 16h39, o rendimento do Treasury de dez anos referência global para decisões de investimento caía 3 pontos-base, a 4,256%.

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