Um dos dilemas recorrentemente levantados com amigos líderes e pais é o controle versus liberdade. Afinal, quando se controla demasiadamente uma equipe/filhos retira-se deles a liberdade? Por outro lado, permitir liberdade plena pode significar a perda de controle?

Não controle, eduque! A meu ver, ninguém deveria controlar ninguém. Muitos chefes tem a crença que conseguem controlar seus colaboradores quando usam firmeza, voz alta, rispidez, indicadores e até ameaças. O mesmo acontece entre as famílias em que pais usam suas energias para controlar os filhos.

Acredite, por experiência própria posso dizer que essa tentativa não produz resultados satisfatórios. Creio que, no processo de ajudar as pessoas a usarem sua liberdade não se pode manipulá-las, mas dar ferramentas, conhecimento e treinamento para que não seja necessário controlar. Em resumo, a melhor forma de ajudar as pessoas a alcançar a liberdade é educando-as.

Quando nascemos, somos 100% dependentes, necessitamos de alimentação, abrigo e atenção para sobreviver. Somos facilmente controlados pelas circunstâncias, o que nos torna frágeis e muito limitados.

No entanto, à medida que crescemos começamos a aprender, desenvolver e compreender que alguns aspectos que nos limitavam não existem mais e iniciamos a pratica do “fazer de tudo”. É neste ponto onde crianças começam a experimentar, até o momento em que aparece à figura “controladora” do pai e da mãe.

Frases como “Não coloque o dedo na tomada”, “Pare de pular em cima do sofá”, “Não jogue comida no chão” são comuns nesta época. Frases que com o passar do tempo vão se esvaindo. Na medida em que o tempo passa, as dependências dos filhos vão diminuindo, e eles vão descobrindo que podem fazer o que bem entendem.

Neste processo, alguns pais prorrogam o controle, querendo manter seus filhos 100% dependentes. Afinal, é mais fácil trabalhar assim. Dispende-se menos energia, principalmente na correria do dia a dia, e, sem perceber, cria-se “robozinhos”.

Observe que, neste cenário, os pais começam a presenciar o dilema controle versus liberdade. Desejam treinar seus filhos para serem pessoas de bem usando corretamente o direito de ir e vir. Portanto, não controle o comportamento, eduque-o! Mas como?

Ensine a liberdade através do controle

Embora eu tenha citado a palavra controle me referindo à tendência de controlar comportamento, gostaria de frisar que esta palavra é importante na liberdade. Já dizia Confúcio: “Somos eternamente controlados por leis que nos tornam livres”. Outro dilema comum entre líderes diz respeito a ser temido ou ser amado e já falei sobre isso aqui (clique e leia minha opinião).

Como líderes, não devemos querer controlar o comportamento, mas educar as percepções, modelos mentais e paradigmas através de leis e/ou princípios. O controle deve existir, mas não de pessoas, e sim de leis, normas ou valores adotados por aqueles que têm maturidade para criá-los, exercê-los e ensiná-los para que o bem de todos exista e perdure.

Honra-se o princípio de que somos livres para escolher e responsáveis por nossas escolhas, mas não estamos livres das consequências. Ser controlado por leis significa ser protegido. Usufruir da liberdade está na capacidade de seguir leis, normas e valores, do contrário não conseguiríamos liberdade para todos. Uma analogia pode ajudar.

O trânsito da vida

O trânsito é um maravilhoso exemplo. Tantas pessoas com seus veículos indo e vindo, usando sua liberdade. Mas o que seria de nós, com essa tal liberdade, sem as leis de trânsito para nos dirigir e proteger? Caos, acidentes e mortes.

Como é o processo de aquisição de sua liberdade no trânsito? Sem uma habilitação, somos extremamente dependentes dos outros, assim como um bebê de sua mãe. E para me tornar autossuficiente neste quesito, qual a primeira coisa a ser feita? Educação! E através do que? Leis!

Quando desejamos ter nossa carteira de habilitação, vamos primeiro até a escola para aprender sobre as leis de transito, segurança, primeiros socorros e mecânica. Descobrimos o que, como, onde, quando e porquê das coisas. Fazemos um teste para ratificar o conhecimento e só então somos autorizados a sair com o carro (ainda assim acompanhados de um instrutor).

Então, um tutor ou instrutor o acompanha no trânsito, treinando-o a usar essa liberdade, exatamente o que os pais e líderes deveriam fazer com seus filhos e liderados quando estão em fase de prática de sua liberdade.

Teoria é uma coisa, pratica é outra

Teoricamente, somos capazes de lidar com a liberdade. Acho que isso ocorre principalmente na fase adolescente, onde os jovens, de forma imponente, gritam pelo direito, mas sem muita prática de seus deveres.

Nos quesitos controle e liberdade, espera-se que pais e lideres compreendam que a liberdade daqueles que estão sobre sua tutela não é um evento, mas um processo longo que exige muita constância, amor e senso de propósito. Jovens adoram idolatrar a águia como um símbolo de liberdade e liderança, mas não é bem assim. Eu prefiro os gansos e explico aqui o porquê (clique e leia).

Ninguém tira carteira de habilitação de um dia para o outro. A migração de uma pessoa do controle para a liberdade é um filme de longa-metragem, que permite aos pais, líderes ou mentores a oportunidade de ser a fonte de inspiração, o herói, e não o vilão. Esses heróis anônimos são a esperança na educação dos jovens e crianças atuais que irão transitar e habitar o futuro.

Fica a reflexão: estamos cuidando da habilitação no trânsito da vida destes pequeninos para que não haja acidentes, perdas e até mortes? Ensine-os a serem livres dentro do controle de princípios e tudo ficará melhor. Deixo duas sugestões de leitura para aprofundar-se no tema liderança (clique abaixo):

Obrigado e até a próxima!

Foto “Business man puppeteer”, Shutterstock.

Alex Arcanjo
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