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Juros sobem por ingerência na Petrobras e avanço dos yields

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 estava em 10,365%, ante 10,352% do ajuste anterior

por Reuters
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As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira em alta no Brasil, em especial entre os contratos mais longos, ainda refletindo preocupações com a ingerência política na Petrobras (PETR3; PETR4) e com os impactos econômicos da tragédia no Rio Grande do Sul, em meio a novo avanço dos yields dos Treasuries no exterior.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 estava em 10,365%, ante 10,352% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 10,66%, ante 10,56% do ajuste anterior.

A taxa para janeiro de 2027 estava em 11,005%, ante 10,887%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 11,29%, ante 11,171%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 11,69%, ante 11,583%.

Em uma sessão com poucos dados, os DIs refletiram fatores estruturais internos e externos nesta sexta-feira.

Jean Paul Prates, ex-CEO da Petrobras deixa a empresa
Jean Paul Prates, ex-CEO da Petrobras deixa a empresa (Imagem: REUTERS/Pilar Olivares)

Petrobras

Internamente, continuaram a fazer preço as preocupações em torno da governança da Petrobras após a saída do CEO Jean Paul Prates. Apesar de a decisão ter sido anunciada na terça-feira, o mercado seguia digerindo seus desdobramentos, como a demissão de 20 profissionais da empresa vinculados ao executivo. Além disso, há preocupações sobre o futuro da estatal.

“Hoje, como não tem divulgação de muitos dados, temos muitos players perguntando sobre a questão da Petrobras, sobre a mudança de pessoal lá dentro, além (da saída) do Prates também… muito ‘gringo’ perguntando a questão de compliance da companhia”, comentou durante a tarde Lais Costa, analista da Empiricus Research.

“Por não ter muito dado saindo, essas coisas acabam pesando mais”, acrescentou.

Além disso, permanece a cautela em relação aos desdobramentos da tragédia causada pelas chuvas no sul do Brasil. Ainda que os impactos na inflação possam ser menores, o mercado demonstra preocupação com os impactos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e, em especial, sobre as contas do governo. Em sessões anteriores, a cautela com a área fiscal já havia ajudado a sustentar as taxas com prazos mais longos.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries se consolidaram em alta durante a tarde, o que também ajudou no avanço das taxas futuras no Brasil — principalmente nos contratos a partir de janeiro de 2026.

O DI para janeiro de 2025, por sua vez, seguiu perto da estabilidade, precificando chances majoritárias de manutenção da taxa básica Selic em 10,50% ao ano no encontro de junho do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Perto do fechamento desta quinta-feira a precificação da curva a termo indicava 69% de chances de manutenção da Selic em junho, contra 31% de probabilidade de corte de 25 pontos-base. Na segunda-feira, antes da ata do Copom, a relação era de 47% para manutenção contra 53% para corte.

Sem pistas sobre juros

Pela manhã, também repercutiu no mercado a entrevista concedida pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, ao Estadão. Nela, Campos Neto afirmou que não poderia antecipar novos cortes da Selic e defendeu que é prerrogativa da autarquia mudar sua orientação futura quando necessário.

Ele disse ainda que a autarquia precisa “de tempo, serenidade e calma para saber como as variáveis vão se desenrolar” até a próxima reunião.

Os impactos da fala de Campos Neto sobre os preços, no entanto, foram mais perceptíveis no mercado de câmbio, conforme dois profissionais ouvidos pela Reuters. A queda do dólar ante o real esteve em grande parte ligada aos comentários da autoridade.

Às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 5 pontos-base, a 4,422%.

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